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04/09/2011

À Procura da Sabedoria dos Ancestrais: Uma forma de divinação Indo-Européia

A lenda irlandesa Serglige Con Culainn (A Doença de Cuchulainn) descreve um ritual, chamado tarb feis, a “festa do touro,” em uma boa quantidade de detalhes. Um touro branco é morto. Um homem se satisfaz de sua carne, bebe seu caldo, e vai dormir após uma prece ser dita sobre ele por quatro druidas. Enquanto ele dorme, sonha sobre o homem que se tornará rei (MacCana, 91-92). Em uma estória similar contada em Togail Bruidne Da Derga, (A Destruição da Pousada de Da Derga) ainda é dito que a prece era um “encantamento da verdade”, e que o homem morrerá se mentir sobre o que sonha. (Gantz, 65).

Estas duas lendas contêm a maioria dos elementos essenciais de uma forma de divinação que pode ser encontrada em larga escala no domínio Indo-Europeu, da Islândia à Índia. Este artigo vai apresentar a evidência desta técnica e tentar reconstruir sua forma original.

Em outro conto irlandês, A vida de S. Berach, quatro druidas se deitam sobre sebes de sorveira-brava que estão cobertas com o couro cru dos touros sacrificados. Eles bebem cerveja nova, chamam pelos deuses, e aguardam por uma revelação.

Outras fontes célticas fornecem numerosos exemplos, embora fragmentados. Por exemplo, o folclore escocês determina que um profeta seja enrolado na pele fresca do boi morto. Ele deve ser então levado para um local selvagem e isolado para aguardar a resposta (Nagy, 1981/1982, 138). Em uma versão das Ilhas Ocidentais, de 1703 (relatada em Davidson, 1988, 143), um homem é enrolado no couro cru de vaca e deixado em um local ermo e selvagem de um dia para o outro. "Amigos invisíveis "vêm a ele e lhe dizem o que quer saber.

Na tradição galesa encontramos "O Sonho de Rhonabwy," do Mabinogi (Ford, 1977). O personagem do título, enquanto procura pelo príncipe renegado acaba tendo de passar a noite em um desagradável salão. Ele é aquecido por uma fogueira de palha que faz muita fumaça e sufoca a todos. Uma velha e sua assistente servem o jantar a Rhonabwy e seus dois homens – pão de cevada, queijo, e uma mistura de água e leite. Na hora de dormir eles recebem uma ‘cama’ de palha e gravetos, infestada por pulgas. Rhonabwy compreensivelmente não consegue dormir, e vai para os fundos do salão, onde está sobre uma plataforma uma pele amarela de boi. Ele deita sobre ela, e tem um sonho no qual um jovem o leva para a corte do Rei Arthur. É uma paródia, certamente, porém paródias devem ser baseadas em algo, ou elas simplesmente não terão graça nenhuma.

A esfera germânica nos fornece algumas versões fragmentadas. Na Mariu Saga (13º séc.) um homem senta sobre o couro de um boi recém esfolado (e possivelmente morto há pouco), com quadrados desenhados em volta dele. O demônio vai a ele para revelar o futuro (Davidson, 1988, 143). Uma divinação descrita na saga islândica de Erik o Vermelho envolve um capuz e uma plataforma (Buchholz, 1987, 32). De acordo com o folclore germânico, aqueles que fossem a uma encruzilhada entre as onze horas e meia noite do Natal ou na noite do Ano Novo e sentassem sobre uma pele de animal, descobririam o futuro.

Até agora os exemplos são de fontes da era cristã. Isto faz com que as evidências romanas sejam até mais importantes. Em A Eneida (7.102 ff.) Latinus, incomodado por alguns presságios, vai ao oráculo de Faunus em busca de aconselhamento. Neste oráculo, em uma fonte nas profundezas da floresta, os sacerdotes realizam a divinação orando ao Sono e então adormecendo nas peles de ovelhas sacrificadas. Latinus assume o papel de sacerdote e espíritos vem a ele, tanto deuses quanto mortos, os quais lhe descrevem a futura grandiosidade de Roma.

Ovídio descreve um ritual similar (Fasti 4.649-672). Para aprender como restaurar a fertilidade da terra, o rei Numa sacrifica duas ovelhas num bosque sagrado, um para Faunus e outro para o Sono. As peles são estendidas no chão e ele é aspergido com água e vinho, e coloca duas grinaldas de faia em sua cabeça. Ele enrola a si mesmo nos velos, reza, e então sonha. Faunus aparece a ele em sonho com um oráculo. Antes do ritual ele deve abster-se de sexo, carne, e do uso de anéis.

No Arda Wiraz Namag zoroastriano (Prólogo 1-3, em Flattery and Schwartz, 1989, pp. 14-16), Wiraz é escolhido num sorteio, como o mais honrado dos homens, para conduzir uma divinação e perguntar aos que já se foram se o Zoroastrismo era a verdadeira religião. Em um local de trinta passos de largura, ele se lava e veste um traje novo. Estende uma coberta nova sobre algumas tábuas e, sentando-se sobre elas, executa o ritual dron (uma oferta de pão modelado em um sacrifício; Jamaspasa, 1985). Ele ora aos mortos e come comida, provavelmente o dron. Então ele bebe três taças de uma mistura de vinho e da droga mang. Ele adormece em estado de graça. Enquanto dorme os sacerdotes cantam preces sobre ele. Em seu sonho, Wiraz é levado para uma volta na terra dos mortos.

Finalmente, o Chandogya Upanixade (5.2, em Hume) preserva um ritual completo deste tipo, a ser realizado na noite de lua cheia. O celebrante deve misturar “todos os tipos de ervas com leite azedo e mel”. Daí ele deve fazer quatro oferendas de ghee (um tipo de manteiga clarificada) no fogo, para o “maior e melhor chefe de todos”, “o mais excelente”, “a base firme”, e “a casa”. Rastejando para longe do fogo, ele toma em suas mãos a mistura de ervas, leite e mel e ora sobre ela para preeminência e unidade com o todo. Da taça ele toma quatro goles, rezando a Savitr, deus da magia e do sol quando não está no céu. Ele limpa a taça e deita virado para o oeste do fogo, sobre uma pele ou no chão. Caso ele tenha uma visão de uma mulher, seu ritual foi bem sucedido.

A divinação por sonho é muito difundida (na verdade, Polymnia Athanassiadi foi bem longe ao observar, em relação ao mundo Mediterrâneo, que “a evidência retirada de papiros, amuletos, inscrições de templos, dos historiadores e dos hagiógrafos tornam absolutamente claro que o método mais comum de divinação na antiguidade tardia era através dos oráculos de sonhos.” 1993, 127), e se eu estivesse simplesmente apontando que todas estas culturas faziam isso, seria um pormenor neste artigo. Contudo, a correspondência de detalhes entre esses exemplos é arrebatadora. Quando consideradas juntas, como mostradas aqui, existem em um padrão muito claro o qual indica um ritual Indo-Europeu em comum. Um animal doador de leite é sacrificado e sua carne comida pelo divinador. Ele ainda consome uma bebida sagrada, ou o caldo da carne do animal, uma bebida substitutiva, ou uma beberagem intoxicante. O divinador se deita na pele do animal, provavelmente posta sobre uma plataforma de madeira. Orações são ditas sobre ele pelos sacerdotes, e então ele dorme. Uma visão vinda dos mortos vem a ele em seu sono. O ritual é feito para um objetivo público, e talvez realmente em público.

Uma variação maior é a ausência do sacrifício em algumas versões. Isto é facilmente explicado por seus contextos culturais. Tanto no Irã quanto na Índia o sacrifício animal (particularmente do gado) veio a ser visto como repugnante. De qualquer forma essas tradições substituíram o sacrifício animal neste ritual da mesma forma que substituiram nos outros, com pão (Irã) e laticínios (Índia). As versões tardias das fontes célticas e germânicas ocorrem em uma cultura (uma cristã) na qual o sacrifício está fora de questão. Nestas versões o animal sacrificado foi reduzido ao seu couro cru.

Alguns dos exemplos célticos e germânicos, e um dos romanos, determina que é preciso se enrolar no couro cru, em vez de meramente deitar sobre ele. Desta forma o profeta é identificado com o animal sacrificial; ele está dentro de sua pele. Isto pode ser tencionado ou como um instrumento liminar – entre humano e animal, vida e morte – ou então por esta identificação com o sacrifício o profeta possa ir com o animal para o objetivo pretendido. A idéia de que a segunda explicação é a original é indicada por outros detalhes. Na maioria das versões, o sacrifício é consumido de alguma forma, sendo que comer é uma forma comum de identificação. Compare, por exemplo, com o sacrifício do cavalo mencionado por Gerald of Wales (102), no qual um rei sendo consagrado deve comer da carne e beber do caldo de uma égua sacrificada.

Um interessante detalhe secundário é a plataforma de madeira, que aparece na Irlanda, Gales, no Irã, e possivelmente na Islândia. Este pode ser um instrumento liminar – o profeta é levantado, mas não muito alto, colocando-o nem totalmente no chão e nem realmente no ar.

O(s) ser(es) para o qual é feito o sacrifício é raramente mencionado. Na Eneida e nos Fasti é para Faunus (e Sono), no Chandogya Upanixade é para Savitr, e no Arda Wiraz Namag a oferenda é feita para as almas que já partiram.

A natureza pública é um importante elemento identificador do ritual. Pode ser para determinar o próximo rei, para encontrar provas para o Zoroastrismo, ou determinar o significado dos presságios. A natureza pública pode ser indicada no exemplo escocês, pelo fato do profeta ser primeiro enrolado no couro cru para depois ser carregado para o local da divinação. Já o ritual descrito no Chandogya Upanixade não é público, o que pode ser facilmente explicado pelo fato de um dos maiores objetivos do Hinduísmo Upanixade ser a interiorização do sacrifício, alterando-o de performance pública para misticismo individual.

Os seres que dão as visões são mais frequentemente citados. Em uma versão irlandesa, são demônios, na escocesa são “amigos invisíveis”, na islandesa as visões vem do demônio. As versões irlandesa e islandesa são obviamente cristianizadas, e a fonte dada para as visões indica que o ritual não era considerado devidamente cristão. Na Eneida a revelação procede de deuses e mortos, no Chandogya Upanixade de uma mulher, e no Arda Wiraz Namag das almas dos mortos. A visão de Rhonabwy é sobre a corte do Rei Arthur, e portanto, sobre o passado.

Pretende-se então que o conhecimento solicitado venha dos mortos. Isto está claro na Eneida (não apenas os mortos aparecem a Latinus, como Faunus é seu pai) e no Arda Wiraz Namag, e implícito em "Rhonabwy." Uma vez que Savitr é o deus do sol quando ele não está no céu, pode estar implícito da mesma forma no Chandogya Upanixade; ele vem do inferno. Além disso, a visão Upanixádica não é de um ser divino, mas de uma humana,; i. e., uma mortal.

Antes de finalizar este artigo, eu gostaria de discutir algumas questões paralelas. A primeira envolve a natureza do deus gaulês Ogmios. Palmer (1974, 164) assegura que a identificação de Ogmios com Hércules se deve à representação do deus vestindo a pele de um animal sacrificial, que fora confundida com a pele de um leão com a qual Hércules era usualmente retratado vestindo. Gostaria de sugerir que esta era exatamente a pele usada em algum tipo de ritual oracular o qual estive discutindo. Isto caberia melhor com outras descrições clássicas de Ogmios e sua usual comparação com o Oghma irlandês, mais do que vê-lo como o Hércules gaulês. Se Brunaux está certo (1988, 72) em descrevê-lo como um deus que carrega os mortos, o ritual divinatório aqui discutido torna-se ainda mais apropriado a ele.

Um paralelo não-divinatório interessante traz um elemento do funeral Védico como mostrado no Asvalayana Grhya Sutra 4.3.20-27 (em Panikkar, 1977, p. 606). Um bode ou vaca é sacrificado e seus pedaços são colocados sobre ou próximo às partes correspondentes do cadáver – coração sobre coração, membros sobre membros, etc. Por último, o corpo é coberto com a pele do animal.
Este é claramente um exemplo para igualar a pessoa morta ao sacrifício. Isto, entretanto, torna tudo mais interessante. O homem morto, coberto com a pele do sacrifício, é transportado para a terra dos mortos. Provavelmente ele está no topo de uma pira crematória. Será esta última a fonte da plataforma elevada? Poderia o ritual divinatório ao todo ser uma tentativa de ir à terra dos mortos da mesma forma como os mortos vão?

A possibilidade de uma conexão entre a divinação e o ritual fúnebre também é levantada pelo famoso funeral descrito por Ibn Fadlan (EC 921). Ele descreve um funeral entre os Rus, um povo germânico que vivia no que agora é a Rússia. As porções relevantes são sobre uma escrava que vai fazer companhia na morte a seu mestre, toma uma beberagem intoxicante sendo depois levantada sobre uma “armação de porta”, e contando aos que lá estão sobre o que ela vê na terra dos mortos. O homem morto é deitado em um navio, e após o restante do ritual ser executado o navio é incendiado. Uma vez que são necessários aproximadamente vinte e um metros quadrados de madeira para efetivamente cremar um corpo humano (Barber, 1990, 379-380), a menos que aceleradores tenham sido usados, uma pira deve ter sido erguida, ou em volta do navio ou dentro dele, fazendo uma plataforma para o homem morto.

Eu exponho experimentalmente a sugestão de que este funeral também pode ser um paralelo. Se for, os elementos foram separados. Não é o morto (obviamente) quem executa o ritual; seu papel é deitar em seu barco sobre uma pira, talvez um substituto para a plataforma do ritual de divinação. Recai para a escrava que está prestes a morrer para acompanhar seu mestre a função de tomar a bebida tóxica e observar a terra dos mortos. Este ritual, e o rito de divinação que estamos discutindo, usam o mesmo tipo de símbolos. Funerais são por si ritos liminares, e são fortes elementos de limiaridade do início ao fim das versões célticas e germânicas deste ritual. Ele pode ser executado em uma encruzilhada, ou cerveja nova pode ser consumida, ou é especificado que o couro cru deve ser de um animal morto recentemente, e existe a plataforma mencionada anteriormente. Estes tendem a faltar nas outras tradições, e mesmo em alguns exemplos célticos e germânicos, o que me leva a crer que, enquanto a limiaridade não era um elemento crucial do rito original, ou era uma parte dele, ou ele migrou para uma forma ritual a partir de um outro (ritual).

Qualquer que seja a origem do ritual, a clara presença à parte, entretanto de forma completa em ambas as fontes irlandesas e na esfera indo-iraniana, assim como a semelhança entre os pontos, indica uma herança Indo-Européia em comum. O profeta, em identificação com o animal morto, vai para onde ele vai, para os ancestrais. E deles o profeta adquire conhecimento para beneficiar a comunidade.


Tarb Feis
Vida de S. Berach
Sonho de Rhonabwy
Aeneid
Fasti
Arda Wiraz Namag
Chandogya
Upanisad
Público
X
X
(X)


X

Animal sacrificado
Touro
Touro

Carneiro
Carneiro
(Dron)
(Ghee)
Divinador come a carne
X

(X)


(Dron)

Bebida especial
X
X
(X)


X
X
Sacerdotes
X
X



X

Prece
X
X

X
X
X
X
Sobre ou em peles

X
X
X
X
(X)
X
Plataforma

X
X


X

Sonhos
X

X
X
X
X
X
Visões de mortos


X
X
(X)
X
X
Seres do ritual dirigido



Faunus (pai do divinador), Sono
Faunus, Sono
Mortos
Savitr


Referências:

Athanassiadi, Polymnia. Dreams, Theurgy and Freelance Divination: The testimony of Iamblichus. Journal of Roman Studies 82 (1993), 115-130.

Barber, Paul T. Cremation. Journal of Indo-European Studies 18: 3&4 (Fall/Winter, 1990), pp. 379-388.

Brunaux, Jean Louis. The Celtic Gauls: Gods, Rites, and Sanctuaries. tr. Daphne Nash. London: B. A. Seaby, 1988 (1987).

Buchholz, Peter. The Devil's Deception: Pagan Scandinavian Witchcraft in Medieval Christian Perspective. Mankind Quarterly 27:3 (Spring, 1987), pp. 317-326.

Carson, J. Angela. The Structure and Meaning of The Dream of Rhonabwy. Philological Quarterly 53:2 (Apr., 1971), pp.289-303.

Chadwick, Nora K. Imbas Forosnai. Scottish Gaelic Studies 4:4 (Nov., 1935), pp. 97-135.

Danielou, Alain. The Myths and Gods of India. Rochester, VT: Inner Traditions International, 1991.

Davidson, H. R. Ellis. Myths and Symbols in Pagan Europe: Early Scandinavian and Celtic Religions. Syracuse, New York: Syracuse University Press, 1988.

Flattery, David Stophlet, and Schwartz, Martin. Haoma and Harmaline: The Botanical Identity of the Indo-Iranian Sacred Hallucinogen "Soma" and its Legacy in Religion, Language, and Middle Eastern Folklore. Berkeley, CA: University of California Press, 1989.

Ford, Patrick K. (ed. and trans.) The Mabinogi and Other Medieval Welsh Tales. Berkeley, CA: University of California Press, 1977.

Gantz, Jeffrey. Early Irish Myths and Sagas. Harmondsworth, UK:        Penguin Books, 1981.

Gerald of Wales (Giraldus Cambrensis). The History and Topography of Ireland. tr. John O'Meara. Harmondsworth, UK: Penguin Books, 1982 (1951).

Hume, Robert Ernest (ed. and trans.). The Thirteen Principal Upanishads. London: Oxford University Press, 1931.

Ibn Fadlan. ed. and tr. James. E. Montgomery. http://www.uib.no/jais/v003ht/03-001-025Montgom1.htm

Jamaspasa, Kaikhusroo M. On the Dron in Zoroastrianism. Acta Iranica 24 (Papers in Honour of Professor Mary Boyce) (1985), pp. 335-356.

MacCana, Proinsias. Conservation and Innovation in Early Celtic Literature. Etudes Celtique 13:1 (1972), pp. 61-119.

Nagy, Joseph Falaky. Liminality and Knowledge in Irish Tradition. Studia Celtica 16/17 (1981/1982), pp. 135-143.

Ovid. Fasti. Ed. and tr. James George Frazer. London: MacMillan and Co., 1929.

Palmer, Robert E. A. Roman Religion and Roman Empire: Five Essays. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1974.

Panikkar, Raimundo. The Vedic Experience: Mantramanjari. Berkeley, CA: University of California Press, 1977.

Plummer, Charles (ed. and tr.). Bethada Naem nErenn: Lives of Irish Saints (vol. II). ed. Oxford: Clarendon Press, 1922.

Puhvel, Martin. The Mystery of the Cross-Roads. Folklore 87:2 (1976), pp. 167-177.

Vergil. The Aeneid of Vergil. tr. Allen Mandelbaum. New York: Bantam Books, 1981.

Original em inglês por Ceisiwr Serith:  http://ceisiwrserith.com/ritual/theory/divination.htm
Tradução: Renata Gueiros




Fonte: https://sites.google.com/site/brasilkeltia/druidismo-reconstrucionismo-celta/a-procura-da-sabedoria-dos-ancestrais-uma-forma-de-divinacao-indo-europeia

23/05/2010

OS DRUIDAS/DRUIDISMO

























Quem foram os druidas?

Os druidas não são um povo. Não são uma raça, muito menos uma classe de sacerdotes.
Druida é um título máximo de uma Escola de Mistérios que, na antigüidade, formava líderes para toda a comunidade celta.
Essas escolas localizavam-se em território celta, onde todo celta podia ser um druida, mas nem todo druida era celta.

Como surgiu a primeira Escola Druida?
Segundo as lendas celtas, uma raça chamada TUATADEDANAN veio dos céus em navios através das nuvens e libertou a raça humana que estava sob o julgo dos FOMOIRÉS. Após expulsarem os FOMOIRÉS da Terra, fundaram a Primeira Escola Druida. O Império Romano fechou as Escolas Druidas por acreditarem ser elas fortes resistências contra este poderoso império.
E ao contrário do que dizem, a Inquisição nunca foi contra o Druidismo.
Algumas religiões incorporam parte do conhecimento druida aos seus preceitos.

O Que é Druidismo?
"Deixemos de lado os argumentos morais, complicados e subjetivos, e passemos aos assuntos objetivos e coerentes de nossa linha lógica de pensar que tão bem nos diferem..."
DRUIDISMO é um movimento filosófico que tem por base todo o conhecimento druida.
Essa palavra, em gaélico, quer dizer “ sábios do carvalho”.
Os druidas formavam um grupo seleto de pesquisadores e buscadores da Verdade que se reuniam não em bosques, em baixo de árvores, ou dentro de cavernas escuras, úmidas e frias, como querem algumas mentes pouco inteligentes e muito imaginativas.
O grande problema é que aqueles que geralmente dizem "conhecer" o ensinamento druídico não se deram ao trabalho de pesquisar a fundo as obras que foram escritas a respeito deles, na verdade, não estamos falando de um povo imaginário ou lendário, que viveu em uma terra mística ou lendária, mas de um grupo real, documentado e contemporâneo aos primeiros historiadores, que os viram, tocaram e falaram com eles, portanto é muito mais difícil que inventar, por isso é muito raro encontrar obras sérias contendo as suas histórias, lendas e rituais secretos.
Os druidas se reuniam em Colégios onde desenvolviam e preservavam conhecimentos que herdaram de uma raça anterior a nossa e muito mais avançada, que possuíam o controle total do que hoje chamamos infantilmente de Energia Telúrica, e preservado pelos orientais com o nome de Feng Shui, além de compreender o poder dos elementos, e teria dito Aristóteles, mentor de Alexandre, o Grande:
- "Se pudesse escolher meus exércitos. eles seriam as pedras, os ventos, o fogo os mares..."

E eles dominavam claramente estas forças da natureza não por aprendizado próprio, mas por herança, e isto não é lenda, os romanos e gregos registraram seu poder.
Caius Julius Caesar, ou Júlio César, se deu ao trabalho de registrar a história de sua guerra para conquistar a Gália (Portugal, Espanha, França, Holanda; norte da Itália, Romênia) e Bretanha (Inglaterra, Irlanda, Escócia), em sua obra Comentários, nela ele conta que após várias derrotas em suas batalhas, percebeu que haviam os druidas guerreiros, onde o termo druidesa não cabe, já que após um rito específico haveria a perda de polaridade, então seria "o druida" ou "a druida", e entre estes estrategistas havia mulheres, que oficiavam ritos, conheciam e controlavam as RUNAS, guerreavam e comandavam tribos; como é o caso de Beodica, que além de rainha, era druida, e de Morgana, que chegou ao cargo de Merlin da Bretanha, em circunstâncias especiais, estes foram os estopins para a guerra entre o Império Romano expansionista patriarcal e a Céltica, um Império Dual, com igualdade de sexos, e que se expande através do conhecimento, da ordem e justiça social, como veremos, pois isso é dito não por fantasia ou outras formas fantásticas de informações comuns hoje em dia, mas de registros históricos públicos e testemunhas.
Em primeiro lugar as diferenças:
O povo celtas eram os habitantes das áreas acima mencionadas mais a região Nórdica (Islândia, Noruega, Dinamarca, Finlândia e Suécia), eram segundo os romanos um povo guerreiro por natureza e segundo os gregos eles não possuíam escravos, fato impar naquela época e não haviam analfabetos, por que?
Por causa dos Druidas que eram os membros do Colégio, que eram Juizes, engenheiros, médicos professores, generais e etc...
O problema maior para os romanos foi o grau de sigilo da Ordem, e como eles conseguiam derrotar as legiões romanas?
César registrou:
"...E existe um grupo de druidas que observavam e comandavam a batalha, então um grupo especial tinha a missão de matá-los, mas ao se aproximar para golpear, eles olhavam nos olhos do agressor e não diziam nada e caiam no chão sem reagir e sem expressar qualquer medo perante a morte, pois possuíam a concepção de que se encontrariam em outra vida...", tal era a certeza da reencarnação e em um conceito mais avançado conhecido como metempsicose.
As druidas deram trabalho aos romanos, pois além de guerreiras, que deram fama as Amazonas, que é um outro ramo de guerreiras-sacerdote, após a vitória Romana, criaram as Cones, e fizeram um ramo secreto conhecido como Wicca, não estes grupos de desequilibradas que não entram em igrejas e tem medo de água benta e aliás basta ver o filme real e sem fantasias "As Bruxas de Salem", que mostra que estas paranóicas nada tem a ver com as heroínas seguidoras da verdadeira Força Ying, chamada por elas de A Deusa.
E são consideradas heroínas, em segredo, e um dos motivos seria o seguinte: na Segunda Guerra elas ajudaram a impedir a invasão da Inglaterra pelos alemães, os fatos narrados pertencem a arquivos não oficiais: "...E então elas se reuniram com sua rainha em sua ilha..., localizada na Inglaterra e nas vésperas da ofensiva contra a grande Ilha, como elas a chamam, formaram um círculo com o número necessário de irmãs, e durante treze dias formaram uma força conhecida como egrégora através do cântico, cada uma não podendo largar a mão da outra, sem poder sair do círculo, para nada, as mais idosas e as menos capazes, caíam uma a uma e a medida que o círculo abria elas imediatamente davam as mãos para fechar, e uma disse: Perdemos muitas irmãs naqueles dias, mas continuaremos sempre a necessidade assim o exigir..."
Uma formula druida de limpeza de ambiente que não põe em perigo quem o faz, sem qualquer conhecimento ou verdadeira iniciação, é a seguinte:
"Para os casos de fraquezas, desânimos, depressões, choro, pesadelos: Pegue oito espinhos de rosas vermelhas e os coloque dentro de seu perfume, então o borrife nos lugares que você queira purificar e atrair superiores presenças equilibradoras. A formula falada é: Um espinho quando espeta Surpreende quem não sabia, Ele não só provoca dor, Ele também conduz a magia E em nome dessa magia Eu digo ao espinho: "que assim seja; e assim se faça" Esta é a fórmula falada para estes casos, mas porque o espinho? E porque deve ser o perfume de seu uso pessoal? Será que cada essência de magia possui uma formula falada diferente?

Como está o Druidismo no século XXI?
Atualmente existe um movimento de reacender a chama druídica nos países de Língua Portuguesa. No mundo moderno as pessoas estão procurando fontes de real conhecimento no sentido de atingirem uma melhor qualidade de vida para si e para o seu próximo. A proposta é promover o acesso à misteriosa sabedoria druida para então aplicá-la ao dia-a-dia. É preciso levar em consideração que a realidade de hoje é completamente diferente da realidade das antigas Escolas Druidas.
Por exemplo, convivemos hoje com o barulho das grandes metrópoles e isso não pode servir de empecilho a práticas de meditação. Como posso, em plena cidade grande, isolar-me do barulho para meditar? Precisamos aceitar nossa realidade moderna e saber incorporar os antigos preceitos druidas ao nosso atual estilo de vida.
A essência do Druidismo, crenças e seus conceitos principais permanecem estáveis até os dias de hoje.
A arte do Druidismo contemporâneo pode ser muito diferente dos druidas históricos, pelo fato de vivemos em outros tempos, com outras necessidades.
Ao contrário de religiões que têm como base textos sagrados dogmáticos, o druidismo não fica limitado a escrituras ou leis.
E com o passar dos séculos hoje é mais que uma religião é um modo de vida onde significativa a capacidade de satisfazer os anseios de quem segue este caminho, cuja natureza é à base da inspiração.
Um Druida segue as estações do ano, e o ciclo da Natureza.
Um Druida não segue regras como qualquer religião, pois tudo é baseado na naturalidade e no amor que a natureza perfeita criou, seus rituais não devem ser escritos, mais sim sentidos no fundo de nossas almas e conectado ao universo com a inspiração que é denominada como magia. O mistério de um Druida é a conexão da alma com a Natureza, outra pessoa, o mundo em que vive, seu trabalho, seu alimento, seus desejos mais intensos.
Tudo emana energia e nossa alma é energia.
Toda energia é sagrada e deve ser respeitada e honrada, assim como todas as formas de vida sem exceção.
O Druidismo é a forma de amor e contato com a verdadeira criação do ser humano: A natureza.
Seus templos eram as clareiras nos bosques sagrados e sua inspiração era a beleza do universo. Hoje, o maior papel de um Druida é transformar e interagir com o mundo para que ele seja um lugar mais equilibrado, mais puro e respeitado como qualquer um antigo sábio do carvalho cuidaria de seu mundo, seu lar na natureza, e sua conexão com o conhecimento e a cura para um planeta cansado de sofrer.






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