01/08/2010

AS PITONISAS E O TEMPLO DE APOLO

Pitonisa Profetisando sob o efeito do gás tóxicoO templo de Apolo, incrustado na fascinante paisagem montanhosa de Delfos, abrigava o poderoso oráculo e era o mais importante local religioso do antigo mundo grego. Os generais buscavam conselhos do oráculo a respeito de estratégias de guerra. Os colonizadores procuravarn orientação antes de suas expedições para Italia, Espanha e Africa. Os cidadãos consultavarn-no sôbre investimentos e problemas de saúde. As recomendações do oráculo emergiarn de forma notavel nos mitos.

Quando Orestes perguntou-lhe se deveria vingar a morte de seu pai, assassinado por sua mãe, foi encorajado. Edipo, avisado de que mataria o pai e se casaria corn a m ãe, esforçou-se para evitar este destino, mas fracassou de forma célebre.

O Oráculo de Delfos funcionava numa área específica, o ádito ou “área proibida”, no núcleo do templo, e por meio de uma pessoa específica, a pitonisa, escolhida para falar em nome de Apolo, o deus da profecia. A pitonisa era mulher, algo surpreendente se levarmos em conta a misoginia grega. E, contrastando com a maioria dos sacerdotes e sacerdotisas gregos, a pitonisa não herdava sua posição pela nobreza de seus vínculos familiares. Embora devesse ser natural de Delfos, podia ser velha ou jovem, rica ou pobre, bem-educada ou analfabeta. Ela passava por um longo e intenso período de treinamento, assistida por uma congregação de mulheres de Delfos, que zelavam pelo perpétuo fogo sagrado do templo.

A tradição atribuía a inspiração profética do poderoso oráculo a fenômenos geológicos: uma fenda na terra, um vapor que subia dela e uma fonte de água. Há mais ou menos um século, os estudiosos rejeitaram esta explicação quando os arqueólogos, escavando o local, não encontraram qualquer sinal de fenda ou gases. Mas o antigo testemunho está bastante difundido e provém de várias fontes: historiadores como Plínio e Diodoro, filósofos como Platão, o dramaturgo Esquilo e o orador Cicero, o geógrafo Estrabão, o escritor e viajante Pausânias e ate mesmo um sacerdote de Apolo que serviu em Delfos, o famoso ensaísta e biografo Plutarco. Estrabão (64 a.e.c.- 25 d.e.c.) escreveu: “Eles dizem que a sede do oraculo é uma profunda gruta oculta na terra, com uma estreita abertura por onde sobe um pneuma [gás, vapor, respiração, daí as nossas palavras ‘pneumático’ e ‘pneumonia’] que produz a possessão divina. Uma tripode é colocada em cima desta fenda e, sentada nele, a pitonisa inala o vapor e profetiza”. Era o treinamento prévio e a purificaçao (que incluía, certarnente, a abstinência sexual e, possivelmente, o jejum) da mulher escolhida que a tornavam sensível a exposição ao pneuma.

A Fenda do Oráculo

Uma pessoa comum poderia sentir o cheiro do gás sem entrar em transe oracular Plutarco tambérn relatou algumas características físicas do pneuma. Seu cheiro assemelhava-se ao de um delicado perfume. Era emitido, Como se viesse de uma fonte”, no ádito em que a pitonisa estava acomodada, mas os sacerdotes e as pessoas que iam consultá-la podiam, em algumas ocasiões, sentir o aroma na antecâmara onde aguardavam as respostas.

O pneuma podia surgir como um gás livre, ou na água. Na época de Plutarco, a emissão tornara-se fraca e irregular, o que causara, em sua opinião, o enfraquecirnento da influência do oráculo de Delfos nos assuntos do mundo. Ele sugeriu que a essência vital esgotara-se, ou que intensas chuvas a diluíram. Ou, ainda, que um terremoto havia mais de quatro séculos bloqueara, em parte, esse escoamento Talvez, considerou, o vapor tivesse encontrado uma nova passagem. As teórias de Plutarco sobre a redução da emissão deixam claro que ele localizava sua origem numa rocha abaixo do templo.

Nas amostras foram encontrados produtos da decomposição do etileno, que poderia ser o aroma agradável descrito por Plutarco

Plutarco e outras fontes assinalam que, durante as sessões normais, a mulher que servia como pitonisa entrava em um transe suave. Ela era capaz de sentar-se aprumada na tripode e com voz alterada, cantar, as respostas, permitindo-se jogos de palavras e trocadilhos. Após a sessão, segundo Plutarco, ela se parecia com um corredor após uma maratona, ou uma dançarina ao final de uma dança extática. Em uma ocasião, que ou o próprio Plutarco ou um de seus colegas testemunharam, as autoridades do templo forçaram a pitonisa a profetizar em um dia não propício, para agradar os membros de uma importante comitiva. Relutante, ela se dlirigiu para o ádito subterraneo e foi imediatamente tomada por um espírito poderoso e maligno. Nesse estado de possessão, em vez de falar ou cantar como fazia, gemeu e gritou, jogou-se violentamente ao chão e precipitou-se em direção as portas, onde desmaiou. Os sacerdotes e as pessoas que a consultavarn, assustados, inicialmente fugiram. Mas voltaram mais tarde e a recolheram. Alguns dias depois ela morreu.

Gerações de estudiosos aceitaram essas explicações. Mas, por volta de 1900, um jovern especialista em temas do mundo clássico, o inglés Adolphe Paul Oppé, visitou as escavações conduzidas por arqueólogos franceses em Delfos. Não encontrou qualquer fenda, nem conseguiu obter informação sobre gases, publicando am artigo com três teses críticas. Em primeiro lugar nenhuma fenda ou emissão gasosa jamais existira no templo em Delfos. Em segundo, ainda que tivesse existido, nenhum gás natural poderia produzir um estado que se assemelhasse a uma possessão espiritual. Em terceiro, o relato de Plutarco sobre a pitonisa que passara por um violento frenesi, e morrera logo depois, era inconsistente com a descrição costumeira de uma pitonisa sentada em uma trípode, cantando as suas profecias. Oppé concluiu que todo o antigo testemunho podia ser invalidado.

Um apoio adicional para a teoria de Oppé surgiu em 1950, quando o arqueólogo francês Pierre Arnandry acrescentou que apenas uma area vulcânica, algo que Delfos não era, poderia ter produzido um gás como aquele descrito pelos autores clássicos. O caso parecia encerrado. A tradição original dos autores gregos e latinos sobrevivia somente nos livros populares e nas palavras dos guias locais. Mas a situação mudou nos anos 80, quando um projeto das Nações Unidas realizou uma pesquisa na Grécia sobre as falhas ativas (aquelas ao longo das quais terremotos foram gerados durante a uma centena de anos). Na ocasião, foram observadas superfícies de falhas expostas a leste e oeste do santuário — e que marcariam a linha de uma falha que corria ao longo do oraculo. Não se deu maior importância ao achado. So mais de dez anos depois foi formada uma equipe para explorar melhor o local.

Durante a primeira pesquisa de campo, em 1996, foram realizadas investigações geológicas e examinadas as fundações do templo, expostas pelos arqueólogos franceses. O templo apresentava algumas características anómalas que exigiam uma interpretação especial de suas funções, mesmo que os relatos de Plutarco e outros não tivessem sido preservados. Em primeiro lugar, a parte interna do santuário é mais baixa, situando-se entre 2 e 4 metros abaixo do nível do solo circundante. Em segundo lugar, é assimétrica: uma interrupção na coluna interna alojava uma estrutura hoje desaparecida. Em terceiro lugar, construída diretamente sobre as fundações da area interrompida, há um elaborado escoadouro para água de fonte, junto com outras passagens subterrâneas. Assim, o templo de Apolo parecia planejado mais para conter um pedaço particular de terreno que incluía uma fonte do que para proporcionar, conforme a função normal de um templo, uma morada a imagern do deus.

Templo de Apolo em Delfos nos dias atuais

Durante esta primeira exploracão, foi localizada a linha leste-oeste da falha principal, chamada de falha de Delfos, que havia sido observada anteriormente. Mais tarde, descobriu-se a superfície exposta de uma segunda falha em uma ribanceira acima do templo. Essa segunda linha, denominada de falha de Kerna, ia do noroeste para o sudeste, cruzando a falha de Delfos no local do oráculo. Uma linha de fontes que atravessava o santuário e cruzava o templo marcava a localização da falha de Kerna abaixo da antiga plataforma e das ruínas de pedras.

Neste mesmo ano, a equipe arqueológica e geológica de Michael D. Higgins e Reynold Higgins (pai e fllho) publicou um livro sugerindo que essa era a pista certa. Em seu Geological companion to Greece and the Aegean, assinalam que a linha de fontes sugeria de fato a presença de uma “falha abrupta” indo de noroeste para sudeste através do santuário. Eles apontavarn também que não havia nenhuma razão geológica para rejeitar a antiga tradição. Higgins e Higgins teorizararn que gás emitido poderia conter dióxido de carbono. Na década anterior, outra equipe cientifica detectara uma ernissão semelhante em outro templo de Apolo, em Hierapolis (autal Parnukkale) na Asia Menor (atualTurquia e sede de ruínas de várias e extensas cidades gregas). Seguindo a pista de Estrabão, os pesquisadores modernos descobriram que o templo de Apolo em Hierapolis fora deliberadanente construído sobre uma abertura de gases tóxicos que, após concluído o templo, emergiam a partir de uma gruta nas fundações da construção. O remplo em Hierapolis não era um lugar de profecia e o dióxido de carbono não era exatarnente um tóxico inebriante, utilizado, isso sim, para tirar a vida dos animais destinados aos sacrifócios, de pássaros a touros. Ainda hoje o gás, emitido irregularmente, mata os pássaros que pousam sobre a cerca de arame farpado construída para manter as pessoas afastadas.

Outros templos de Apolo na Turquia, entretanto, eram oraculares e foram construídos sobre fontes ativas, como os templos em Didyma e Claros. Parecia surgir assim uma conexão evidente entre os templos de Apolo e os locais de atividade geológica.

Embora as falhas recém-descobertas em Delfos indicassem que os gases e a água da fonte pudessem ter alcançado a superficie através das rachaduras, abaixo do templo criadas pelas falhas, não explicavam a produção dos próprios gases. De Boer, entretanto, observara depósitos de travercino, fluxos de calcita, depositados pela água da fonte, revestindo os declives acima do templo e até mesmo um antigo muro de arrimo. Esses fluxos sugeriram a De Boer que a água subia, através de profundas camadas de pedra calcária, para a superficie, onde depositava mineralizações de calcita (um fenômeno observado também em Hierápolis, na Turquia). Um exame dos estudos geológicos gregos sobre o monte Parnaso revelou que havia, entre as formações rochosas cretáceas nas proximidades do templo, camadas de calcário betuminoso que continham a elevada taxa de 20% de uma matéria petroquímica.

De Boer percebeu que um sistema tornava forma. As falhas, que estavam bem evidentes nas inclinações salientes do monte Parnaso, atravessavam o calcário betuminoso. O movimento ao longo das falhas criava a fricção que aquecia o calcário até o ponto em que as substâncias petroquimicas vaporizavam. Estas subiam então ao longo da falha junto com a água da fonte, especialmente nos pontos em que o falhamento cruzado tornava a rocha mais permeável.

Estado de Inconsciência - Com o passar do tempo, a obstrução dos espaços no interior da falha pelas crostas de calcita causava a diminuição das emissões de gás, que eram restabelecidas após um novo deslizamento tectônico.

O raciocínio de De Boer parecia de acordo com as descobertas dos arqueólogos franceses no início do século XX, que haviam finalmente alcançado o leito de rocha sob o ádito poucos anos após a publicaçäo do artigo de Oppé. Abaixo de um extrato de argila marrom, eles encontraram a rocha que tinha uma “fissura provocada pela acão das águas. Acredita-se que essas fissuras foram criadas mais pelas falhas e deslocamentos que pela água, embora elas possam ter sido, com o tempo, ampliadas pela água subterrânea; em tentativas anteriores de alcançar o leito de rocha, os arqueólogos franceses observaram que as cavidades permaneciam cheias de água.

Acreditamos ainda que a rachadura visível no ádito possa ter sido uma fissura que se estendeu pela camada de argila acima do leito de rocha atravessado pela falha. Foram então colhidas amostras da fonte de Delfos, bem como amostras da rocha de calcário depositada pelas antigas fontes, onde foram encontrados metano e etano, produto da decomposição do etileno. A análise posterior de amostras da fonte de Kerna, no local do oráculo, revelou a presença de metano, etano e etileno. Como o etileno apresentava um aroma agradável, a presença deste gás parecia apoiar a descrição de Plutarco de um gás cujo cheiro se assemelhava ao de um sofisticado perfume.

Para ajudar a interpretar os possíveis efeitos que tais gases produziriam em pessoas alojadas em um espaço restrito como o ádito, o toxicólogo Henry Spiller integrou o projeto. Seu trabalho com adolescentes usuários de drogas que ficavam agitados ao inalar substâncias como cola e tiner, muitas das quais contém gases leves de hidrocarboneto, revelava uma série de paralelos com o relato do estado de transe experimentado pela pitonisa. Spiller descobriu ainda outros paralelos nos experimentos sobre as propriedades anestésicas do etileno realizados há 50 anos por Isabella Herb, pioneira americana em anestesia. Ela descobriu que uma mistura com 20% de etileno produzia um estado de inconsciência e que concentrações mais baixas induziam um estado de transe. Na maioria dos casos, o transe era benigno: o paciente permanecia consciente, era capaz de se sentar e de responder a perguntas, experimentava sensações físicas e euforia e tinha amnesia após retirado o gas. Ocasionalmente, porém, Herb observou reações violentas: o paciente emitia gritos enfurecidos e incoerentes e realizava movimentos descontrolados. Se o paciente tivesse vomitado durante este estado de exaltação, e parte do vômito penetrado em seus pulmões, a consequência seria, inevitavelmente, pneumonia e morte. Assim, a inalação do etileno poderia explicar as várias descrições dadas aos efeitos do pneuma em Delfos: seu aroma agradável e as diversas influências exercidas sobre as pessoas, inclusive o seu potencial letal.

Jápeto, Prometeu e Pandora - O mito de Prometeu e o elemento Fogo (MITO, ASTROLOGIA E PSICANÁLISE)

Jápeto, esposo da oceanide Clímene e pai de Prometeu (ancestral da raça humana)

Segundo a tradição de Hesíodo, Jápeto ou Iápeto era um dos 12 Titãs clássicos filhos de Gaia e Urano.[1]

Jápeto e seus irmãos, liderados por Cronos, conspiraram contra seu pai Urano, preparando-lhe uma emboscada quando desceu para se deitar com a Terra. Crios, Coios, Hipérion e Jápeto se puseram nos quatro cantos do mundo para segurar o deus do céu enquanto Cronos, escondido no centro, o castrava com uma foice, nesse mito, Jápeto e os três irmãos representam os quatro pilares cósmicos que nas cosmogonias do Oriente Médio separam o céu e a terra. Jápeto era o pilar do oeste, posição depois ocupada por seu filho Atlas.

A castração de Urano: afresco por Giorgio Vasari e Cristofano Gherardi, c.1560 (Sala di Cosimo I, Palazzo Vecchio)

Jápeto, "o perfurador" pode também ter sido visto como o deus-titã do tempo de vida humano e da mortalidade, principalmente da morte violenta e também está associado à habilidade artesanal.

Jápeto desposou Clímene, filha de Oceano e Tétis. Clímene gerou filhos de Jápeto:

  • Prometeu "o que pensa antes", um dos titãs que apoiaram Zeus contra Cronos, criador dos homens. Doador do fogo à humanidade, e por isso condenado a ficar acorrentado por toda a eternidade, com uma águia a lhe comer o fígado diariamente;
  • Epimeteu "o que pensa depois", criou os animais e homens com seu irmão Prometeu, recebeu Pandora como esposa, e abriu a caixa que espalhou os males no mundo;
  • Atlas "o que suporta", titã que apoiou Cronos, e foi punido por Zeus à suportar o céu nas costas;
  • Menecéio "aquele que é vanglorioso".

Teogonia (em grego, Θεογονία [theos, deus + genea, origem] - THEOGONIA, na transliteração) é um conjunto de deidades que formam a mitologia de um povo. É também considerada doutrina sobre a origem dos deuses e, quase sempre, a origem do mundo.

Teogonia de Hesíodo

Também conhecida por Genealogia dos Deuses, é um poema mitológico de Hesíodo (séc. VIII a.C.). Trata da gênese dos deuses, descreve a origem do mundo, os reinados de Urano, Cronos e Zeus, e a união dos mortais aos deuses, desta forma nascendo os heróis mitológicos. As personagens representam aspectos básicos da natureza e do homem, expressando assim as idéias dos primeiros gregos sobre a constituição do universo.

fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teogonia


A figura trágica e rebelde de Prometeu, símbolo da humanidade, constitui um dos mitos gregos mais presentes na cultura ocidental.

Filho de Jápeto e Clímene - ou da nereida Ásia ou ainda de Têrmis, irmã de Cronos, segundo outras versões - Prometeu pertencia à estirpe dos Titãs, descendentes de Urano e Gaia e inimigos dos deuses olímpicos.

O poeta Hesíodo relatou, em sua Teogonia, como Prometeu roubou o fogo escondido no Olimpo para entregá-lo aos homens.

Fez do limo da terra um homem e roubou uma fagulha do fogo divino a fim de dar-lhe vida.

Para castigá-lo, Zeus enviou-lhe a bonita Pandora, portadora de uma caixa que, ao ser aberta, espalharia todos os males sobre a Terra.

Como Prometeu resistiu aos encantos da mensageira, Zeus o acorrentou a um penhasco, onde uma águia devorava diariamente seu fígado, que se reconstituía.

Lendas posteriores narram como Hércules matou a águia e libertou Prometeu.

Na Grécia, havia altares consagrados ao culto a Prometeu, sobretudo em Atenas.

Nas lampadofórias (festas das lâmpadas), reverenciavam-se ao mesmo tempo Prometeu, que roubara o fogo do céu, Hefesto, deus do fogo, e Atena, que tinha ensinado o homem a fazer o óleo de oliva.

A tragédia Prometeu acorrentado, de Ésquilo, foi a primeira a apresentá-lo como um rebelde contra a injustiça e a onipotência divina, imagem particularmente apreciada pelos poetas românticos, que viram nele a encarnação da liberdade humana, que leva o homem a enfrentar com orgulho seu destino.

Prometeu significa etimologicamente "o que é previdente".

O mito, além de sua repercussão literária e artística, tem também ressonância profunda entre os pensadores.

Simbolizaria o homem que, para beneficiar a humanidade, enfrenta o suplício inexorável; a grande luta das conquistas civilizadoras e da propagação de seus benefícios à custa de sacrifício e sofrimento.

Fonte: www.nomismatike.hpg.ig.com.br
Extraído de: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mitologia/prometeu.php

*****************************************
Prometeu e Pandora

A Criação do Mundo

A criação do mundo é um problema que, muito naturalmente, desperta a curiosidade do homem, seu habitante. Os antigos pagãos, que não dispunham, sobre o assunto, das informações que dispomos, procedentes das Escrituras, tinham sua própria versão sobre o acontecimento, que era o seguinte:

Antes de serem criados a terra, o mar e o céu, todas as coisas apresentavam um aspecto a que se dava o nome de Caos - uma informe e confusa massa, mero peso morto, no qual, contudo, jaziam latentes as sementes das coisas. A terra, o mar e o ar estavam todos misturados; assim, a terra não era sólida, o mar não era líquido e o ar não era transparente. Deus e a Natureza intervieram finalmente e puseram fim a essa discórdia, separando a terra do mar e o céu de ambos. Sendo a parte ígnea a mais leve, espalhou-se e formou o firmamento; o ar colocou-se em seguida, no que diz respeito ao peso e ao lugar. A terra, sendo a mais pesada, ficou para baixo, e a água ocupou o ponto inferior, fazendo flutuar a terra.

Nesse ponto, um deus - não se sabe qual - tratou de empregar seus bons ofícios para arranjar e dispor as coisas na terra. Determinou aos rios e lagos seus lugares, levantou montanhas, escavou vales, distribuiu os bosques, as fontes, os campos férteis e as áridas planícies, os peixes tomaram posse do mar, as aves do ar e os quadrúpedes da terra.

Tornara-se necessário, porém, um animal mais nobre, e foi feito o Homem. Não se sabe se o criador o fez de materiais divinos, ou se na terra, há tão pouco tempo separada do céu, ainda havia algumas sementes celestiais ocultas. Prometeu tomou um pouco dessa terra e, misturando-se com água, fez o homem à semelhança dos deuses. Deu-lhe o porte erecto, de maneira que, enquanto os outros animais têm o rosto voltado para baixo, olhando a terra, o homem levanta a cabeça para o céu e olha as estrelas.

Prometeu era um dos titãs, uma raça gigantesca, que habitou a terra antes do homem. Ele e seu irmão Epimeteu foram incumbidos de fazer o homem e assegurar-lhe, e aos outros animais, todas as faculdades necessárias à sua preservação. Epimeteu encarregou-se da obra e Prometeu de examiná-la, depois de pronta. Assim, Epimeteu tratou de atribuir a cada animal seus dons variados, de coragem, força, rapidez, sagacidade; asas a um, garras a outro, uma carapaça protegendo um terceiro, etc. Quando, porém, chegou a vez do homem, que tinha de ser superior a todos os outros animais, Epimeteu gastara seus recursos com tanta prodigalidade, que nada mais restava. Perplexo, recorreu a seu irmão Prometeu, que, com a ajuda de Minerva, subiu ao céu e acendeu sua tocha no carro do sol, trazendo o fogo para o homem. Com esse Dom, o homem assegurou sua superioridade sobre todos os outros animais. O fogo lhe forneceu o meio de construir as armas com que subjugou os animais e as ferramentas com que cultivou a terra; aquecer sua morada, de maneira a tornar-se relativamente independente do clima, e, finalmente, criar a arte da cunhagem das moedas, que ampliou e facilitou o comércio.

A Caixa de Pandora


A mulher não fora ainda criada. A versão (bem absurda) é que Júpiter a fez e enviou-a a Prometeu e seu irmão, para puni-los pela ousadia de furtar o fogo do céu, e ao homem, por tê-lo aceito.
A primeira mulher chamava-se Pandora. Foi feita no céu, e cada um dos deuses contribuiu com alguma coisa para aperfeiçoá-la. Vênus deu-lhe a beleza, Mercúrio a persuasão, Apolo a música, etc. Assim dotada, a mulher foi mandada à terra e oferecida a Epimeteu, que de boa vontade a aceitou, embora advertido pelo irmão para ter cuidado com Júpiter e seus presentes. Epimeteu tinha em sua casa uma caixa, na qual guardava certos artigos malignos, de que não se utilizara, ao preparar o homem para sua nova morada. Pandora foi tomada por intensa curiosidade de saber o que continha aquela caixa, e, certo dia, destampou-a para olhar. Assim, escapou e se espalhou por toda a parte uma multidão de pragas que atingiram o desgraçado homem, tais como a gota, o reumatismo e a cólica para o corpo, e a inveja, o despeito e a vingança para o espírito. Pandora apressou-se em colocar a tampa na caixa, mas, infelizmente, escapara todo o conteúdo da mesma, com exceção de uma única coisa, que ficara no fundo, e que era a esperança. Assim, sejam quais forem os males que nos ameacem, a esperança não nos deixa inteiramente; e, enquanto a tivermos nenhum mal nos torna inteiramente desgraçados.

Uma outra versão é de que Pandora foi mandada por Júpiter com boa intenção, a fim de agradar ao homem. O rei dos deuses entregou-lhe, como presente de casamento, uma caixa, em que cada deus colocara um bem. Pandora abriu a caixa, inadvertidamente, todos os bens escaparam, exceto a esperança. Essa versão é, sem dúvida, mais aceitável que a primeira. Realmente, como poderia a esperança, jóia tão preciosa, ter sido misturada a toda a sorte de males, como na primeira versão?


As Idades do Mundo

Estando, assim, povoado o mundo, seus primeiros tempos constituíram uma era de inocência e ventura, chamada a Idade de Ouro. Reinavam a verdade e a justiça, embora não impostas pela lei, e não havia juizes para ameaçar ou punir. As florestas ainda não tinham sido despojadas de suas árvores para fornecer madeira aos navios, nem os homens haviam construídos fortificações em torno de suas cidades. Espadas, lanças ou elmos eram objetos desconhecidos. A terra produzia tudo necessário para o homem, sem que esse se desse o trabalho de lavrar ou colher. Vicejava uma primavera perpétua, as flores cresciam sem sementes, as torrentes dos rios eram de leite e de vinho, o mel dourado escorria dos carvalhos.

Seguiu-se a Idade de Prata, inferior à de Ouro, porém melhor do que a de Cobre. Júpiter reduziu a primavera e dividiu o ano em estações. Pela primeira vez o homem teve que sofrer os rigores do calor e do frio, e tornaram-se necessária as casas. As primeiras moradas foram as cavernas, os abrigos das árvores frondosas e cabanas feitas de hastes. Tornou-se necessário plantar para colher. O agricultor teve de semear e de arar a terra, com ajuda do boi.

Veio, em seguida, a Idade de Bronze, já mais agitada e sob ameaça das armas, mas ainda não inteiramente má. A pior foi a Idade do Ferro. O crime irrompeu, como uma inundação; a modéstia, a verdade e a honra fugiram, deixando em seus lugares a fraude e a astúcia, a violência e a insaciável cobiça. Os marinheiros estenderam as velas ao vento e as árvores foram derrubadas nas montanhas para servir de quilhas dos navios e ultrajar a face do oceano. A terra, que até então fora cultivada em comum, começou a ser dividida entre os possuidores. Os homens não se contentaram com o que produzia a superfície: escavou-se a terra e tirou-se do seu seio os minérios e metais. Produziu-se o danoso ferro e o ainda mais danoso ouro. Surgiu a guerra, utilizando-se de um e de outro como armas; o hóspede não se sentia em segurança em casa de seu amigo; os genros e sogros, os irmãos e irmãs, os maridos e mulheres não podiam confiar uns nos outros. Os filhos desejavam a morte dos pais, a fim de lhe herdarem a riqueza; o amor familiar caiu prostrado. A terra ficou úmida de sangue, e os deuses a abandonaram, um a um, até que ficou somente Astréia (Deusa da inocência e da pureza. Depois de sair da terra, foi colocada entre as estrelas, onde se transformou na constelação Virgo. Era filha de Têmis (Justiça), representada com uma balança em que pesa as alegações das partes adversárias.), que, finalmente, acabou também partindo.

Vendo aquele estado de coisas, Júpiter indignou-se e convocou os deuses para um conselho. Todos obedeceram à convocação e tomaram o caminho do palácio do céu. Esse caminho pode ser visto por qualquer um nas noites claras, atravessando o céu, e é chamado a Via Láctea. Ao longo dele ficam os palácios dos deuses ilustres; a plebe celestial vive à parte, de um lado ou de outro.

Dirigindo-se à assembléia, Júpiter expôs as terríveis condições que reinavam na terra e encerrou as suas palavras anunciando a intenção de destruir todos os seus habitantes e fazer surgir uma nova raça, diferente da primeira, que seria mais digna de viver e saberia melhor cultuar os deuses. Assim dizendo, apoderou-se de um raio e já estava prestes a atirá-lo contra o mundo, destruindo-o pelo fogo, quando atentou para o perigo que o incêndio poderia acarretar para o próprio céu. Mudou, então, de idéia, e resolveu inundar a terra. O vento norte, que espalha as nuvens, foi encadeado; o vento sul foi solto e em breve cobriu todo o céu com escuridão profunda. As nuvens, empurradas em bloco, romperam-se com fragor; torrentes de chuva caíram; as plantações inundaram-se; o trabalho de um ano do lavrador pereceu em uma hora. Não satisfeito com suas próprias águas, Júpiter pediu a ajuda de seu irmão Netuno. Este soltou os rios e lançou-os sobre a terra. Ao mesmo tempo, sacudiu-a com um terremoto e lançou o refluxo do oceano sobre as praias. Rebanhos, animais, homens e casas foram engolidos e os templos, com seus recintos sacros, profanados. Todo edifício que permanecerá de pé foi submergido e suas torres ficaram abaixo das águas. Tudo se transformou em mar, num mar sem praias. Aqui e ali, um indivíduo refugia-se num cume e alguns poucos, em barcos, apoiam o remo no mesmo solo que ainda há pouco o arado sulcara. Os peixes nadam sobre os galhos de árvores; a âncora se prende num jardim. Onde recentemente os cordeirinhos brincavam, as focas cabriolam desajeitadamente. O lobo nada entre as ovelhas, os fulvos leões e os tigres lutam nas águas. A força do javali de nada lhe serve, nem a ligeireza do cervo. As aves tombam, cansadas, na água, não tendo encontrado terra onde pousar. Os seres vivos que a água poupara caem como presas da fome.

De todas as montanhas, apenas o Parnaso ultrapassa as águas. Ali, Deucalião e sua esposa Pirra, da raça de Prometeu, encontram refúgio - ele é um homem justo, ela uma devota fiel dos deuses. Vendo que não havia outro vivente além desse casal e lembrando-se de sua vida inofensiva e de sua conduta piedosa, Júpiter ordenou aos ventos do norte que afastassem as nuvens e mostrassem o céu à terra e a terra ao céu. Também Netuno ordenou a Tritão que soasse sua concha determinando a retirada das águas. As águas obedeceram; o mar voltou às suas costas e os rios aos seus leitos. Deucalião assim se dirigiu, então, a Pirra: "Ó esposa, única mulher sobrevivente, unida a mim primeiramente pelos laços do parentesco e do casamento, e agora por um perigo comum, pudéssemos nós possuir o poder de nosso antepassado Prometeu e renovar a raça, como ele fez, pela primeira vez! Como não podemos, porém, dirijamo-nos àquele templo e indaguemos dos deuses o que nos resta a fazer." Entraram num templo coberto de lama e aproximaram-se do altar, onde nenhum fogo crepitava. Prostraram-se na terra e rogaram à deusa que os esclarecesse sobre a maneira de se comportar naquela situação miserável.
"Saí do templo com a cabeça coberta e as vestes desatadas e atirai para trás os ossos de vossa mãe"
-respondeu o oráculo. Estas palavras foram ouvidas com assombro. Pirra foi a primeira a romper o silêncio: "Não podemos obedecer; não vamos nos atrever a profanar os restos de nossos pais." Seguiram pela fraca sombra do bosque, refletindo sobre o oráculo. Afinal, Deucalião falou:
"Se minha sagacidade não me ilude, poderemos obedecer a ordem sem cometermos qualquer impiedade. A Terra é a mãe comum de nós todos; as pedras são seus ossos; poderemos lançá-las para trás de nós; e creio ser isto que o oráculo quis dizer. Pelo menos, não fará mal tentar."
Os dois velaram o rosto, afrouxaram as vestes, apanharam as pedras e atiraram-nas para trás. As pedras (maravilha das maravilhas!) amoleceram e começaram a tomar forma. Pouco a pouco, foram assumindo uma grosseira semelhança com a forma humana, como um bloco ainda mal acabado nas mãos de um escultor. A umidade e o lodo que havia sobre elas transformaram-se em carne; a parte pétrea transformou-se nos ossos; as veias ou veios da pedra continuaram veias, conservando seu nome e apenas mudando sua utilidade. As pedras lançadas pelas mãos do homem tornaram-se homens, as lançadas pela mulher tornaram-se mulheres. Era uma raça forte e bem disposta para o trabalho como até hoje somos, mostrando bem a nossa origem.

Prometeu Forma o Homem

Japeto representa o antepassado da humanidade. Talvez seja preciso reconhecer, nessa personagem a que Gênesis dá por filho a Noé, Jafé, cujo nome personifica uma das grandes raças primitivas. Era considerado pelos gregos o tipo do que há de mais antigo e associa-se habitualmente a Saturno. Desposara Ásia, filha do Oceano, e teve vários filhos, entre outros Prometeu, Epimeteu e Atlas. O Titã Japeto não desempenha papel na mitologia; a sua importância vem da antigüidade que se lhe atribuía e que lhe dava o mesmo tempo que os mais antigos deuses.

Embora seja o Titã Japeto tido como antepassado da humanidade, parece que é a seu filho Prometeu que devemos a forma particular que nos distingue dos animais. "Prometeu, diz Ovídio, após destemperar um pouco de terra com água, formou o homem à semelhança dos deuses; e enquanto os outros animais têm a cabeça voltada para o chão, somente o homem a ergue para o céu, e olha para o céu." A fabricação do homem por Prometeu está representada em monumentos assaz numerosos, mas que pertencem na sua maioria a uma baixa época.

Em todas as representações antigas, Prometeu aparece como artesão que faz o homem materialmente, mas não como o deus que o anima. Esse papel cabe a Minerva (a Sabedoria divina): vários monumentos nos apresentam nitidamente a parte que cabe a cada um na criação da espécie humana.

As Duas Partes de Prometeu

Prometeu orgulhava-se do seu trabalho; e tendo surgido divergências entre os deuses e os homens primitivos, tomou ele o partido destes. As divergências, das quais Hesíodo não nos diz a causa, eram acertadas em Sicíona: Prometeu, desejando saber se Júpiter era verdadeiramente digno das honras divinas, excogitou um ardil para provar a sua clarividência. "Expôs aos olhos de todos, diz Hesíodo, um enorme boi. De um lado, encerrou na pele as carnes e os melhores pedaços, envolvendo-os com o ventre da vítima; do outro, dispôs com pérfida habilidade os ossos brancos que recobriu de gordura lustrosa. O pai dos deuses e dos homens disse-lhe, então: "Filho de Japeto, ó mais ilustre de todos os reis, amigo, com que desigualdade dividiste as partes!" Prometeu, sorrindo interiormente do ardil, rogou-lhe que escolhesse, e Júpiter, apoderando-se da parte mais pesada, só ali encontrou ossos."

O Fogo Arrebatado aos Homens

Júpiter, furioso por ter sido enganado, quis vingar-se dos homens, dos quais Prometeu é protetor, e roubou-lhes o fogo, sem o qual todo e qualquer trabalho é impossível. Mas Prometeu não se deu por vencido, e conseguiu roubar uma faísca do fogo do céu, que se apressou em levar aos homens. Dessa vez, Júpiter, vendo-se decididamente iludido pelo Titã, não conteve o ressentimento e resolveu punir simultaneamente os homens e o protetor. A grosseria dessa lenda é uma prova de sua grande antigüidade; no entanto, não deu origem a nenhuma representação plástica no período arcaico. Nas narrações dos poetas, o fogo estava contido numa folha e invisível a todos os olhos; pelo contrário, o oleiro mostra a chama a sair de um vasinho que o Titã segura com a mão.

Júpiter diz a Prometeu: "Filho de Japeto, rejubilas-te por haveres roubado o fogo divino e iludido a minha sabedoria; mas esse ato será fatal a ti e aos homens que hão de vir. Para vingar-me, enviar-lhes-ei um funesto presente que os enfeitiçará e fará com que amem o seu próprio flagelo." (Hesíodo).

Suplício e Libertação de Prometeu

Júpiter revelou-se cruel para com Prometeu e, a fim de puni-lo por ter dado o fogo aos homens, agrilhoou-o ao Cáucaso. Uma águia lhe dilacerava constantemente o fígado e a sua carne renascia imediatamente para que o suplício se renovasse todos os dias. A luta de Júpiter contra Prometeu foi interpretada de maneira assaz diferentes, mas segundo os trágicos seria possível ver nela uma vaga recordação de uma mudança de crenças. Na antigüidade, Prometeu ficou como tipo de justiça esmagada pela força, da consciência humana protestando contra um poder inexorável.

O suplício de Prometeu teria, no entanto, fim. Hércules, o matador dos monstros e grande reparador de erros, livrou o Titã matando a águia que o roía. Prometeu, que conhecia o futuro, predissera que quem desposasse a Nereida Tétis, teria um filho mais poderoso que o pai, e o rei dos deuses, sabendo de tal profecia, renunciou ao projeto de unir-se a Tétis. Como recordação desse serviço, Júpiter não obstaculou a libertação de Prometeu; mas já que afirmara que o suplício duraria milhares de anos e que um deus não deve mentir, excogitou-se um subterfúgio. De um dos elos da cadeia que agrilhoava o Titã se fez um anel, no qual se introduziu um pedacinho do rochedo; desse modo, Prometeu continuava sempre preso ao Cáucaso.

Um interessante sarcófago no museu Capitolino fixa em várias cenas toda a lenda de Prometeu.

Há algumas variantes na história de Prometeu: alguns lhe atribuem a fabricação da mulher, bem como a do homem, o que tiraria toda a razão de ser da linda Fábula de Pandora. Entretanto, existem sobre essa versão monumentos que não podemos desprezar. Um baixo-relevo antigo nos mostra Prometeu segurando um desbastador e modelando a primeira mulher; um homenzinho ainda não animado está deitado aos pés do escultor e quem Mercúrio conduz uma alma, caracterizada pelas asas de borboleta, e que irá habitar o corpo terminado por Prometeu. Atrás de Mercúrio, vemos as três Parcas que fiarão o destino da nova criatura. O touro, o burro e a lebre, colocados perto do escultor, relembram uma tradição segundo a qual Prometeu, ao formar a espécie humana, misturou ao limo de que se servia as qualidades dos diversos animais.


MITO, ASTROLOGIA E PSICANÁLISE

O mito de Prometeu e o elemento Fogo


Entre o prazer originário e a realidade terrena existe uma ruptura - um fogo perdido - que será para sempre um lugar de fome e de mal-estar. Prometeu era um dos quatro filhos de Jápeto e Clímene
e pertencia à raça dos Titãs. Como era um adivinho, previu a derrota de seu povo e tornou-se amigo de Zeus. Segundo a tradição (que não consta da Teogonia de Hesíodo), Prometeu criou os primeiros seres humanos na Terra. Bem antes da vitória de Zeus sobre os Titãs, Prometeu foi um benfeitor da humanidade.


Devido a esta troca de lugares os deuses sempre desconfiaram da proteção dada por Prometeu aos homens. Um dia em Mecone, o deus filantropo desejou ludibriar o pai dos deuses e dos homens em favor dos mortais, dividindo um grande boi em duas porções: a primeira continha carnes e entranhas, cobertas pelo couro do animal. A segunda, apenas os ossos, disfarçados com a gordura branca dos
mesmos. Ao escolher uma delas, Zeus optou pela segunda e, vendo-se burlado, "a cólera encheu sua alma, enquanto o ódio lhe subia ao coração"[1].

Um terrível castigo foi imposto. Zeus privou o homem do fogo - simbolicamente do nûs, da inteligência - tornando a humanidade "ignorante".

Novamente o benfeitor dos homens agiu. Roubou uma centelha do fogo celeste, ocultando-a na haste de uma férula, e a trouxe à Terra, reanimando os mortais. O maior dos deuses Olímpicos
resolveu punir com mais rigor a humanidade e seu protetor. Contra os homens imaginou perdê-los para sempre através da irresistível Pandora (cuja caixa continha todos os males da humanidade,
inclusive a esperança). Contra Prometeu, a punição foi terrível. Ele foi acorrentado com grilhões em uma coluna e tinha o fígado "roído" durante o dia por uma águia e, à noite, o órgão se regenerava. Zeus jurou que jamais o libertaria daquela prisão.


Habilitados parcialmente pela centelha de fogo celeste, os homens experimentaram o uso diferencial da inteligência e a fome de saber.


Quanto a Pandora ("a detentora de todos os dons"), ela foi a primeira mulher modelada em argila, animada por Hefesto e tornada irresistível pelos deuses - "Afrodite deu-lhe a beleza e insuflou-lhe
o desejo indomável que atormenta os membros e os sentidos."

Por fim, Hermes concedeu-lhe o dom da palavra.


Fome, saber e sexualidade desencadearam assim um projeto humano. A transgressão realizada por Pandora ao abrir a caixa que continha todos os males do mundo determinou o ponto de partida
em que as pessoas passaram a conviver numa tremenda confusão, sendo uma tarefa importante a "diferenciação entre as espécies e, sobretudo, do homem com o próprio semelhante". [2]

O desencontro com a situação paradisíaca de possuir todo o fogo implicou "o encontro com a sexuação, no prazer, no desprazer, no sofrimento, no trabalho, na dúvida".

[3] Entre este prazer originário e a realidade terrena existe uma ruptura - um fogo perdido - que
será para sempre um lugar de fome, de um mal-estar.Na Astrologia, as casas do elemento Fogo
representam lugares onde o ser humano deve buscar a construção dos sentidos da vida. Em Áries, o que é mais básico e pulsional, o que se combina com seus afetos; em Leão, a sua paixão
e seus derivados; e em Sagitário, a construção de seu caminho. Como nos explicita Bachelard, "o fogo é brilhante, como uma consciência da solidão". [4]


NOTAS:

1- BRANDÃO, Junito, Dicionário Mítico-Etimológico, Vol. II, Vozes: Petrópolis, 1992, p. 328-329.
2- CARNEIRO, Henrique F., ...e no começo era a fome:três movimentos da dietética na criação do homem, Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. III, nº2, junho de 2000, p.46.
3- CARNEIRO, Henrique F., ...e no começo era a fome:três movimentos da dietética na criação do homem, Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. III, nº2,
junho de 2000, p.46.4- BACHELARD, G. A Psicanálise do Fogo, Martins Fontes: São Paulo, 1994, p.4.


Outros textos de Luiz Roberto Delvaux de Matos.

fonte: http://www.constelar.com.br/constelar/93_marco06/prometeu.php

Kronos, Krios (ou Crius), Créos - Créos, titã do frio e inverno assim como dos rebanhos e das manadas. Saturno (Cronos)


Mitologia grega


Créos, titã do frio e inverno assim como dos rebanhos e das manadas
, esposo de Euríbia (filha de Pontos) e pai de Palas, Perses e Astreu

Crio (em grego: Κρείος, Kreíos) é um dos doze titãs clássicos da tradição hesiódica. Ele desposou Euríbia e gerou: Palas, Astreu e Perses.

Filho de Urano e de Gaia, Crio representava os seres marítimos e seu poder destrutivo envolvia as criaturas até hoje desconhecidas do mar abissal. Ninguem conhece a real forma deste titã.

Crio, assim como os demais titãs que ficaram ao lado de Cronos na Titanomaquia, foi aprisionado no Tártaro.


Urano aprisionou os filhos mais novos de Gaia no Tártaro, nas entranhas da Terra, causando grande dor a Gaia. Ela forjou uma foice e pediu aos
filhos para castrarem Urano. Apenas Cronus, o mais jovem dos Titãs, concordou. Ele emboscou seu pai, castrou-o e lançou os testículos cortados ao mar.


Krios (ou Crius) foi um dos mais velhos Titans, filhos de Urano (o Céu) e Gaia (a Terra). Liderados pelo Kronos, os irmãos conspiraram contra o seu pai e prepararam uma emboscada e com ele desceu a mentira na Terra. Krios, Koios, Hyperion e Iapetos foram postados nos quatro cantos do mundo onde eles apoderaram-se do sue pai e o prederam, enquanto Kronos, escondido no centro, castrou-o com uma foice.

Nesse mito dos quatro irmãos provavelmente representam os quatro pilares cósmicos nas cosmogonias encontrados perto do Oriente, que separam o céu e a terra. Neste caso, Krios foi seguramente o Titan do pilar do sul, enquanto seus irmãos Koios, Iapetos e Hyperion eram deuses dos pilares do norte, leste e oeste, respectivamente. Krios conexão "com o sul se encontra tanto em seu nome e ligações familiares - ele é o" Ram ", da constelação de Áries, cujo aumento da primavera no sul, marcou o início do ano grego, seu filho mais velho é Astraios, deus da as estrelas, e sua esposa é Euríbia, uma filha do mar.

O Titans acabaram depostos por Zeus e lançados no poço do Tártaro. Hesíodo descreve-o como um vazio deitado sob as fundações do cosmos, onde a terra, mar e céu todos têm as suas raízes. Aqui Titans, mudança em termos cosmológicos de ser titulares do céu para portadores de todo o cosmos. Segundo Píndaro e Ésquilo (em seu jogo perdido Prometheus Unbound) um Titan acaba por ser libertado do poço através da clemência de Zeus.

Saturno (Cronos)
compilado por Beraldo Figueiredo

Filho segundo de Urano e da antiga Vesta, ou do Céu e da Terra, Saturno, depois de haver destronado o pai, obteve de seu irmão primogênito Titã, o favor de reinar em seu lugar. Mas Titã impôs uma condição, - a de Saturno fazer morrer toda a sua posterioridade masculina, a fim de que a sucessão ao trono fosse reservada aos seus filhos.

Saturno desposou Réia, de quem teve muitos filhos, que devorou avidamente, conforme combinara com seu irmão. Além disso, sabendo que, um dia, ele próprio seria derrubado do trono por um dos seus filhos, exigia que sua esposa lhe entregasse os recém-nascidos.

Entretanto Réia conseguiu salvar a Júpiter, que quando grande, declarou guerra a seu pai, venceu-o, e depois de o haver tratado como o fora Urano por seus filhos, pô-lo fora do céu. Assim a dinastia de Saturno continuou em prejuízo da de Titã.

Saturno teve três filhos de Réia, que conseguiu salvá-los: Júpiter (Zeus), Netuno e Plutão, e uma filha, Juno, irmã gêmea e esposa de Júpiter. Alguns autores, ao número das filhas de Saturno e Réia, acrescentam Vesta, deusa do fogo, e Ceres, deusa das searas. De resto, Saturno teve, com muitas outras mulheres, um grande número de filhos, como, por exemplo, o centauro Chiron, filho da ninfa Filira, etc.

Conta-se que Saturno, destronado por seu filho Júpiter, reduzido à condição de simples mortal, foi refugiar-se na Itália, no Lácio, onde reuniu os homens ferozes, esparsos nas montanhas, e lhes deu leis. O seu reinado foi a idade do ouro, sendo os seus pacíficos súditos governados com doçura. Foi restabelecida a igualdade das condições; nenhum homem servia a outro como criado; ninguém possuía coisa alguma exclusivamente para si; tudo era bem comum, como se todo mundo tivesse tido a mesma herança. Para lembrar esses tempos felizes, celebravam-se em Roma as Saturnais.


Essas festas, cuja instituição remontava no passado muito além da fundação da cidade, consistiam sobretudo em representar a igualdade que primitivamente reinava entre os homens. Começavam as Saturnais no dia 16 de dezembro de cada ano; ao princípio só duravam um dia, mas ordenou o Imperador Augusto que durariam três; Calígula aumentou-lhes vinte e quatro horas. Durante estas festas se suspendia o poder dos senhores sobre os escravos, e estes tinham inteiramente livres a palavra e as ações. Então, tudo era prazer, tudo era alegria; nos tribunais e nas escolas havia férias; era proibido empreender uma guerra, executar um criminoso ou exercer outra arte além da culinária; trocavam-se presentes e davam-se suntuosos banquetes. De mais a mais todos os habitantes da cidade paravam as suas tarefas; toda a população se dirigia ao monte Aventino, para respirar o ar do campo. Os escravos podiam criticar os defeitos dos seus senhores, fazer-lhes partidas, e nesses dias eram os senhores que serviam os escravos, à mesa.

Em grego, Saturno é designado pelo nome de Cronos, que quer dizer o Tempo. A alegoria é transparente nesta fábula de Saturno; este deus que devora os filhos é, diz Cícero, o Tempo, o Tempo que se não sacia dos anos e que consome todos aqueles que passam. A fim de o conter, Júpiter o acorrentou, isto é, submeteu-o ao curso dos astros que são como laços que o prendem.

Os cartagineses ofereciam a Saturno sacrifícios humanos; as vítimas eram crianças recém-nascidas. Nesses sacrifícios, as flautas, os tímpanos, os tambores faziam um ruído tão grande que se não ouviam os gritos da criança imolada.

Em Roma, o templo elevado a esse deus no pendor do Capitólio, foi o depósito do tesouro público, em lembrança de que no tempo de Saturno, na idade do ouro, não se cometiam furtos. A sua estátua estava amarrada com cadeias que só se tiravam em dezembro, durante as Saturnais.

Saturno era geralmente representado como um velho curvado ao peso dos anos, erguendo na mão uma foice para mostrar que preside ao tempo. Em muitos monumentos apresentam-no com um véu, sem dúvida porque os tempos são obscuros e cobertos de um segredo impenetrável.

Com um globo na cabeça é o planeta Saturno. Numa gravura, talvez etrusca, é representado com asas e a foice pousada sobre um globo; é assim que representamos sempre o Tempo.

O dia de Saturno é o sábado (Saturni dies), (em francês, samedi, em inglês, saturday).
Primeiro era o Caos - o mais velho dos deuses. Caligena seria a contra-parte feminina de Caos. Caligena é como o Caos, é todo o universo é tudo aquilo que possui como fonte propursora da vida como cosmo.

Mãe de todo universo criadora da cosmo energia, Calígena seria a primeira divindade feminina do universo e exerceria um papel fundamental na criação do universo, assim como o próprio Caos.

Érebo (o criador das Trevas) & Nix (a personificação da noite).

Depois surgiu a Terra (Gaia) e no Tártaro (Tártaro - a personificação do Inferno.) Éter (ar superior "), na mitologia grega, era a personificação do céu superior", o espaço e o céu. Ele é o ar puro e superior que os deuses respiram, em oposição a "aer", que os mortais respiravam. Na Teogonia de
Hesíodo, era filho de Érebo e Nyx, e irmão de Hemera, ambos se de passagem em deorum Cícero De Natura. Ele é a alma do mundo e toda a vida emana dele. O éter também era conhecido como muralha defensiva de Zeus,o dependente que Tartaros prendia do cosmos. Na mitologia grega, Ponto (em grego Πόντος, transl. Póntos, "alto-mar") era o antigo deus pré-olímpico do
mar, na mitologia grega, que, tal como Urano, nasceu por *partenogénese de Gaia, a Terra.



Figura11


Os deuses deram origem às

Eras do homem (mitologia)

Verá com melhor nitidez esse site, com os navegadores Mozilla Firefox ou Google Chrome.

Obrigada, pela visita. Beijos de luz violeta na alma.