24/03/2010

Práticas BRUXAS na Igreja Católica

Ao longo de toda sua existência, a Igreja Católica veio assimilando cultos e práticas pagãos, alguns dos quais adquiriram papel fundamental no exercício da religião cristã. Pela observação sistemática de alguns destes cultos e práticas, comparando o significado que têm para os bruxos com o significado que têm para os cristãos, podemos compreender que, embora sigam caminhos diferentes, bruxos e cristãos, em essência, são muito mais parecidos do que ambos admitem.

A Metade Escura da Roda do Ano nas Comemorações Cristãs

Sabates são as principais celebrações comuns às mais diversas tradições bruxas, que se identificam a antigas celebrações pagãs. Os pequenos sabates ocorrem nos equinócios e solstícios e os grandes sabates têm datas fixas entre cada equinócio e solstício.

Os sabates, sejam grandes ou pequenos, representam as fases pelas quais a natureza passa, sendo confundido pelos profanos com as estações do ano, apesar de estas serem apenas quatro e os sabates serem oito. Relacionam-se ao eterno girar da Roda do Ano, sucessão dosp rocessos de nascimento, concepção, frutificação e morte/hibernação da natureza.

O ano bruxo se inicia no frio e escuro meio do outono (1º de maio no hemisfério sul e 31 de outubro no hemisfério norte). Nesta data se celebra o Tempo dos Idos, conhecido pela tradição celta como Samhain. Na verdade, no dia deste sabate se considera que o ano acaba, mas por três dias o outro ainda não começa. E como se passa a estar fora do ano que se foi e o outro ainda não começou, trata-se de um período fora do tempo, onde vivos e mortos, bem como seres desprovidos de corpo físico, podem se encontrar.

Enquanto os bruxos celebram Samhain, com as crianças e os não iniciados esculpindo lanternas em abóboras para afugentar os espíritos que vagam livremente entre os vivos nesta época (noite do dia 31 de outubro a 2 de novembro), os cristãos estão celebrando o Dia de Todos os Santos (alterado de 13 de maio para 1º de novembro pelo Papa Gregório II, no século VIII) e o dia de finados (2 de novembro, conforme estabelecido pela Igreja em fins do século X). Tanto bruxos quanto cristãos dedicam este período a entrar em contato com entidades não encarnadas e lhes render homenagens.

O sabate seguinte é a festa do inverno, Yule, pela tradição celta. Este é comemorado no solstício de inverno, menor dia do ano, mas, justamente por isso, é o momento de renascimento do Sol, ou seja, a partir da celebração de Yule os dias começarão a crescer.

Sempre lembrando que nos referimos às datas de sabates no hemisfério norte, pois as datas das comemorações cristãs foram estabelecidas acima da linha do equador, os cristãos celebrarão, nesta época, o natal.

No natal os cristãos celebram o nascimento de Jesus. Ainda criança, ele é a promessa de dias de glória. Enquanto isso, os bruxos, na festa do inverno, celebram o nascimento do Sol, como promessa de que o inverno que se inicia, tempo de dificuldades, será substituído pela primavera à medida que o Sol se tornar mais forte. Desta forma, tanto em um quanto em outro credo, se celebra o nascimento do Deus e a gradual substituição das trevas pela luz.

Os festejos de 2 de fevereiro têm o mesmo nome na Igreja e na BRUXARIA Ibérica. Trata-se da festa de Candelárias, quando os católicos comemoram a apresentação de Jesus no Templo e os bruxos celebram a força da vida, a luz que já brilha no escuro, mas ainda não o ilumina, a vida que começa a forçar caminho sob a neve e que só é percebida por quem, a partir de sua sabedoria, vê além. Na passagem bíblica que remete à apresentação de Jesus no templo, o idoso Simeão pega Jesus no colo e diz:
"Agora Senhor, deixa teu servo ir em paz, segundo a
tua palavra, porque meus olhos viram a salvação
que preparaste ante a face de todos os povos,
luz que brilhará sobre todas as nações,
glória do teu povo, Israel".
(Lc 2, 29-33)

A semelhança de significado é inescapável: Jesus é pequeno demais para afastar o frio e a escuridão, mas naquele momento ele já se faz perceber como a luz do mundo.

Ambos, cristãos e bruxos, celebram Candelárias (Imbolg, na tradição celta) acendendo e portando VELAS , antiga prática pagã aconselhada por São Cirilo de Alexandria: "celebremos o mistério deste dia com lâmpadas flamejantes", inspirado no próprio Testamento ("Vamos, irmãos! Vede o círio que hoje arde entre as mãos de Simeão! Vinde buscar nele a luz, vinde acender nele as vossas VELAS , quero dizer, as lâmpadas que o Senhor quer ver entre as vossas mãos" - Lc 12, 35).

O espírito dominante, em ambas as crenças, é o de crer na ou perceber a luz no fim do túnel, de renovar as esperanças em meio a tempos de dificuldade.

Os sinais que em Candelárias eram vistos apenas pelos sábios, se tornam visíveis a todos com o equinócio de primavera. A partir de então, os dias serão maiores que as noites, o que se tornará perceptível mais adiante, no próximo sabate. As neves se derretem, a alegria inocente paira no AR, propiciando o AMOR . Mais uma vez os nomes dos ritos pagãos e cristãos se confundem, os primeiros celebram Ostara (originalmente celebração à Deusa grega Ostera / germânica Esther), enquanto a Igreja celebra a Páscoa (Easter em inglês, Oster em alemão).

Se restar dúvida acerca da identidade de significado entre a Páscoa e Ostara, pelo fato do Concílio de Nicéia ter estabelecido que a Páscoa deixaria de festejar a fuga dos judeus do EGITO e passaria a comemorar a ressurreição de Jesus, os símbolos, idênticos em ambas as celebrações, deixam claro que na prática trata-se da evocação dos mesmos sentimentos de ressurgimento da vida após o fim do inverno. O ovo, símbolo da origem da vida, é aliado à lebre (coelho de páscoa, para os cristãos), símbolo da fertilidade. Curioso ainda notar que, mesmo após a destruição das culturas pré-colombianas, das quais restaram poucos traços, em tempos mais recentes foi reunido às comemorações de páscoa o uso do chocolate, alimento de origem olmeca, de uso ritualístico relacionado à fertilidade, e preparado com as sementes do cacaueiro (cacahuaquchtl, em maia), considerados presentes dos DEUSES ao homem, e que, independente das crenças maias, apenas por serem sementes, já trazem o mesmo significado do ovo.

Ostara é o último sabate da Metade Escura da Roda do Ano. Até aqui, contamos quatro sabates perfeitamente equivalentes, em espírito e significado, a comemorações cristãs.

Tempo dos Idos/Samhain - Todos os Santos e Finados
Festa do Inverno/Yule - Natal
Candelárias/Imbolg - Candelárias
Festa da Primavera/Ostara - Páscoa

Encerra-se o tempo do frio e escuridão e no sabate seguinte, Beltane, se inicia a Metade Clara da Roda do Ano, o tempo das luzes e do calor. No próximo segmento, abordaremos os quatro sabates pertencentes à Metade Clara.

FONTE: Coluna publicada porTaliesin

gltaliesin@terra.com.br
http://www.osbennu.ecn.br
http://www.oldreligion.com.br/novo/colunistas/colunas/index.asp?Qs_...

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