26/12/2010

A casa mágica



Nossa casa recebe os nossos amigos, nos acolhe, nos protege, e nos aquece. Nada melhor que tirar os sapatos e descansar no sofá depois de um dia estressante de trabalho. E só fazemos isso na nossa casa. Então, nada mais justo que cuidar dela como ela merece. Com carinho e atenção, mantendo-a sempre limpa e organizada. Tanto no plano físico, quanto no astral. Isso nos ajuda a canalizar as energias de modo correto, para que nossos pedidos e rituais tenham mais força.
Então vai ai algumas dicas para manter a limpeza e harmonia no seu lar.

Limpeza:

Realizamos um ritual de limpeza com intuito de banir e expulsar energias negativas, maus espíritos, ou pensamentos que possam por ventura se aproximar de nossa casa. E digo que não adianta nada realizar um ritual como esse, se sua casa estiver suja, ou desorganizada. Então, aconselho enquanto limpa sua casa acender um incenso de sal groso acompanhado de outra erva, e pedir para os elementais da natureza, egrégoras de luz – templários, dragões, ciganos, orixás – Que realizem a limpeza astral daquele lugar enquanto você o limpa na parte física. Ou se preferir, você pode terminar a limpeza e a seguir passar com o incenso aceso nos cômodos da sua casa, pedindo a limpeza, banimento e proteção do local. É importante que enquanto pede, sejam feitas espirais com o incenso em sentido anti-horário, (contrário do relógio), para que a limpeza seja realizada. Terminando o banimento, você pede a consagração. Exemplo:


Sentido anti-horário: Eu limpo, purifico esse local, em nome das egrégoras de luz dos templários, cavaleiros de deus, em nome de São Jorge. Com a ajuda e proteção dos dragões. E auxilio dos elementos da natureza. Terra, água, fogo e ar. Que ela seja liberta e protegida contra os inimigos visíveis e invisíveis. Que assim seja e assim se faça.

Sentido horário: Eu purifico e energizo esse local, com energia de amor, de paz, alegria, felicidade e prosperidade. Que as egrégoras de luz, com seu poder e força possam iluminar minha casa sagrada, e abençoar e proteger seu espaço físico e astral contra os inimigos visíveis e invisíveis. Que ela seja protegida à frente, atrás do lado esquerdo e do lado direito. Com a energia do amor divino. Que assim seja e assim se faça!

O incenso deve ser deixado próximo à entrada da casa.

A limpeza também pode ser feita com velas, representação do elemento fogo, que simboliza a purificação e renovação. Caso prefira, você pode pegar uma vela preta e untar com óleo de arruda, hortelã ou alecrim. E ir passando de cômodo em cômodo com ela apagada. Enquanto faz isso, faça as orações de limpeza. Sendo finalizado esse processo, a vela deve ser acesa próxima à porta de entrada da casa. E os restos jogados em terra.

Manutenção:

Se pra manter nossa casa arrumada, tiramos o pó, arrumamos almofadas, lavamos louças, roupas etc. Podemos escolher a periodicidade para realizar rituais de manutenção para manter a casa limpa e energizada. Para isso, podemos usar cristais, baguás, espelhos mágicos, incensos, ou algum outro artefato de sua preferência, como por exemplo, a vassoura mágica.


Usando o espelho mágico: Um espelho mágico pode ser usado alem da função para vidência. Ele pode ser programado para irradiar proteção e saúde a um determinado local ou a alguém. Portanto, você pode programar seu espelho irradiador para emanar a energia de proteção para sua casa. Podendo deixá-lo na entrada da residência, ou até mesmo colocá-lo a frente dos demais espelhos da casa para que ambos estejam com a energia em seu reflexo.

Usando os cristais: Para a casa, podem ser usados diversos cristais. No entanto, quatro deles são indispensáveis.

  • Cristal de quartzo transparente: Estimulante e equilibra as energias. O famoso serve para tudo.
  • Quartzo verde: Auxilia na recuperação da saúde física. Pode ser usado em conjunto com a ametista, que auxilia na parte espiritual. Proporcionando renovação e calma;
  • Citrino: Simboliza a prosperidade e fartura;
  • Turmalina: Afasta energia negativa.
Lembrando que todas essas pedras devem estar devidamente programadas para o fim escolhido. E colocadas em local correto. Exemplo. Se você tem vasos de plantas e os coloca na entrada de sua casa, o cristal pode ficar dentro de um desses, inclusive a mostra. O quartzo verde pode ficar enterrado em uma das plantas também. Já o citrino deve ser colocado na extremidade esquerda da casa, no final. Para que traga prosperidade. Sugiro que a turmalina, por ser frágil, seja colocada em um pequeno patuá de pano e seja deixada em um móvel alto da sala de estar.


Para evitar os olhares dos curiosos, uma boa pedida são as árvores feitas com pequenas pedras, são diversas e você pode escolher a base, que em geral é de um montinho de cristal e pedra ou até mesmo de ametista. São lindas e decoram muito bem o ambiente, não deixando nada a dever em comparação ao cristal em si.

Outro modo de usar os cristais é preparando um pote com pedras e deixando na porta de entrada. Sugiro que seja colocado um pouco de sal grosso dentro. E que as pedras escolhidas não tenham em sua composição elementos que se desfaçam com o contato com a água.

Usando o pote de cristais: Você pode escolher nove ou sete pedras, e programa-las para determinadas funções, sempre de acordo com a propriedade da pedra escolhida. Em um pote de vidro, coloque uma determinada quantidade de água, de modo que ela cubra as pedras. Coloque os cristais programados e ponha o pote no lado direto da entrada de sua casa, ou de seu estabelecimento comercial. É importante que a água seja trocada semanalmente, ou se sentir, antes desse período.

Uso de baguá: O baguá e composto por 08 tria gramas que são as combinações entre as energias Yin e Yang. Usado para delimitar a atuação das energias em um ambiente. Em geral é usado na técnica do Feng Shui. Mas nada impede que usando-o da maneira correta, você não possa usufruir desse poderoso “instrumento”.
Para você usar o seu Baguá pegue a planta de sua casa, escritório ou cômodo, depois sobreponha o mapa octogonal à planta; verifique onde fica a porta de entrada e alinhe este com o lado onde está a área de trabalho. As demais áreas é só seguir na seqüência. Abaixo segue lista de alguns objetos que você pode colocar nos locais para facilitar a circulação e equilíbrio de energia.


Família e Saúde:

- plantas saudáveis
- porta retratos da família
- flores, jardins naturais ou pôsteres, pinturas ou colagens
- itens nas cores azul e verde
- tecidos com estampa floral

Prosperidade - Abundância:
- sinos de vento
- objetos de arte, moedas, peças de valor
- itens nas cores azul, purpúra e vermelho
- rosas vermelhas
- água em movimento, fontes que simbolizam o fluxo abundante de dinheiro e prosperidade.

Sucesso - Fama:
- diplomas, prêmios
- coisas de origem animal como couro
- pôsteres, quadro, fotos e figuras de animais, luz do sol e celebridades famosas
- todos os tipos de iluminação, sol, velas, luza elétrica e lamparinas
- itens nos tons de preto, azul e verde.

Relacionamento - casamento:
- pôsteres, quadros, fotos que sugiram amor
- par de objetos como duas pessoas:
namorados, corações, símbolos do amor
- itens com cor vermelha, rosa, branco.

Criatividade - Filhos:
- brinquedos, bichos de pelúcia
- itens nas cores branco e pastel
- objetos com forma circular, oval ou em arco
- acessórios de metal: latão, alumínio, prata, ouro
- objetos como móveis, castiçais, porta retratos, jóias e lustres em metal
- coisas que estejam ligados às crianças e à criatividade.


Amigos e Viagens:
- imagens, fotos, quadros de guias espirituais, santos e anjos
- amigos, mentores na sua vida
- lugares especiais para onde você viajou ou para onde você deseja viajar
- itens nas cores branco, cinza e preto
- amigos como professores, mentores, benfeitores, clientes e funcionários.

Carreira e trabalho:
- água: fontes, cascatas, cachoeiras, aquários
- objetos de arte que representem rios, oceanos, lagos cachoeira, etc.
- imagens da carreira e símbolos
- itens na cor preto, cores escuras como azul marinho e cinza escuro
- formas arredondadas e livres.


Espiritualidade - Conhecimento e Sabedoria:
- livros e materiais de estudo
- fotos, quadros de montanhas e lugares calmos que inspirem meditação, contemplação ou repouso.


Retirada do Site; http://circulandomagia.blogspot.com/2010/07/casa-magica.html

Magias para o final de ano

Banhos para o final de ano

Eu geralmente faço um banho com rosas e ervas. Uso rosas brancas, alecrim, hortelã e alfazema. Mas você pode montar seu próprio banho. Sugiro que primeiramente você faça um direcionado para a limpeza e outro para o que você deseja ver realizado em sua vida. E certamente você poderá usar as ervas de mercúrio para isso. Se for para a praia, o banho de mar em si, já é um senhor banho de limpeza. Então antes de se preparar para os festejos de final de ano você poderá tomar o seu banho de realização.

Ervas de mercúrio
:

Acácia, anis, aveleira, camomila, madressilva, margarida, mil-folhas, rosa amarela, sabugueiro, trevo.


Banho de auto estima
:

Alecrim

Elevante
Anis estrelado
Açúcar
Modo de fazer: Massere as ervas junto do açúcar enquanto o faz, mentalize a realização de seus desejos.


Banho de limpeza
:

Arruda

Alecrim
Hortelã
Sal grosso - Uma pequena quantidade. Metade de um punhado.

Um punhado de sal grosso. Também masserar as ervas junto do sal.



Ritual de final de ano - A ser realizado em 05/01/2011


Uma vela amarela

Um trevo - Se não conseguir, uma moeda "dourada" serve.
Um citrino
Incenso de rosa amarela
Papeis amarelos e caneta dourada
Fogo sagrado
Um pote ou taça com água
Um raminho de camomila ou elevante.

Esse ritual é bem simples. Você irá acender a vela, (se puder untar melhor)* e enquanto acende pense em tudo o que deseja realizar no novo ano. Em seguida acenda o incenso.


Realize encantamentos enquanto consagra a pedra e o trevo/moeda. Passe-os na chama da vela, do incenso e respingue algumas gotinhas de água também. Feito isso, escreva seus pedidos nos papéis amarelos, e enquanto o faz, profira os encantamentos enfatizando a energia de mercurio que será o regente do ano. Alguns exemplos:


"Que a energia de mercúrio cujo poder de velocidade confere, que eu realize (dizer objetivo) rapidamente. Que assim seja.

Que a energia de mercúrio cuja comunicação expressa, que eu tenha poder de voz no ano que se inicia. Que minha palavra seja ouvida e seja compreendida. Que assim seja.

Que a energia de mercúrio cujo poder e inteligencia expressa. Que eu realize os estudos que necessito (dizer qual). Que asim seja"

E vá proferindo seus encantamentos conforme a necessidade. Somente para lembrar, mercúrio é o planeta que rege o desenvolvimento e realização dos estudos, da comunicação, das viagens, dos negócios e do comércio.

Assim fica mais fácil determinar a energia e as palavras que você colocará em cada um dos pedidos.

Feito isso, você queimará no seu caldeirão os pedidos, e deixará a vela queimar até o final. Terminando, você jogará/soprará as cinzas ao vento, numa praça ou num jardim.

Pegue o raminho da erva escolhida e coloque dentro da taça com água para borrifar sua casa e seu comércio com a água usada no ritual. E se puder incensar os dois ambientes, será muito bom também. Deixe o raminho secar, e quando ocorrer, deixe-o junto com o citrino, ou ainda, queime-o como incenso.


Quanto aos amuletos. O trevo ou moeda, você deve levar consigo dentro da carteira. E caso tenha comércio, deixe o citrino na entrada do estabelecimento comercial, ou próximo ao caixa.


A primeira comemoração chamada de festival de ano-novo aconteceu na Mesopotâmia por volta de 2.000 a C. Na Babilônia a festa começava na ocasião da Lua Nova, indicando o equinócio de primavera, ou seja, um dos momentos em que o Sol se aproxima da linha do Equador, quando os dias e as noites têm a mesma duração.

No calendário atual, isso ocorre em meados de março, mais precisamente, dia 19 de março, data em que os espiritualistas comemoram o ano-novo esotérico.

Os assírios, persas, fenícios e egípcios comemoravam o ano novo no dia 23 setembro e os gregos comemoravam o início de um novo ciclo em dezembro, nos dias 21 e 22.

Os romanos foram os primeiros a estabelecer uma data no calendário para realizar uma grande festa (753 AC a 476 DC). O dia era primeiro de março, mas foi trocado para primeiro de janeiro e mantido no calendário juliano, adotado em 46 AC. Só em 1.852 foi que a igreja consolidou a data quando adotou o calendário gregoriano.

Ainda hoje, na China se comemora a festa de passagem de ano no fim de janeiro ou começo de fevereiro. A comunidade judaica tem um calendário próprio para comemorar a passagem de um ano ou Rosh Hashaná que ocorre em meados de setembro ao início de outubro do calendário gregoriano. Já os islâmicos, o ano-novo é comemorado em meados de maio.

Para nós, a contagem decrescente indica o fim de um ciclo e o começo de um outro. É um momento de promessas que irão alimentar nossos sonhos por 365 dias. Todos os rituais indicam que o ano que começa virá com novas esperanças.

Todas as tradições que de uma forma ou outra estão presentes nas nossas vidas. Vale muito a comemoração, exaltação do espírito, roupas novas, fogos e desejos de um ano melhor.


Tirada do Site; http://circulandomagia.blogspot.com/2010/12/magias-para-o-final-de-ano.html

O TAROT SEXUAL

A magia sexual é inerente às vinte e duas imagens dos arcanos maiores do Tarot Egípcio (O Livro de Thoth). Sendo que o Tarot teve suas origens muito além da base ideológica do Antigo Egito e muito provavelmente nas areias da Suméria, a verossimilhança de um Tantra secreto dentro de suas imagens é muito forte.
Quando consideramos que um dos nomes do Tarot é Rota ou roda, entramos em contato diretamente com o conceito do circuito psico-sexual descrito anteriormente. Já discutimos o uso prático dos Caminhos na Magia Sexual. Aqui objetivamos primariamente examinar o simbolismo sexual inato de cada arcano e deixamos a aplicação prática para o mago. Um conhecimento prévio do Tarot de Thoth deve ser sugerido para que se possa apreciar plenamente os detalhes dados a respeito de cada carta.

O Simbolismo Tântrico


Ao examinarmos os glifos dos vinte e dois arcanos maiores, descobrimos que cada um contém um tipo específico, por assim dizer, cada um focaliza um imagem específica (normalmente humana) que pode ser relacionada a fenômenos estritamente biológicos. Não queremos dizer que a interpretação deva ser baseada no físico, mas sugerimos que dentro de cada arcano está um glifo secreto delineando o processo físico pelo qual um estado alterado de consciência, em relação direta com a imagem contida no arcano, pode ser disparado. Numa certa extensão eles são precedidos pelas letras hebraicas que, por meio do simbolismo, sugerem uma inferência sexual para cada arcano. Por exemplo, a chave da Torre é atribuída a Peh, cuja imagem é a boca, a relação simbólica da Torre fálica e da boca precedem a imagem sexual da carta, que é, em parte, uma fórmula de sexo oral.


Os Arcanos da Magia Sexual


O Espermatozoon
O louco, criança do Espermatozoon representa o que é entendido como o Duende ou pequeno Eu. Este diminuto eu é projetado para fora da consciência usando técnicas Alfa ou Beta e realiza as tarefas ordenadas pelo mago. Pode ser usado para explorar dimensões alternativas e realizar atos de feitiçaria. É um estágio mais evoluído do que o Espermatozoon sugerido no
arcano do Ermitão pois não é uma simples projeção da psique treinada mas um aspecto parcial da Vontade Verdadeira colocado em ação.

A letra Aleph retorna a essa atribuição pois simboliza uma criança ou arado, a criança sendo uma imagem do Duende ou pequeno eu e o arado representando o pequeno eu sendo uma ferramenta da Vontade Verdadeira, cultivando os campos da eternidade. Sua cor é de um branco iluminado (em Atziluth, Briah e Yetzirah) refletindo a alegoria do sêmen.

O Andrógino

O Andrógino é o Senhor da Casa de Deus, seu reflexo mais baixo encontra-se na bissexualidade do diabo, enquanto que o Andrógino representa a integração perfeita das várias modalidades da sexualidade humana. O número atribuído é dois, refletindo a dualidade do Andrógino que manifesta sua androginia na expressão sexual com ambos os sexos. Isto também pode ser visto na imagem da Casa de Deus com suas portas frontal e dorsal. Os quatro elementos que o Andrógino usa são as facetas de seu próprio organismo : a vareta Fálica, o cálice Anal/Vaginal, a espada do Intelecto e o corpo inteiro como um Pantáculo. As associações mercuriais relacionam o ndrógino ao Néctar Frio da Deusa e a paixão do Capricórnio, bem como as outras atribuições relativas às secreções Sattva.

A Sacerdotisa

A Sacerdotisa é o Camelo que cruza o Abismo, na simbologia cabalística. Na magia sexual o camelo é entendido como o armazenador dos fluidos sacros, que os coleta e os mantém por um período e então os expele.

A conexão lunar enfatiza a associação deste arcano com os Kalas. Portanto este arcano é o símbolo da Yoni por excelência.

Amor Sob Vontade

Amor sob Vontade juntará a força fálica de Chokmah/Therion e a força vaginal de inah/Babalon. Independentemente do incômodo da orientação física e sexual a tribuição da porta ou portal (Daleth) ilustra a chave física da fórmula, congresso sexual usando formas divinas polarizadas. O número quatro sugere, mais uma vez, o balanço da fórmula dentro deste arcano e seu poder de manifestar-se nos quatro mundos (quatro,

tettragrammaton, esfinge, etc.)

Identidade : Estrela

A identidade Estrela sugere o fluxo de Amrita em sua pureza. Seu reflexo sendo encontrado nas correntes do arcano da Arte. A Identidade Estrela exibe os mais altos fluxos de Kalas cósmicos comibnados como na Arte, mas totalmente transformados pela força inata da vontade humana.

Sua chave astrológica é o signo Aquário, o fluxo de Kalas numa base macrocósmica que é manifesta nas secreções corporais, que no alfabeto hebraico (letra He) é simbolizado como a Janela do organismo físico (masculino ou feminino). Isto também sugere as possibilidades interdimensionais de fórmula sexual, abrindo uma janela para outras

dimensões através de secreções Kalas programadas.

Papéis Sexuais

Papéis Sexuais é o título do arcano tântrico do Hierofante, onde temos a imagem de balanço sexual como sugerido no andrógino manifesto da personalidade dual como ilustrado neste arcano. O símbolo hebreu do Prego (Vau) sugere o poder fálico do masculino destes papéis mas é contrabalanceado pelo fato de que Vau é seis e sugere o balanço masculino e feminino do Hexagrama. A ênfase astrológica sugere não o balanço de alto e baixo do Andrógino mas a presença deste balanço na vasilha da terra.

União

União é a chave do balanço dos aspectos da sexualidade, interna e externamente. É atribuída a Gemini, os gêmeos, e portanto enfatiza a dualidade em seus trabalhos. Por assim dizer, o uso externo de técnicas sexuais trazendo mudanças internas de consciência. Gêmeos é governado por Mercúrio e portanto vemos que a natureza desta carta é transicional, trazendo a união permanente da dualidade no Magus ou Andrógino de Mercúrio. A imagem associada com a letra hebraica é a Espada, que combina o poder fálico da lâmina com a força feminina da bainha. Mesmo dentro da letra em si, Z-aiyn, vemos a polaridade de Z ou S como a serpente e Ain o vazio do útero cósmico.

Paixão

Paixão é a chave para a Grande Obra, representando a prática das artes tântricas e ocultas que usam o corpo instintivo como um veículo ou carruagem (mercabah) pela qual a Verdadeira Vontade experiencia o Universo. A letra hebraica desta chave é Chet, que, quando totalmente numerada chega a 418, o número da Grande Obra. Seus símbolos são o cercado e a cercania que representa a necessidade de estrutura e controle

sobre os veículos mais grossos, enquanto Câncer sugere o balanço intrincado que demanda seu processo de controle. Como se notará da imagem da chave da Paixão, os quatro animais da esfinge, os poderes da paixão não são controlados por cordas externas mas pelo poder da Verdadeira Vontade.

Ajuste

O arcano do Ajuste representa o processo de ajuste das facetas de nossa experiência sexual para que estejam sintonizadas com os fluxos das correntes aeonicas prevalecentes. A chave é assinalada a Libra, governado por Vênus e com Saturno exaltado. Isto nos dá a chave para interpretar este arcano, Vênus, as energias da paixão são transformadas através do ajuste de acordo às técnicas de magia sexual em uma forma de Libra balanceado, que é levado a Nuit, sendo um de seus guias Saturno ou Babalon. Como será notado esconde-se sob a imagem de Saturno ou Babalon, também, o glifo de Set.

Semente Solitária

A Semente Solitária ou Ermitão é a fase do Louco divino do Espermatozoon, sendo atribuída a Yod, a Mão e portanto sugere a fórmula Alfa, ativando toda Árvore da Vida (Yod=10) através da técnica de controle de imagens. Na mão o Mestre da Semente Solitária é a lanterna, contendo em si o fogo primal do instinto sexual através do qual o Mestre adquire seu poder. Sua atribuição a Virgo sugere perfeccionismo requerido para o

Ermitão ganhar seu prezado status, enquanto seu governante e signo de exaltação sendo Mercúrio, a pureza do elixir ganho desta atividade sendo também sugerida (isto é, Mercúrio, Sattva, Néctar Frio) bem como o conhecimento ganho através do recolhimento e estudo.

A Palma

A palma (Kaph) expande o uso da mão do ermitão. Através da palma da mão o Mago está apto para realizar mudanças no mundo (Roda da Fortuna) através do uso de controle onírico e moldar a realidade (arcano Beta), ilustrados na carta estão as três formas de Gunas que simbolizam a classificação tripla de Kalas e do Sacramento. O arcano é atribuído a Júpiter e portnato sugere a via destas técnicas para que o mago possa dominar as sete sephiroth abaixo das supernais e até mesmo tornar-se o Demiurgo, mas apenas se dissolver as facetas desbalanceadas da personalidade ele poderá cruzar o Abismo. Dentro desta mensagem está o aviso de que um mago

usando técnicas Alfa/Beta solitariamente pode tender a auto-obsessão e egoísmo a menos que trabalhos mais altos como Gamaísmo e Epsilonismo sejam usados. Esta é nossa experiência também.

Luxúria

A carta da Luxúria explica o fogo instintivo que o mago usa.

Relacionado diretamente à chave da Corrente (Shin) mas é diferenciada pelo fato de que naquela ela é formulada internamente, enquanto a corrente é tanto uma micro e uma macro manifestações. É atribuído à letra Teth, cuja imagem é a cobra, que relaciona sua força básica até à da Kundalini. A atribuição astrológica de Leo é importante pois simboliza Sekhmet, a Deusa do Calor Instintivo. Portanto, chegamos a entender que a Luxúria é uma combinação de força instintiva e energias da Kundalini controladas pela

Vontade sob a guia da corrente aeonica. De alguma forma, a Luxúria poderia ser vista como o mais baixo dos Yod triplos ou Shindentro da chave da corrente do Novo Aeon.


Ressurgência Atávica

Esta chave representa o uso de técnicas sexuais para mergulhar no inconsciente. A letra Mem associada a esta carta está relacionada ao conceito de sangue e sugere que a exploração do incosciente é difícil e dolorosa e envolve trazer à tona velhas programações mentais para investigação. Portanto, o Enforcado está pendurado sobre a água ainda que muito de seu corpo não esteja afundado nela. A letra hebraica Mem é

também uma letra mãe, sugerindo a gravidez pela qual o inconsciente existe, os grandes montes de poder que estão contidos dentro de suas formas e ao qual pode ser dada a luz através da Magia Sexual. As crianças desta união são dissolvidas, exterminadas ou deixadas crescer dependendo de sua utilidade, a imagem das crianças aqui, é claro, relacionando-se aos programas inconscientes e quão difícil pode ser destruí-los e ainda, em muitos casos, as programações são como parasitas drenando nossa força vital a partir da superfície.

Orgasmo

Sexo e morte têm sido sempre inter-relacionadas, em Aeons passados experienciamos o sexo através da via de ideal sacrificável para, estando o sexo sob uma capa de pecado. A morte no Novo Aeon é experienciada através do sexo para que a paixão absorva todo medo e nos trasnforme em veículos sexuais vivos. A atribuição de Escorpião sugere a fórmula do Orgasmo, é a serpente Kundalini, mas pronta para dar o bote, sendo esta

mordida letal para o não iniciado e iluminadora para as crianças das Estrelas. Escorpião é governado por Marte, que é o aspecto marcial de Hórus, o Senhor do Aeon. Marte destrói o não iniciado através da guerra e sanguinolência e salva o mago através da paixão e secreções sexuais. As imagens associadas com a letra hebraica Nun são o peixe e a água, portanto sugerindo a relação entre Ojas e os fluidos sexuais, sendo a chave para sua correta utilização a programação do Orgasmo com o poder da Verdadeira

Vontade.

Transmutação

A Chave da Transmutação relata a preparação do Sacramento, onde sua pureza final é alcançada na Estrela. Neste arcano encontramos a Flecha de Sagitário penetrando o Arco-Íris que é formado pelos últimos três caminhos da Árvore da Vida (conhecidos como Qesteth). Este simbolismo sugere o congresso usado e o Amrita coletado “no começo e no fim do arcoíris”.

Na carta vemos a mistura das secreções, sua união no caldeirão (que pode simbolizar uma Yoni ou uma ferramenta separada como o Cálice) e seu poder resultante que é simbolizado pela figura andrógina unindo-as. O andrógino atingiu este estado através do uso da Estrela, cujos primeiros estágios são encontrados na chave da Transmutação (Magus formado pela Estrela, cujas origens são a Arte.)

Bissexualidade

Aqui temos o reflexo mais baixo do andrógino, o Mago Bissexual, as forças da sexualidade dual têm sido estimuladas mas ainda estão sendo refinadas. Portanto sua dualidade é ilusória. Por trás destas imagens estão a perfeição do Eu, o Olho ou Ayinque existe em Ain. O verdadeiro mago é andrógino e usa ambas experiências sexuais com naturalidade como expressões da Vontade Verdadeira. O diabo é uma expressão da crença de que a androginia é composta de funções duais, separadas uma pela outra como na bissexualidade. Esta ilusão só é rasgada quando o mago passa pelo diabo e vai para Ain.

Kundalini

A Torre/Falo é a Kundalini como descrita nos textos hindus, ligada ao Sahasrara através do canal Sushumna na espinha. Este sendo estimulado através do uso de técnicas masturbatórias como visto na Semente Solitária e na Palma e pela fórmula oral como visto em Pe, cuja imagem é a boca.

Inerente ao arcano da Kundalini é o pleno despertar da Kundalini que explode a consciência para uma fase mais alta. Neste entendimento a boca pode também referir-se à coleta de Amrita através da sexo oral a partir do centro da Kundalini manifestando-se nas genitálias durante o despertar da Kundalini. Isto pode ser aplicado para qualquer sexo pois a Torre é inerente ao Sushumna ao invés de ser apenas um apêndice masculino.

Sublimação

O assunto da Sublimação está atracado ao arcano do Imperador. O Imperador liga Netzach a Yesod e representa o uso controlado da paixão e da luxúria alinhadas com a Vontade Verdadeira. Portanto, a imagem relacionada é o Anzol, isto é, o gancho da paixão que fisga o adormecido.

Deve-se lidar com as energias sexuais de uma maneira ou de outra, elas podem ser sublimadas e usadas internamente como detalhado no arcano Delta ou usadas em ritos de magia sexual. Em qualquer caso sua força deve ser reconquistada e usada com cuidado. Na feitiçaria sexual moderna é entendido que a sublimação pura ou uso constante não são as respostas, um sistema cuidadosamente balanceado de magia sexual pessoal baseado no uso de todo o espectro de práticas é o melhor e mais bem sucedido caminho para a iluminação.

Yoni

A Yoni já foi glifada na Alta Sacerdotisa, esta manifestação, entretanto, é mais de Babalon, a imagem sexual de Yoni ao invés da espiritual. Aqui temos a imagem de Qoph, a nuca, onde os impulsos sexuais se originam e a Yoni, onde eles se manifestam. Deve ser compreendido que neste contexto a Yoni refere-se ao ssexo feminino, contudo, suas forças também se manifestam no macho, na região Kanda. Este é um espaço triangular acima da púbis.

Falo

O Falo foi glifado no Andrógino, onde é visto seu papel na consciência unificada. Aqui temos o poder fálico em seu papel sexual ilustrado originando-se nos veios frontais e manifestando-se no falo. Na fêmea é o clítoris.

Corrente

A Corrente é encontrada no poder triplo de Shin, seu símbolo é o fogo divino, a intoxicação do instinto como englobado no impulso evolutivo. É o fogo triplo que reúne o corpo, alma e Vontade e encapsula a corrente no organismo transformado, personagem e Vontade do Humano Superior.

O Corpo

O arcano final é onde tudo está embasado, o organismo físico cuja imagem é o Tau, a cruz de Set. A cruz ou Falo de Set ilustra a extensão de Ain na mais material das realidades e ainda, ao mesmo tempo, permanecendo inerentemente puro e capaz de ascender aos limites da matéria para readquirir seu status espiritual.

Ath

O ciclo está completo.

De Aleph a Tau como entendido nos Mistérios da tradição tântrica do Santuário, o circuito psico-sexual como manifesto nos vinte e dois sigilos.

Se reunirmos as letras Aleph e Tau, o resultado é Aeth ou Essência, a Verdadeira Vontade e essência sexual, os Kalas. Seria até mesmo correto dizer que a manifestação corpórea ou emissário da Vontade Verdadeira é a força dos Kalas ou Ojas, pois através de seu uso podemos viajar de volta àquele rio de instinto e paixão e experienciar novamente a essência primal em sua fonte.

Para completar, oferecemos a seguinte Tabela de Interpretação Tântrica do Santuário dos Vinte e Dois Arcanos do Tarot.


TANTRISMO DO TAROT

Tantra Interpretação Tarot

1. Espermatozoon Eu Anão, Pequeno Eu Louco

2. Andrógino Mestre Andrógino Magus

3. Sacerdotisa A Yoni Sacerdotisa

4. Amor sob Vontade Polaridade e Cópula Emperatriz

5. Identidade : Estrela Amrita Puro, Vontade Verdadeira Estrela

6. Papéis Sexuais Equilíbrio dos Papéis Sexuais Hierofante

7. União Equilíbrio da Sexualidade Amantes

8. Paixão Controle dos Institntos Carro

9. Ajuste Alinhamento com a Vontade Verdadeira Ajuste

10. Semente Solitária Arcano Alfa Ermitão

11. Palma Arcano Beta Roda

12. Luxúria Instinto e Kundalini Luxúria

13. Atavismo Exploração do Inconsciente Enforcado

14. Orgasmo Eros como Iniciador Morte

15. Trasnmutação Sacramento Sexual Arte

16. Bissexualidade Ilusão da Dualidade Diabo

17. Kundalini Kundalini Torre

18. Sublimação Uso Correto do Sexo Emperador

19. Yoni Corrente Lunar Lua

20. Falo Corrente Solar Sol

21. Corrente Fogo do Aeon, Humano Superior Aeon

22. Corpo Organismo Físico Universo


Ath Aleph + Tau Essência

20/12/2010

Os espelhos místicos da monja Hildegarda

Sem nada de lendária, bem enraizada na história, foi em vez disso a mística figura da monja Hildegarda, nascida no ano da primeira cruzada (1098) que se tornou em uma pregadora aclamada em Trier, Mogúncia, Colônia e muitas outras cidades da Alemanha, cujo gênio se expressou não apenas na poética com­plexidade das suas profecias, mas também na música sacra, na prática herbalista c no estudo da natureza. Tem-se a medida de sua fama pelo tom com que o abade de Brauweiler, uma das mais célebres comunidades monásticas da Europa, escreve-lhe suplicando-lhe para "indicar por carta o que Deus poderá inspirar-te ou revelar-te a este propósito [um exorcismo contra um demônio de excepcional poder] mediante uma visão".

E sua vida foi, com efeito, uma inexaurível sucessão de visões, que inspiraram a escritura do Scivias (imperativo que soa Conhece os caminhos [da fé]) e de dois outros livros, Dos méritos divinos e Das obras da vida, obras-primas iniciáticas desti­nadas a provocar diversas disputas teológicas, recebendo por fim a aprovação do papa com o aval de são Bernardo. O grande místico de Claraval lhe havia capta­do o significado profundo, esplendidamente passado através de uma simbologia redundante de preciosas imagens, Como estas que se seguem:

Vi uma figura cujo rosto e pés reluziam com tal esplendor que meus olhos foram cegados. Sobre o traje de seda branca trazia um manto verde magnificamente ornado de gemas. Das orelhas pendiam jóias, tinha braceletes e adereços de ouro fino cravejados de pedras...

Além da interpretação, que indica com tanto brilho a sabedoria preeminente da beatitude divina, este retrato sobrenatural mostra uma magnificência visível que se impõe também pelas qualidades literárias. Assim prossegue a visão:

Vi uma segunda figura. [...] Tinha no lugar da cabeça um esplendor deslumbran­te e no centro do ventre uma cabeça de homem barbudo, de cabelos grisalhos e garras de leão nos pés. Era sustentada por seis asas vertiginosas; duas partiam para trás e subiam acima do esplendor, duas baixavam sobre a nuca, duas desciam pelos quadris até os calcanhares. Se elevavam e distendiam como para alçar vôo. Seu corpo não era coberto de penas, mas de escamas, como um peixe. As asas eram adornadas de espelhos...

Esses espelhos traziam inscrições de significado esotérico cristão, como “caminho e verdade” e “porta de todos os arcanos de Deus”. É a própria Hildegarda que insere em seu texto chaves de interpretação. Os espelhos indicam "os cinco luminares de diferentes épocas: Abel, Noé, Abraão, Moisés e, por fim, o Filho de Deus". Seguem-se explicações complexas sobre a figura coberta de escamas e outros detalhes deste cintilante afresco, que parece querer levar às últimas conse­qüências os horrores e as maravilhas da revelação apocalíptica.

Sobre o fim dos tempos, a vidente de Bingen fornece uma indicação que, lida hoje em dia, evoca medos sinistros, ligados substancialmente ao cenário delinea­do por Malaquias sobre o crepúsculo do papado. Deixou de fato escrito que o Anticristo chegaria a trazer a rebelião e a morte entre os povos "quando sobre o trono de Pedro sentar-se um papa que terá adotado os nomes de dois apósto­los de Jesus”.

Se assim fosse, deveria tratar-se entre nós do breve pontificado de João Paulo I, no ano de 1978.

O extermínio dos "perfeitos"

Além de difundir-se no imaginário apocalíptico, Hildegarda ancorou boa parte das suas profecias ao próprio tempo. Volta a aparecer nesses oráculos a curto prazo a premonição sobre a ascensão na Europa da heresia cátara, que com efeito atingiu sua expansão máxima nos anos imediatamente seguintes a sua morte, ocorrida em 1179.

Aos seguidores desta doutrina de origem maniqueísta, que pregava um radi­cal dualismo entre o reino de Deus e o do demônio, considerado o único prínci­pe do mundo terreno, Hildegarda atribui "pensamentos de escorpião e ações de serpente", anunciando nestes termos a vinda:

Virá um povo seduzido pelo Diabo e por este mandado à terra, com rosto páli­do e postura de grande santidade. [...] Vestirá mantos ordinários de cores desbota­das, com tonsura austera e aparência de serena tranqüilidade. [...] Não manipulará dinheiro e praticará uma tal abstinência que será difícil encontrar nesse povo qual­quer defeito. O diabo estará com eles...

A vidente rechaça assim como hipócrita a propalada austeridade dos cátaros, chamados também albigenses pela sua forte concentração na cidade de Albi, no Languedoc. E, com efeito, eles eram notórios pelo seu desprezo pela vida, da qual se libertavam deixando-se morrer de inanição, Tratava-se efetivamente de um suicídio, que assinalava o coroamento de um rito regenerador, chamado endura.

Esta religião de teor marcadamente místico era administrada por sacerdotes denominados perfeitos pelo rigor da sua existência, que os tornava emaciados e hieráticos.

A profecia de Hildegarda teve imediata confirmação na história. Os cátaros conquistaram enorme poder na França meridional, exportando sua doutrina para muitos outros estados da Europa, sendo por fim exterminados durante uma cruzada feroz pregada contra eles pelo papa Inocêncio III em 1208, que se estendeu num crescendo até 1243, ano da tomada de Montségur, seu último refúgio.

A vidente, que certamente contribuiu com sua profecia para agitar os ânimos contra os cátaros, juntamente com tantos outros pregadores católicos, previu também o fim. "Os príncipes e outros personagens de grande estatura se lança­rão contra eles e os matarão como lobos raivosos", lê-se na predição por ela divulgada, "onde quer que os encontrarem."

E foi o que aconteceu.

Santa Brígida e o oráculo das festas cruzadas

Deve-se a santa Brígida da Suécia (Birgitte Persson, 1303-1373) uma profecia totalmente incomum, vinculada a exatas cadências temporais. Sempre surtia efeitos no calendário se fossem verificadas determinadas condições. Eis o texto, elabo­rado em 1360 e encontrado em uma caixa de chumbo no cemitério beneditino de Nápoles:

"Quando a festa de são Marcos coincidir com a da Páscoa, a festa de santo Antônio com a de Pentecostes, a festa de são João Batista com o Corpus Christi, haverá dificuldades para todo o mundo."

É indubitável que ocorreram dificuldades sérias em 1791, quando a conjunção se verificou, na plena sublevação da ordem revolucionária na França, destinada a provocar conseqüências duradouras em toda a sociedade civil. A santa havia profetizado para aquele ano “a ira de Deus sobre toda a terra”.

As datas voltaram a coincidirem 1848, no decorrer de um dos períodos mais tormentosos do século, quando os movimentos ressurgimentais italianos abala­ram antigos equilíbrios, com resultados sangrentos. Vacilou também naquele ano o poder temporal dos papas, e Pio IX viu-se obrigado à fuga. Brígida tinha previsto para aquela data a revolta de "povo contra povo".

O último enredo funesto das seis festividades se deu em 1943, em meio à mais assustadora guerra de todos os tempos, envolvendo todos os povos da terra. Voltarão a conjugar-se em 2038, ano, porém, que vai além das profecias de santa Brígida, pois prevêem o fim do mundo em 1999, quando "as luzes se extinguirão".

São recorrentes nos oráculos da vidente sueca, transcritos em latim por seus confessores no livro das Revelações, diversos eventos históricos contradistinguidos tanto por valores religiosos quanto políticos. Neste âmbito se colocam as previ­sões, por ela expressas ao atravessar a Grécia em direção à Terra Santa, sobre o fim do império cristão do Oriente e sobre a submissão das populações balcânicas ao jugo otomano.

"O império, os reinos e as senhorias [dos gregos] jamais estarão seguros nem em paz, mas submetidos a inimigos dos quais padecerão danos horrendos e longas misérias."

A tomada de Constantinopla por Maomé II, em 29 de maio de 1453, e a heróica morte em batalha de Constantino IX, último imperador do Oriente, autenticaram a profecia, pouco mais de oitenta anos após ter sido formulada.

Destacam-se, além disso, entre as Revelações surpreendentes acenos à Revolução Francesa, indicada como o movimento que expulsaria "o lírio reinante" (emble­ma da monarquia dos Capetos) para hastear "o signo da impiedade" (a árvore da liberdade). Referências mais específicas permitem individualizar, no contexto de tais profecias, a figura de Napoleão, definido como "a águia que recolherá a coroa perdida do lírio".

"Naquele tempo sairá da ilha [a Córsega, evidentemente] um terrível filho do homem, que traz a guerra no seu valoroso braço, que à frente dos gauleses combaterá itálicos, germanos, russos, ibéricos e turcos, subvertendo cada coisa."

É a epopéia, segundo Brígida, do "filho de um homem obscuro [de nascimento plebeu] vindo do mar". Terá o mérito de "portar o admirável signo na terra da promessa", fará com que os árabes conheçam a cruz, do Egito à Síria, mas provocará grande "tribulação na Igreja de Deus", invadindo Roma e fazen­do o papa refém de seus soldados (Pio VII, 1809).

"Ai de nós, quando o filho [do homem escuro] sentar-se no trono do lírio."

O interesse de tais profecias reside nas descobertas realizadas com séculos de distância, mas deve-se dizer que Brígida da Suécia gozou de notável popularidade em vida por suas extraordinárias visões, com freqüência destinadas a funcionar como advertência e como conselho sobre o comportamento de papas, príncipes e reinantes. Teve grande significado a mensagem com que induziu Gregório XI a romper a "escravidão avinhonesa", regressando a Roma.

O papa tergiversava contra as expectativas de toda a cristandade, e então Brígida, agora à beira da morte, comunicou-lhe ter sabido numa visão da Madona que ele morreria se não levasse o papado de volta a Roma.

"Bem pouco poderá rejuvenescê-lo a ciência dos médicos, nem o ar puro da sua terra", dissera sobre ele a Virgem, segundo Brígida, "se não se decidir a regressar."

Impressionado, o papa apressou-se a seguir a ordem "da Madona", levando o trono de Pedro de volta a Roma em 1374, após humilhantes sessenta anos de exílio na França. Brígida partiu pouco depois, em sinal de santidade não só pelas suas profecias, pelas visões recebidas em êxtase e outros fenômenos místicos que protagonizou, mas também pela intensa obra de caridade que desenvolveu no extremo norte da assolada Terra Santa, por suas peregrinações apaixonadas e pela fundação, enfim, da ordem do são Salvador, chamada "das brigidinas".

A druidesa e Diocleciano

A druidesa e Diocleciano

À classe das sibilas nórdicas, de religião céltica, deve-se acrescentar uma certa druidesa de Tongres, florescente cidade da Gália belga à época da dominação romana, nas proximidades da atual Liège. Merece ser recordada, tanto por ser ignorado seu nome quanto pela particularidade da profecia que lhe foi atribuída.

Era o inverno de 270 d.C. e notáveis contingentes de tropas romanas estavam aquartelados em Tongres à espera da primavera. Alguns legionários se haviam alojado numa taverna no limiar do bosque, onde os druidas, sacerdotes da reli­gião céltica local, costumavam celebrar seus ritos. Havia entre estes soldados um dálmata de bela aparência e físico robusto, com cerca de 25 anos de idade. Estava taciturno, isolado dos outros, comendo uma refeição frugal. Frugal demais — ou pelo menos assim pareceu à mulher que o observava curiosa das sombras, como atraída por um misterioso chamado — para um jovem de tanto vigor físico.

Assim, quando o legionário terminou a refeição e pagou a conta com uma moeda de cobre, a mulher dirigiu-lhe a palavra com uma ponta de ironia, como para chamar-lhe a atenção.

Tu és sovina — disse. O legionário se virou, fitando-a nos olhos. A tradi­ção diz que se tratava de uma bela mulher, de físico imponente, e que se vestia da maneira excêntrica dos magos celtas. O jovem dálmata viu-se então diante de uma criatura de ar selvagem e cabelos escorridos sobre os ombros, como convinha a uma freqüentadora da floresta sagrada, que provavelmente envergava "um curto manto negro zebrado de bandeirolas vermelhas, caindo sobre calças largas de flanela branca, e botas de couro, também brancas", cobrindo os ombros com "uma mantilha de lã grossa com xadrezes vermelhos".

Os circunstantes pareciam demonstrar um grande respeito por essa mulher de ar tão pitoresco e uma particular curiosidade pelo que tinha dito. Por isso fez-se um grande silêncio na taverna, rompido apenas pelo crepitar do fogo e pelo uivar do vento lá fora.

O legionário então, sentindo-se o centro da atenção geral, respondeu à mulher com igual ironia:

Serei mais pródigo — disse — quando me tornar imperador.

- Serás imperador - rebateu ela de imediato, continuando a fitá-lo —, quando matares o javali.

Ao dizer tais palavras, a mulher saiu e desapareceu na noite.

— Quem era? — perguntou o soldado aos presentes.

- Uma sacerdotisa que vive na floresta — responderam. — Passa todo o seu tempo debaixo de um carvalho sagrado, à espera das revelações divinas. Os deuses a usam para dispensar seus conselhos aos homens. Nunca se equivocou.

— Quando acontecer o que ela predisse — concluiu um outro —, lembre-se de Tongres.

A partir daquele momento, começou para o jovem dálmata, que se chamava Diocles, uma incessante caça ao javali. Onde quer que se encontrasse, dedicava-se a isso com um zelo maníaco, matando uma dezena deles. Nada, porém, acontecia que pudesse fazê-lo pensar, por mais remotamente que fosse, no cumprimento da profecia.

Sendo um bom servidor do Estado, dotado de um forte espírito militar além de coragem, ia sendo promovido, subindo na carreira. Mas não bastava acumular funções — por mais prestigiosas, como aquela de administrador do palácio imperial — para poder considerar crível a eventualidade prevista pela druidesa.

Os imperadores se alternavam em uma sucessão de delitos, e ele estava sem­pre junto a eles, mas sem levar qualquer vantagem. Caíram Aureliano, Tácito, seu irmão Floriano, Probo, Caro, seus filhos Carino e Numeriano, todos assassina­dos. Mas somente na morte deste ultimo, em setembro de 284, em Calcedônia, Diocles teve a iluminação decisiva.

O jovem imperador tinha sido de fato apunhalado por seu padrasto Aper, que significa justamente javali. Era ele então a besta que teria de sacrificar para subir ao trono. Diocles (que havia latinizado o seu nome para Diocleciano) o fez pessoalmente, e o exército o aclamou imperador,

Seu reinado foi funesto para os cristãos, que por dez anos sofreram persegui­ções cruéis.

CABALA - ASPECTOS DO OCULTO

ASPECTOS DO OCULTO

MUNDOS ALÉM DA MENTE

D

entre os vários sistemas de estudo e consecuções mágico-místicas, aquele que, provavelmente, nos oferece as melhores lições, adaptando-se às características do Ocidente é, sem dúvida, a Cabala.

Mas o que é a Cabala? Esta é a primeira questão que se ergue, quando ouvimos referências sobre este Ramo do Esoterismo.

O assunto torna-se ainda mais intrigante ao sabermos que grande parte das Ordens Iniciáticas, principalmente as ditas maçônicas (1), se desenvolveram baseadas na Cabala, que aparece como a chave de todos os rituais destas ordens, inclusive os da Igreja Romana, como torna-se obvio a qualquer estudante não minado pelo fanatismo religioso.

A Cabala, a grosso modo, pode ser definida como sendo a Doutrina Esotérica Judaica (2).

A palavra Cabala (3), soletrada em hebraico é QBLH, derivando-se da raiz QBL, Qibel, significando “receber”. Isto refere-se ao fato ( assim é dito ) de que o Conhecimento Cabalístico é sempre transmitido oralmente.

Quanto às origens da Cabala, por mais que nos aprofundemos em pesquisas, jamais teremos respostas concretas a respeito. Mas, entre várias hipóteses, é dito que a tradição foi criada e desenvolvida durante seis mil anos de civilização nas terras de KHEM (Egito) (3). Naqueles gloriosos tempos, quando os “deuses” andavam pela Terra, a tradição era conhecida como PAUT NETERU (Nove Divindades). Em seguida, ao perceberem o início da decadência do Grande Império Camita, os iniciados resolveram transmiti-la aos Caanitas.

Deixemos, entretanto, estas ‘lendas’ de lado por enquanto. O que mais nos interessa no momento é que, no Sistema Ocidental de Iniciação, a Cabala tem sido usada com sucesso por muitos séculos e que contém o mais conveniente e seguro corpo de correspondências jamais concentrado em um só e simples grifo. As divisões e subdivisões representadas pelas Dez SEPHIROTH e os VINTE E DOIS CAMINHOS compreendem o inteiro Universo.

Existem vários meios de exegese cabalista. Os principais seguem regras concisas. Algumas destas regras são de grande importância.

O princípio formal estabelece que, uma vez o profundo significado de uma palavra ou frase seja estabelecido, ela passa a ter o mesmo significado através de toda uma escritura. Isto aplica-se também aos números, letras, abreviações e leis. Por exemplo: de acordo com esta regra, a expressão “SERPENTE DO PARAISO” pode ser entendida como sendo as BIOENERGIAS QUE ASCENDEM PELA COLUNA DORSAL EM ESPIRAIS DURANTE CERTAS PRÁTICAS OCULTAS. Seguindo o princípio acima, todas as serpentes citadas na Bíblia são metáforas para estas energias flamejantes do corpo humano (4).

Em Gênesis, 49:10, Jacob dirige-se à seu filho dizendo: “venha SHILOH...” (IABO SHILOH). Shiloh é primeiramente mencionado por Jeshuah, que construiu um povoado anfictiônico no sítio ao redor do TABERNÁCULO. O quanto sabemos a respeito deste povoado não nos oferece qualquer significado metafórico do termo Shiloh. Os cabalistas encontraram a resposta do seguinte modo: a frase “Venha Shiloh” tem como soma total 358. Existem duas outras palavras com idêntica numeração: SERPENTE e MESSIAS (NChSh e MESSIAH ), que nos ajuda a explicar o significado alegórico de Shiloh.

O termo Serpente foi antes explicado como uma palavra código para as bioenergias que em seu movimento de subida lembram os populares desenhos espiralados do DNA, e melhor ainda, a Serpente do Bastão de Hermes (Mercúrio-Thot), mensageiro dos Deuses Gregos, e nos lembra também a SERPENTE DE BRONZE erguida por Moisés no deserto ( Números, 21:6-9).

Durante a subida através do corpo, estas energias serpentinas entram no coração (Chakra Coronário), onde despertam um Poder chamado MESSIAH. NO sagrado Livro do Zohar está escrito que o Messiah tem que primeiro erguer-se no coração do homem.

Vejamos outro exemplo: A palavra ADONAI (AD-ON-AI) que os irmãos do Quarto Grau da maçonaria Osiriana conhecem, mas não sabem o que significa, escreve-se em hebraico ADNI, valor numérico 65, 6+5 = 11, o número da Magia e o total das Sephiroth (Contando com DAATH) na Árvore da Vida; a união do Hexagrama com o Pentagrama; isto é, o Macro e o Micro reunidos, fazendo UM SÓ. Em uma mais profunda interpretação, temos que os iniciados Gnósticos transliteraram a palavra para implicar suas próprias fórmulas secretas. ON é o Arcano dos Arcanos, seu significado é ensinado gradualmente aos Aspirantes da REAL ARCA DE ENOCH. Também AD é a fórmula paternal, HADIT; ON seu suplemento, NUIT; o YOD final etimológicamente significa “MEU, e essencialmente significa a semente mercurial ( transmitida), virginal e hermafrodita – O EREMITA do Tarot . O nome é, pois, usado para invocar o ARCANO PESSOAL mais íntimo, considerado como resultado da conjunção de NUIT ( O Infinito Grande) e HADIT (O Infinito Pequeno). Se o segundo “A” está incluído, sua importância consiste em afirmar a operação do ESPÍRITO SANTO e a formulação do BEBÊ NO OVO que precede a aparição do Eremita.

Diz-nos Crowley: “A Cabala, isto é, a Tradição dos Judeus, concernente à interpretação iniciática das escrituras deles, é, em sua maior parte, ou ininteligível ou tolice. Mas ela contém como seu esqueleto a mais preciosa jóia do pensamento humano; aquele arranjo geométrico de nomes e números que é chamado de ÁRVORE DA VIDA Eu o chamo de precioso porque tenho verificado que é o método mais conveniente, até agora descoberto, de classificarmos os fenômenos do Universo e de registrarmos as relações entre eles”.(5)

A ‘Arvore da Vida contém Dez SEPHIROTH e Vinte e Dois Caminhos, perfazendo as TRINTA E DUAS PORTAS DA SABEDORIA. Entretanto, aí existe um Véu. Não são somente Dez Sephiroth, mas ONZE – DAATH, que quase nunca é mencionada nos compêndios (porque não interessa a muitos) a respeito da Cabala, é a invisível Porta que dá acesso às TRÊS SEPHIROTH SUPERNAS (KETHER, CHOKMAH E BINAH). Assim, temos a soma TRINTA E TRÊS (11+22) que nos fornece as chave dos Trinta e Três Graus da Maçonaria e, como todos devem ter notado, a idade de IHShVH, isto é, o Magus do AEON de OSIRIS.

A Árvore da Vida é, por assim dizer, uma chave cabalística no senso místico e mágico. Numerosos livros t6em sido escritos a respeito da Dez Sephiroth e dos Vinte e Dois Caminhos, desdobrados pela consciência humana, em sua tentativa de compreender os poderes macrocósmicos em termos de valores microcósmicos.

O ocultismo no Ocidente, entretanto, vem sendo dominado por interpretações que somente tomam em consideração o aspecto positivo deste grande símbolo. O outro lado, o negativo (6), ou avesso da Árvore, tem sido mantido velado e maliciosamente ignorado. Mas não existe dia sem noite, e o SER, Ele mesmo, não existe sem referência ao NÃO-SER, do qual é a inevitável manifestação.

Qualquer alusão a este aspecto da Árvore da Vida e seus Ramos tem sido classificada sob oprobiosos cabeçalhos ou relacionados ao infernal domínio dos Qliphoth, o mundo das “cascas” ou “sombras”, que não é outro senão nosso mundo, tal como o conhecemos, sem a Luz transformadora da Consciência Mágica.

Assim sendo, a total Iniciação não será possível sem o entendimento dos Caminhos Qliphothicos, que são, na prática, tão reais quanto a sombra de qualquer objeto iluminado pelo sol. Em outras palavras, os Caminhos Luminosos de Horus, os Caminhos que o homem tem projetado para conectar as Zonas-de-Poder Cósmico (Sephiroth) com sua própria consciência, possui suas contrapartes nos Túneis de Seth, uma obscura teia, ou noturna rede de Caminhos, cuja existência é ignorada por esses que são incapazes de perceber a total complexidade da Árvore, mas percebida mesmo àqueles que atingiram seus mais baixos Ramos. É falso e fútil imaginar uma moeda com somente uma face. Pessoas que assim tentam imaginar, jamais poderão descobrir os segredos do Universo que, na realidade, são os seus mesmos segredos. Somente depois de dominar o mundo das sombras dentro de si mesmo, na forma de arqui-demônios, luxuria, ódio e orgulho, é que o homem poderá realmente clamar-se o Senhor dos Discos Luminosos, a Sephiroth.

As Sephiroth eram descritas pelos antigos Cabalistas, e por alguns dos atuais, como sendo divinas emanações do Absoluto. A Palavra Sephiroth é o plural de Sephira, significando “número” ou “emanação”. As Dez Sephiroth representam a emergência de AIN (O Nada que está além da Unidade) via a escala numérica de Um a Nove, e seu retorno ao Nada via Malkuth onde a Unidade (1) torna-se Nada (0) outra vez.

Como os leitores devem ter percebido, existem certos fatos relacionados com a Cabala que necessitam ser ventilados antes que possamos obter uma melhor compreensão deste Sistema, como também para evitar andar em círculos e becos sem saída, causados por distorções e deturpações que, num passado não muito remoto, impediram o avança da evolução humana, neste particular assunto nos últimos dois mil anos.

Contudo é necessário alertar que estes erros não ocorreram de acidentes fortuitos, mas sim provocados deliberadamente, fazendo parte de maquiavélico plano no qual o homem viu-se envolvido inconscientemente. Grupos, os mais diabólicos, deturpando alguns Arcanos, pretenderam, e ainda pretendem, usurpar não só o poder religioso, mas também o mágico, e, através destes, manipular o destino do Planeta. Muitos questionarão o porque disso, ou melhor, qual o intuito desses que elaboraram o plano. Existem pistas espalhadas por toda nossa História, as quais os mais perceptivos, ou os de fato Iniciados, poderão Ter idéia do porque.

Entretanto, como deveria se tornar obvio a esses grupos, o plano jamais teria êxito por muito tempo, e está se desmoronando no presente AEON, malgrado os desesperados esforços deles em mante-lo de pé.

A ardilosa maquinação elaborada pela, assim chamada, A GRANDE FEITIÇARIA, falha em um detalhe: sendo a Lei da Evolução Universal perfeitamente dinâmica e elástica, ela contém várias subdivisões de desordem, de imperfeições; mas também de salvaguardas, agindo automaticamente quando a Vontade Maior é atingida pela vontade menor, interferindo além dos limites estabelecidos.

Também esse assunto, sendo de suma importância para uma melhor compreensão do Grande Quadro e, obviamente, das causas de nossos males, deve ser estudado e analisado demoradamente.

Quando isso for feito, veremos que aquela falha no plano e esses males são, eles mesmos, perfeitos exemplos do funcionamento das salvaguardas: a falha produz sofrimento e, sofrendo, o homem busca respostas e, nessa busca, encontrará, mais cedo ou mais tarde, a chave do GRANDE ARCANO, anulando a ação nefasta daquela organização diabólica.

Depois da Yoga, a cabala é o mais propalado Sistema de Iluminação no Ocidente, porém um dos menos compreendidos.

Na maior parte das vezes, as pessoas interessadas nesta Ciência perdem-se no amaranhado de superstições derivadas daí.

Todo o segredo, o próprio coração do Edifício Cabalístico, está contido na Árvore da Vida; e é mediante o certo e adequado uso desse glifo que conseguimos atinar com realidades subjacentes a toda complicação que a Cabala pode parecer aos menos esclarecidos. A Árvore da Vida simboliza o inteiro Universo (Macro e Micro), uma proposição tão vasta em suas implicações que muitos chegam a duvidar da existência de um tal simbolismo.

A Árvore é um diagrama composto por dez esferas chamadas Sephiroth, e vinte e duas linhas conectando estas esferas, e que se chamam Caminhos. Normalmente a Árvore é mostrada em duas dimensões, mas também existem representações em que ela aparece em três dimensões.

Existem dois métodos básicos de consecução espiritual baseados no uso direto da Árvore da Vida: MEDITAÇÃO e RITUALISMO. Seguindo esses dois processos, o homem logrará atingir o Coração da Árvore, o Centro Crístico Nele Mesmo – TIPHARETH – onde terá a Visão e Conversação do Sagrado Anjo Guardião (ADONAI, no linguajar cabalístico) sendo das mais transcendentais experiência que o homem pode ter.

Os dois métodos acima referidos – meditação e ritualísmo – na realidade são um, e fundamenta-se na mais rigorosa disciplina interna e externa (disciplina mágica), cuja finalidade é obter o completo controle do princípio pensante, o RUACH. Com essa faculdade sob controle, o Aspirante exalta gradualmente seu ser por várias técnicas ritualísticas: invocações, evocações, vibração dos nomes divinos, identificação com as imagens telesmáticas ou místicas, adoração, entrega, etc. No final ele percebe que todas as técnicas perfazem UMA SÓ.

Assim trabalhando, ele transcende o que ele é no atual, ou melhor, o que ele pensa ser, ascendendo pelas SEPHIROTH até atingir (teoricamente) KETHER. Esta subida realiza-se pela COLUNA DO MEIO, ou o CAMINHO DO MEIO, isto é, a Coluna Central da Árvore, formada por MALKUTH, YESOD, TIPHARETH, DAATH e KETHER. No Sistema Oriental isto equivale ao Canal Shushuma, por onde eleva-se KUNDALINI. Na Tradição Greco-Romana, o Caduceu de Hermes (Mercúrio-Toth) é o símbolo do segredo, tanto quanto a Serpente de bronze erguida por Moisés no deserto.

Evidentemente, pode-se usar os outros Caminhos laterais, as duas Colunas laterais, que na maçonaria recebem os nomes de BOOZ e JACHIN (7).Antes de usar os métodos prescrito pela Cabala prática, o Aspirante deverá lograr perfeito conhecimento dos diversos Nomes Divinos, posições relativas das Sephiroth e, ispso facto, no seu próprio veículo psicossomático, atribuições simbólicas, ligações (Caminhos), relações com outros sistemas, cores atribuídas a cada Sephira e a cada Caminho nos Quatro Mundos, etc. Como dito por Eliphas Levi: “é um brinquedo de criança e um trabalho de gigante”.

Após estas considerações, o Aspirante procederá à meditação que, diferentemente daquela do Yoga, é essencialmente dinâmica, consistindo naquilo que vulgarmente se denomina Viagem Astral, usando como referências para a ‘viagem’ aqueles símbolos, nomes, cores, imagens, etc.

A ritualística requer, por parte do Estudante, preparações externas e internas, principalmente um profundo desejo em realiza-la. A construção do Círculo Mágico torna-se imprescindível nesta fase inicial, e nenhum magista de bom senso o descartará, sob risco de se tornar presa de forças desequilibradas. Dentro do Círculo, o magista traçará figuras geométricas correspondentes à Sephira com a qual deseja trabalhar, e outros símbolos adequados como cores, nomes divinos, perfumes, etc. Exemplo: digamos que ele decida trabalhar com GEBURAH. Esta Sephira, a Quinta, tem estreita relação com Marte, Horus, Thor, etc. (8). Sua cor é o vermelho, e a estrela de cinco pontas seu símbolo máximo. O Magista então, traçará um pentagrama no interior do círculo e, na circunferência usará os nomes divinos apropriados. O pentagrama terá a cor vermelha e o círculo será verde (cor complementar), etc. Colocando-se no centro do círculo, o Magista procederá às invocações ou evocações, e usará seu corpo astral para tal fim.

Assim descrito, o processo, parece fácil. Mas ele requer um perfeito entendimento do que se está fazendo, perfeito controle sobre seus aspectos mais inferiores, perfeita concentração, tempo, dedicação, exaltação de todo o ser do magista, etc.

Outro método para se obter os mesmo resultados é chamado de Identificação. É o método do místico. O livro “Exercícios Espirituais” de Inácio de Loyola, é um dos textos mais perfeitos que trata do assunto e deve ser estudado com seriedade.

Para melhor visão do que agora vai ser dito, devo lembrar que as Três Sephiroth Supernas (Kether, Chokmah e Binah) encontram-se separadas das demais por uma espécie de “vazio” chamado ABISMO, UMA VERSÃO DO VÉU DE PAROKETH num plano mais elevado.

A Árvore da Vida, sendo normalmente figurada com as Dez Sephiroth conhecidas, na realidade, como já dito, possui ONZE, embora a décima primeira – Daath – seja citada pelos Cabalistas como uma falsa Sephira, porque ela não possui, por assim dizer, lugar no esquema da Árvore. Na realidade ela está “fora” da Árvore se olharmos o problema sob certos aspecto.

Um dos significados dados a Daath é “CONHECIMENTO”. Em um aspecto, esta Sephira é o fruto de Chokmah e Binah; em outro, é a Oitava Cabeça do Dragão, elevada quando a Árvore da Vida foi “arruinada” e o Macroposopus (Grande Face) colocou a Espada Flamejante contra o Microposopus (A Pequena Face). Por permutação, DOTH (Daath) equivale a OthD, outra palavra hebraica para CARNEIRO ou BODE; também é o número da palavra DUO (Dois). O DUPLO ou DUBLE é a imagem, boneco, ou SOMBRA, velado pelos antigos egípcios pelo TAT que equivale a Doth. Daath também é o Palácio de CHORONZON, o Guardião do Portal do Abismo. Unindo estes vários significados, vemos que o Conhecimento de Daath, ou “Morte” (Death, em Ingles), é de natureza do Segredo da DUALIDADE, representada pela Sombra ou Duble Mágico, através do qual o homem sobrepuja a morte, penetra pelo Portal de Daath e explora o Palácio de Choronzon, o Deserto de Seth.

Daath, como fruto de Chokmah e Binah (10), está atribuída a URANUS, que indica a natureza altamente explosiva deste Conhecimento. Netuno, assim como Chokmah, é uma forma de Hadit; e Saturno, da mesma forma que Binah, é uma forma de Nuit. Este Conhecimento, portanto, é o Conhecimento da Vida e também o é da Morte e, como tal, sugere a natureza sexual da fórmula.

No Sistema Oriental dos Chakras, Daath está atribuída ao Centro Laríngeo (O Centro da Palavra) – VISHUDA. Este centro representa a fala, mas a PALAVRA, no seu senso oculto da Verdadeira VOZ (MAKHERU), somente pode ser pronunciada por um MAGUS, cuja natural Casa é a Segunda Sephira, Chokmah. O II (dois) e o 11 (onze) encontram-se, assim, em Daath, a Esfera de Conhecimento, pois Conhecimento somente é possível onde a dualidade (dois, duo, II, 11) prevalece.

Daath é uma Porta. Nós sabemos que a letra DALETH, o número 4, significa “Porta” e está atribuída a Vênus, a Deusa do Amor Sexual, como a Porta de toda vida manifestada; e a Porta Venusiana está simbolizada por uma VESICA (KTEIS).

Para alcançarmos Kether, a Suprema Coroa, urge ultrapassarmos o Dualismo, isto é, Conhecimento, e isto torna-se difícil enquanto possuímos um ego. Esta passagem, este transcender, conhecido como A ATRAVESSIA DO ABISMO, quer dizer ultrapassar a dualidade, o ego. Lá, do outro lado, se é que podemos usar tal expressão, não existem os pares de opostos, tais como preto e branco, alto e baixo, luz e trevas, frio e quente, etc. Lá é a morada de NEMO (Nenhum Homem). Lá, TUDO É UMA SÓ E ÚNICA COISA, O UM INDIFERENCIADO.

No transe da passagem do Abismo, situa-se o maior e mais terrível medo do ego humano. Pois, para transcender o Abismo e atingir as Supernas, ele terá que ser destruído> “Se não te tornares outra vez uma criança e voltares ao útero de tua mãe, não verás o Reino dos Céus”. Isto pode, a grosso modo, ser colocado em termos da Segunda morte da teologia romana.”

Apresenta-se também como um dos paradoxos do Caminho Iniciático; o ego, após incríveis dificuldades para se aperfeiçoar, tem que ser destruído. Torna-se, portanto, compreensível que aquela parte do homem em mudança tema deseperadamente e se rebele contra o fato, e procure algo que explique o paradoxo em termos racionais. Não podendo encontrar explicações, atribui logicamente que sua penas sejam provocadas por alguma força maligna, destrutiva e oposta à divindade. Porém, o Universo não pode ser explicado em termos da razão, ou do intelecto, pois, tanto a razão quanto o intelecto, trabalham sob o poder da dualidade, que é uma mentira no Drama Universal. “A loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens”.

Usando um pouco de poesia, poderíamos afirmar que a beleza de uma árvore, a harmonia nela existente, está na manifestação total de seu conjunto, isto é, seus ramos, flores, frutos, tronco e suas RAÍZES, muito embora sejam estas últimas invisíveis ao olhar do observador superficial e desatento. Entretanto, sem a raízes, a árvore não se manteria completa e de pé. As raízes estão profundamente mergulhadas na terra negra, no seio da Mãe, do mesmo modo que todo edifício possui seus alicerces fortemente estabelecidos sob o solo; e quanto mais profundo for este alicerce, esta base, mais alta e mais firme estará a estrutura edificada. Pensem nisto...

É patético que qualquer referência ao aspecto avesso ou negativo da Árvore da Vida tenha sido identificado com o “reino do Diabo”. Somente broncos ou maliciosos possuem essa religiosidade tão primitiva.

Sob o ponto de vista iniciático, que é o único que nos interessa no momento, o homem não se encontra em Malkuth, mas sim nos Qliphoth. Sob esse mesmo ponto de vista, não haverá total e completa Consecução Espiritual sem o direto contato e domínio dos, assim chamado, Reis do Edon (Qliphoth). Necessitamos compreender que os Qliphoth são partes integrantes e inseparáveis do conjunto da Árvore da Vida, da mesma forma que nosso anus e nosso pênis (ou vagina) fazem parte de nosso corpo e que estaremos mal de saúde se estas partes não executarem suas funções biológicas livremente. Os Qliphoth são a outra face das Sephiroth, e estas duas faces constituem, usando um velho clichê, uma só moeda.

Qualquer estudante (seja mação, teósofo, etc.) que escolhe (na verdade o mação não tem escolha) o Sistema Cabalístico, ou qualquer outro sistema para seu trabalho oculto, forçosamente encontrar-se-á com os Qliphoth, pois não existe qualquer maneira de evitá-lo. Na própria fábula romana, Jesus teve que descer aos Infernos...

O acima dito não quer significar em absoluto existirem duas Árvores da Vida, uma superior, sob o comando de “deus”, e outra inferior sob o comando do “diabo”. A filosofia maniqueista copiada pela Igreja Romana foi uma dessas superficiais tentativas de interpretar os fenômenos do Universo. Não existe Bem e Mal absolutos em constante luta pela posse do Cosmo. Uma “lado negro” da força, combatendo um “lado branco”, é assunto onde toda a superstição e deturpação da teologia ocidental é manipulada para reforçar o plano da Grande Feitiçaria. Isis, Seth, Osiris, Typhon e Horus são manifestações personalizadas de uma só e Única Energia. Somente após pleno conhecimento e domínio dessas forças amorais (nem morais e nem imorais) existentes dentro de nós mesmos – sob a forma de deuses, demônios, anjos, etc. – é que o ser humano transcenderá as condições do mundo onde tem sua atual existência, tornando-se, ele Mesmo, Um com a Divindade, um Mestre dos Mistérios.

Lidar com os Qliphoth constitui perigo na medida que não haja clara perspectiva do assunto. Independente disso, devemos entender que tudo é projeção de nossas mentes, que o Universo espelha esta mente com seus sonhos, temores, alegrias, medos, tristezas, ambições, etc. Luta e perigo existem em todas as partes. Existe perigo até no atravessar de uma rua, mas nem por isso deixamos de atravessa-la.

Se o Universo não se apresentasse sob esse dinamismo, sem esses desafios, sem esta excitação, sem os incentivos naturais, não haveria evolução. O Universo é um FLUIR ETERNO. Não existe tal lugar como o céu católico romano ou protestante, estático, onde se descansa indefinidamente cercado de anjos tocando harpas, e mil virgens cantando. Que coisa sem cor...

Iniciar-se é viajar internamente nos mais profundos estratos da Alma, entrando em contato com tudo que existe, dentro e fora de nós. Isso chama-se Bodas Químicas. Todo ocultista que evita essa salutar viagem, esse salutar casamento, essa união com as Energias Cósmicas, está, obviamente construindo castelos de areia.

Os Qliphoth, tais como as Sephiroth, são partes e “artes” de nós mesmos. Portanto, além de tolice, é impossível fugir do encontro com as regiões as quais, na realidade, estamos constantemente em contato.

A partir do momento em que o homem opta pelo Caminho da Iniciação, automaticamente tem começo o processo do despertar dessas energias, bem como elas iniciam o trabalho para o qual foram destinadas. Ao darmos exagerado valor ao perigo nesses Caminhos, despertamos o medo, e o medo constitui, por si só, a maior barreira no Caminho da Iluminação. É estupidez o temor à morte, à loucura, ou à perda da Alma. A lenda que diz ser possível vender a Alma ao diabo é pura tolice, invencionice de mentes desequilibradas. Mesmo admitindo-se a existência de um tal ser, o homem não poderia, em hipótese alguma, vender sua Alma, pois ela é UNA COM A DIVINDADE que se manifesta sob a máscara da personalidade destinada a desaparecer pelo processo iniciático. A Alma, parte divina do homem, jamais pode ser destruída.

No decorrer de suas vidas, a maioria das pessoas jamais se deu conta de que, muito além do Universo dos processos mentais considerados normais, existem outros tantos Universos completamente desconhecidos por nossa parte consciente, contendo em si mesmos mundos tão vastos e tão amplos, que tona-se difícil falarmos deles, ou descrevermos suas dimensões, sem recorrermos a um exótico linguajar simbólico. A chave deste linguajar vamos encontrar na CABALA.

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