08/06/2012

História das Ervas e Condimentos
















No momento em que o primeiro ser humano surgiu no planeta, as plantas já existiam havia mais de 400 milhões de anos. Da forma como os conhecemos hoje, os primeiros vegetais apareceram durante a Era Paleozóica, no período Siluriano. Eles evoluíram a partir dos organismos eucariontes fotossintetizantes, uma espé cie de algas primitivas.
O homem moderno, o Homo sapiens, só ganhou forma e vida cerca de 50 mil anos atrás.A partir de então começou a fazer uso das plantas. Há registros antigos, como desenhos em cavernas, escritos e símbolos, que revelam uma ligaç ão muito íntima do homem com a natureza, principalmente com as plantas. As plantas também sempre tiveram um papel muito importante na cultura, religião, medicina, esté tica e alimentaç ão dos povos. Em relatos e documentos antigos, elas eram designadas como "dá divas dos criadores" e vistas com grande respeito e admiração por muitas civilizações.Nos rituais da antigüidade, os chamados "Iniciados no Mistério" eram preparados, durante longos períodos, com a ingestão de ervas, além de banhos e inalaç ões por meio de incensos feitos de plantas consideradas má gicas. Acreditava-se que, usando essas técnicas, o corpo, a mente e o espírito dos magos e sacerdotes estariam purificados para a comunicaç ão direta com os mundos superiores.
Com o passar do tempo, o estudo da botânica evoluiu, pois o homem foi desenvolvendo um senso aguçado e, aos poucos, classificando e catalogando as espécies em função de seu uso para os mais diversos fins. Essa classificaç ão se tornou possível, a princípio, pela observação direta da forma das plantas: o formato das folhas, dos caules ou troncos e das raízes.
As espécies tidas hoje como medicinais ou tóxicas começ aram a ser classificadas pelo uso prático dos antigos habitantes da Terra. Muitas vezes, uma planta medicinal era descoberta simplesmente por apresentar uma morfologia semelhante a alguma parte do corpo humano e, assim, associada a ele no processo de cura.
As ervas aromá ticas, em especial, devido aos seus poderosos óleos essenciais, também foram empregadas desde o início dos tempos para a elaboraç ão de cosmé ticos naturais, perfumes, dentifrícios e sabões. A mirra, o benjoim e a lavanda, por exemplo, já eram usados havia milhares de anos em perfumes e aromatizantes raros. A sálvia era utilizada para branquear os dentes: bastava criar o há bito de mascar suas folhas.
Cada civilizaç ão, em cada parte do mundo, foi compilando suas diferentes experiências de forma empírica, deixando acumular até os nossos dias um vasto e inestimável conhecimento sobre as ervas, em grande parte comprovado pela ciência moderna.


Brasil

As plantas e os primórdios da colonização

O Brasil tem uma das mais ricas biodiversidades do planeta, com milhares de espécies em sua flora e fauna. Possivelmente, a utilizaç ão das plantas – não só como alimento, mas também como fonte terapêutica – começou desde que os primeiros habitantes chegaram ao Brasil, há cerca de 12 mil anos, dando origem aos paleoíndios amazônicos, dos quais derivaram as principais tribos indígenas do país.
Pouco, no entanto, se conhece sobre esse período. As primeiras informaç ões sobre os há bitos dos indígenas só vieram à luz com o início da colonização portuguesa, a começar pelas observações feitas na Ilha de Santa Cruz pelo escrivão Pero Vaz de Caminha, da esquadra de Pedro Á lvares Cabral, em sua famosa Carta a El Rei D. Manuel.
Um pouco mais tarde, entre 1560 e 1580, o padre José de Anchieta detalhou melhor as plantas comestíveis e medicinais do Brasil em suas cartas ao Superior Geral da Companhia de Jesus. Descreveu em detalhes alimentos como o feijão, o trigo, a cevada, o milho, o grão-de-bico, a lentilha, o cará , o palmito e a mandioca, que era o principal alimento dos índios. Anchieta citou também verduras como a taioba-roxa, a mostarda, a alface, a couve, falou das frutas nativas como a banana, o marmelo, a uva, o citrus e o melão, e mostrou a importância que os índios davam às pinhas das araucárias.
Das plantas medicinais, especificamente, Anchieta falou muito em uma "erva boa", a hortelã-pimenta, que era utilizada pelos índios contra indigestões, para aliviar nevralgias e para o reumatismo e as doenças nervosas. Exaltou também as qualidades do capim-rei, do ruibarbo-do-brejo, da ipecacuanha-preta, que servia como purgativo, do bálsamo-da-copaíba, usado para curar feridas, e da cabriúva-vermelha.
Outro fato que chamou a atenção do missionário foi a utilizaç ão dos timbós pelos índios, especialmente da espécie Erythrina speciosa, Andr. O timbó, de acordo com o Aurélio, é uma "designaç ão gené rica para leguminosas e sapindá ceas que induzem efeitos narcóticos nos peixes, e por isso são usadas para pescar. Maceradas, são lançadas na água, e logo os peixes começam a boiar, podendo facilmente ser apanhados à mão.
Deixados na água, os peixes se recuperam, podendo ser comidos sem inconveniente em outra ocasião". Quase tudo que se sabe da flora brasileira foi descoberto por cientistas estrangeiros, especialmente os naturalistas, que realizaram grandes expedições científicas ao Brasil, desde o descobrimento pelos portugueses até o final do sé culo XIX. Essas expedições tinham o intuito de conhecer e explorar as riquezas naturais do país, conhecer a geologia e a geografia do Novo Mundo, bem como determinar longitudes e latitudes para a elaboração de mapas.
Essas aventuras empreendidas pelos naturalistas, inclusive alguns brasileiros, contribuíram sobremaneira para a descrição de milhares de espécies de plantas e animais do Brasil.

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