30/07/2014

PAUSA PARA RESPIRAR


Não sei quando a vida começou a ficar mais corrida, quando o tempo parou de ser suficiente para tudo, quando a prioridade passou a ser "produzir", deixando de lado o "realizar" - considerando "produção" questões de ordem material e "realização" algo mais moral, emocional, espiritual.
O fato é que há mil coisas a fazer, o plano físico exige dedicação ímpar para dar conta de tudo o que é preciso fazer, incluindo trabalhar, estudar, administrar o lar e os relacionamentos.
E nesse meio acabamos por deixar de lado a nós mesmos, não só quanto as questões da saúde e do emocional, mas do espiritual e moral. Esquecemos que precisamos de um tempo de silêncio para ouvir a própria alma, de intimidade para selar afetos, de alegria para não deixar morrer a criança que há em nós e que mantém a esperança e a coragem de agir.
Viver não se limita ao que fazemos por força das coisas. É preciso mais! Mais objetivos e ideais nobres, de longo prazo e não mensuráveis materialmente. Afinal, da Terra não se leva nada exceto o que somos, e o que somos não se define pelo que possuímos.
Precisamos fazer as coisas do cotidiano sem esquecer do lado moral e espiritual de tudo, das conquistas do conhecimento que as experiências permitem realizar, sem olvidar o impacto espiritual de cada gesto, ainda que nascido da obrigação.
Quem não se dá voluntariamente essa pausa, pode acabar sendo coagido pelo próprio corpo a fazê-lo, pode acabar sendo obrigado através da saúde, a ficar quietinho num canto para rever seus conceitos e redescobrir os motivos pelos quais pediu para encarnar.
E posso falar isso sem medo de errar.
Não esqueço do objetivo maior de evoluir espiritualmente no atual personagem que vivencio hoje, e me dedico às coisas morais e do espírito, ao conhecimento e auxílio à alma do meu próximo; mesmo assim acabei em um leito de hospital tratando uma deficiência de saúde que não se sabe com certeza qual é, e que parece definitivamente ter um foco principal: mostrar que a doença exige que cada pessoa reavalie o que efetivamente é importante para sua existência. sob pena de maiores sofrimentos.
Por isso, pelo que tenho aprendido através da observação - minha e de meus "vizinhos" - dou-lhes um conselho que entendo ser valoroso: não esperem a doença ou a morte para pensar nisso, deem à alma uma pausa, parem para respirar.

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