05/10/2011

O feminino na mitologia nórdica.












Existe um rico material sobre o Asatrú, os Deuses Nórdicos e os Vikings, mas sobre as mulheres, normalmente, o assunto é rico em diferenciações e cheio de controvérsias. A tradução da maior parte dos poemas, lendas e escritas nórdicas foi feita pela Igreja Cristã ou Católica, que não aceitava na época (será que aceita ainda hoje?) o papel de uma mulher ativa na sociedade, com direitos e deveres e sem o "pecado original" que a tornava submissa ao homem em todos os sentidos, principalmente na Europa do Séc. IX e X, quando a "cristianização" chegava a Escandinávia e a outros povos.
 A mulher nórdica tinha funções bem definidas na sociedade, cabendo-lhe desde a administração da casa, educação das crianças, do comércio, da fazenda (plantio, colheita e etc), funções xamãnicas, guerreiras (na defesa do lar) e até de cura, nas longas ausências dos homens em caçadas, explorações ou guerras. Nas guerras as sacerdotisas (volvas) tinham grande importância, determinando quem iria lutar ou não para se conseguir a vitória (como pode ser visto no filme "13º Guerreiro").
 Mas vamos do princípio. Desde o nascimento e, após o reconhecimento do pai perante a tribo, a recém-nascida começava a ser preparada para a rígida vida do povo nórdico. Sua primeira lição era a responsabilidade com a família e o sustento da casa. Cuidar dos gansos aos quatro anos de idade era uma obrigação passada de irmão para irmão, cabendo ao mais velho ensinar ao mais novo. A intenção era que a criança entendesse que o trabalho era para o "bem comum" de todos e não de um só individuo – termo muito utilizado por Odin em suas aventuras – mesmo que os gansos não necessitassem de um "pastor".
Aproximadamente aos oito anos, a já menina estava pronta para conhecer suas responsabilidades de mulher com a sociedade e, assim como no Povo Celta, deixar sua família para aprender com outras famílias as novas funções como tear, colher, plantar, cozinhar, tecer e etc.
As mulheres também aprendiam técnicas de combate, desde a proteção da casa até as primeiras aulas de combate dos filhos, pois na falta do marido, poderiam ser ensinadas por elas.
Existem técnicas de xamãnismo que só as mulheres poderiam fazer. O Sedhr exigia um treinamento forte por parte das Volvas (sacerdotisas) e suas mensagens eram respeitadas por todos. Homens que usassem esta técnica (que exigia vestir roupas de mulher) eram desprezados pela tribo. Engraçado isto, pois Odin foi iniciado em Seidhr por Freya.
Aqui vale uma nota: apesar de alguns autores não considerarem xamânismo o Seidhr, acho difícil não relacionar técnicas que trabalhem com a terra, o espírito e viagens astrais como não sendo xamã só por não ser indígena, não desmerecendo o xamanismo como sendo apenas este tipo de técnica.
Já no casamento, após os doze anos de idade, a mulher não poderia escolher seu marido, cabendo aos pais a decisão do melhor pretendente. Mas o interessante é que após o casamento, a mulher tornava-se "Senhora" do seu lar com direitos adquiridos. Em caso de separação do marido por "infidelidade ou maus tratos" (seja lá como isto era interpretado naquela época), a mulher ficava com todos os bens adquiridos no casamento junto com as crianças, cabendo ao marido iniciar uma nova vida. Se pensarmos isto em uma Europa Cristã onde a mulher trazia o "Pecado Original", poderia-se considerar um avanço na relação homem x mulher tanto no trabalho quanto na religião.
As mulheres tinham a confiança de seus maridos no casamento, pois enquanto o marido passava longos meses fora de casa, a mulher era responsável por tudo, administração e educação dos filhos (Deusa Frigga), prover o alimento (Deusa Sif), proteger o lar (Deusa Freya), enterrar a família (Deusa Hella), ser sábia e confiar nos instintos (Nornes), cuidar do marido ferido ou doente (Deusa Sigyn) e amar e se entregar ao homem escolhido por seu pai (Brunhilda).
Ao fazermos esta leitura, percebemos que as Deusas nada mais eram do que o reflexo da atitude, pensamento e respeito da sociedade pelo que, na minha opinião, manteve viva a lenda dos Povos Teutônicos. Não existia o conceito de bem ou mau nos Deuses, eles faziam o que eram destinados a fazer, o destino já estava escrito e cada um era uma peça do "Xadrez Universal".
Antes de falarmos sobre as Deusas Nórdicas, existe uma relação que estará sempre presente no panteão feminino nórdico: a presença de Odin em quase todos os textos. Ele representa o Pai, o Amante e o Marido em quase todos os mitos e sua relação com as Deusas representa a relação do homem com a mulher nórdica. Perceba como Frigga utilizou as próprias afirmações de Odin para manipulá-lo na Lenda de Sigmund citada á frente:

FRIGG
Frigg ou Frigga era a "Mãe de Todos", casada com Odin, "Pai de Todos", era a representação de tudo que foi dito sobre a mulher nórdica nas suas responsabilidades. Era a mãe dos principais Deuses Aesir como Heimdall, Baldur e Bagri e a madrasta de Thor e Loki. Alguns historiadores colocam Frigga como filha de Joerd, Deusa de Midgard e mãe de Thor, isto explicaria como Frigga conseguiu o juramento de quase todos os elementos para não ferirem Baldur (menos o visgo, que ela não achou perigoso). Logo, Frigga seria uma "meia-irmã-madrasta de Thor.
Era a Deusa do matrimônio (mesmo posto ocupado pela Deusa Hera dos Gregos) e considerada como uma "Deusa Analítica", fria em suas escolhas, que não demonstrava emoção em suas decisões. Se formos analisar a possível frieza de Frigga, devemos levar em conta que ela era a Mãe de Todos, que tomava decisões na ausência do marido, que planejava e organizava a vida de todos de modo prático, sem deixar as emoções influenciarem seus atos. Seu nome está ligado a palavra frigidez (frigidity) com o sentido da indiferença ou a falta de emoção e/ou prazer nos atos.
Com o perfil dos Deuses, Frigga não era considerada uma deusa de combate, mas deixou sua marca na morte de Sigmund (filho de Odin com uma mortal) ao lembrar ao Pai de Todos que sua lealdade deveria estar ligada aos Povos que mantinham votos com os Deuses Nórdicos (Sigmund era de uma nova raça de humanos que não aceitava o domínio dos Deuses sobre eles) e não com laços de sangue (Frigga manipulou Odin pelos seus próprios desígnios e regras para proteger o povo que a cultuava). Sigmundo foi derrotado, morto e Odin não pode fazer nada, pois como limitador do universo, assim como Saturno dos Romanos, Odin era limitado por suas próprias regras.
Loki Informa: Frigga e os Deuses Nórdicos NÃO SOBREVIVEM AO RAGNAROK. Somente os filhos de Thor sobrevivem. Baldur e Hodur reaparecem vivos, não renascem e nem ressucitam, como consta em alguns textos.
Fidelidade pode também não ser a virtude desta Deusa. Existiam boatos que ela poderia ter se deitado com Ville e Vê (irmãos de Odin).


JOERD
Joerd era a Deusa de Midgard (Terra). Apelido de "Mãe Terra". Ela encarna o poder irreprimível e sempre segurando da terra e da natureza. Era a mãe de Thor e possivelmente de Frigga também. Enlaçou-se com Odin para unir o que havia de melhor dos dois mundos (Asgard e Midgard) e forjar um guerreiro capaz de combater o Ragnarok. Joerd era filha de um gigante com Nott.













 FREYA


Freya era uma das Deusas preferidas pelos historiadores. Era dado a ela varias atribuições, desde uma Valkiria, uma Disir, uma Volva até o mais importante: uma Mulher Independente.
Freya era uma Vanir, um povo ligado a natureza e foi morar com os Aesir em um acordo de paz. Filha de Skadi e Njord, teve como irmão Frey, Deus ligado ao meio ambiente. Freya era cultuada através de sua sexualidade, mas mais do que isso, ela era o contra ponto de Frigga, representando a mulher livre, que escuta as emoções de seu coração, que não dá satisfação dos seus atos (um conceito avançado para época). Freya só teve um grande amor, o Deus Od ou Odr (uma possível variação de Odin) e com ele teve duas filhas, Hnoss e Gersemi.
Freya utilizava um colar de âmbar (Blisingamen) que conquistou após dormir com quatro anões. A esta lenda, damos à Freya a conquista dos quatro elementos (fogo, terra, ar e água) ou dos quatro quadrantes (norte, sul, leste e oeste).
Freya também era uma Volva e empregava o Seidhr com sua capa de penas e seu colar viajando astralmente como um pássaro pelos nove mundos. Estava ligada às Disis que são as valkirias que retornam da morte para proteger seus familiares (lembra o filme Conan, o Bárbaro) e foi a primeira a morrer no Ragnarok ao defender Odin de um ataque.
Loki informa: Odin por não aceitar a maneira como Freya conquistou o colar, manda o Deus do Fogo, Loki, roubá-lo e só o devolve quando ela aceita pôr em guerra duas tribos.

SIF
Era a Deusa da fertilidade das colheitas, uma das esposas de Thor (Thor teve duas esposas) e com ele teve dois filhos, Modi e Magni que sobreviveram ao Ragnarok. Não encontrei referências aos pais da deusa Sif, mas em todos os textos ela é considerada uma Aesir.
Loki informa: Sif teve seus cabelos negros como a noite, cortados e roubados por Loki, devido a sua vaidade. Thor pediu ajuda aos anões que teceram com os raios do sol uma cabeleira loura que substituiu temporariamente a antiga.

HELL
Hell ou Hella é uma das Deusas que, assim como seu pai Loki, foi assimilada pelo Cristianismo. O Reino dos Mortos (não confundir com Valhala) ou Reino de Hella passou a ser o inferno Cristão (Hell em inglês significa Inferno), Loki passou a ser uma personificação do mal, um demônio e Baldur, como o sacrificado, o Cristo Católico. Esta é uma distorção e, em alguns textos, Baldur retorna de sua morte antes do Ragnarok, o que não é verdade.
Foi profetizado pelas Nornes à Odin, no nascimento de Hella, que ao atingir determinada idade, Hella se tornaria a Senhora do reino dos mortos e o reinaria. Hella foi criada junto com os gigantes, por sua mãe Angurboda, a mesma mãe que juntamente com Loki tem mais dois filhos, irmãos de Hella. A Serpente de Midgard e o lobo Fenris. Foi Hella que determinou que Baldur só retornaria à vida se tudo no Universo (os nove mundos) lamentasse a sua morte. Não havia nada de bom ou mal em Hella, assim como não havia nada de bom ou mau na morte.
Hella era a Senhora do Reino da Morte para onde iam todos os que morriam por velhice, por doenças ou de maneira desonrosa.

NANNA
Nanna era a Deusa da Lua, assim como Baldur, seu marido, era o Deus do Sol. Com ele teve um filho, Forseti, Deus da Justiça e Verdade.
Um cuidado: apesar de serem respectivamente, os Deuses do Sol e da Lua na cultura nórdica, eles não eram o Sol e a Lua. Cabem a estes, os dois irmãos Arrak (lua) e Asvid (sol) que foram tirados de Midgard por Odin pela sua beleza e colocados em carruagens, a rodar pelo céu perseguidos pelos lobos Skoll e Hati até o dia do Ragnarok quando então foram devorados.
Nanna morreu de sofrimento no enterro de Baldur e foram colocados juntos, em um barco para um enterro Viking. Existem lendas em que Nanna retornará juntamente com Baldur após o Ragnarok.

IDUNN
Idunn ou Idunna era a Deusa da Juventude e esposa de Bagri, Deus dos Poetas e Bardos. Era a responsável pelas maçãs douradas que concediam a junventude e vitalidade aos deuses nórdicos. Sempre que se sentiam cansados ou com a idade chegando, procuravam-na. Não há menção de quem são seus pais.
Em uma trama dos Gigantes, Idunn foi raptada, mas foi salva por Loki (que também ajudou no rapto dela).

NORNES
As Nornes eram as senhoras do destino. Elas que teciam, mediam e cortavam o fio da linha da vida. Eram filhas do gigante Norvi e viviam sob a árvore Yggdrasil. Seus nomes eram Urd (a mais velha), Skuld (a com o rosto velado) e Verdaniki (a jovem).
Era considerado impossível alterar os destino já traçado no fio e desde o nascimento a morte já estava traçada. Podia-se decidir apenas a forma de morrer: como herói ou covarde. Mas era possível conseguir favores ou cair nas graças dessas mulheres.
Loki informa: Existem algumas visões diferentes na concepção das Nornes: a de que elas, na verdade seriam apenas uma e que a visão de três seria muito mais uma influência Greco-Romano e, até Cristã, nas traduções dos textos nórdicos, um sincretismo com as Hécates, Parcas ou uma tentativa de aproximação a Wicca no aspecto tríplice da Deusa (senhora, donzela e mãe), que representam o ciclo da vida, o que nada tem a ver com o Asatrú.

VOLLA
Era a sacerdotisa ou Volva que acatava a invocação rúnica de Odin em sua visita ao Reino dos Mortos e retornava dos "vida" para explicar sobre a futura morte de Baldur. Volla também representava o destino (futuro) imutável dos nórdicos, a verdade que estava para chegar.

SIGYN
Sigyn era uma das esposas de Loki e mesmo contrariada com a participação do marido na morte de Baldur, se compadece de seu sofrimento e o socorre em seu tormento com o veneno da serpente. Com um prato aplaca o veneno que, por ser muito ácido, machuca o rosto de Loki. Mas toda vez que tem que esvaziar o prato, o veneno volta a cair sobre ele. Foi um amigo, Marcelo Brasil, que disse: "Por que diabos esta mulher não usa dois pratos menores, um em cada mão ?"

BRUNHILDA
Brunhilda era uma das filhas de Odin com uma humana e sua valkiria preferida. Mesmo assim, ela era a melhor representação da relação pai-filha do povo nórdico. Envolvida em uma trama já mencionada entre Frigga, Odin e Sigmund, Brunhilda perde todos os seus dons divinos por apresentar emoções humanas e, assim como uma filha que perde tudo ligado a sua antiga família, ela torna-se humana e aguarda em sono profundo num circulo de fogo a chegada do guerreiro valoroso para quem vai ser entregue como esposa e mulher (um guerreiro escolhido por Odin, como o pai que decide com quem a filha se casa). O guerreiro é Sigfried, filho de Sigmund e neto de Odin. Ela é a filha que cresce e deixa a família para trás, com todos os seus atributos formando uma nova família.




Fonte:http://www.1000magias.com.br/?p=677

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