02/11/2011

A bruxa da montanha - Uma fábula que conscientiza.

Fábula que ajuda a ensinar as crianças a importância das árvores para manter o equilíbrio do meio ambiente.Uma importante característica do texto de Gloria Cecilia Díaz é o recurso à personificação, dando à história da bruxa Alina um clima de fábula.
Podem ser elaborados cartazes de incentivo ao cuidado do meio ambiente e até ações positivas, como implementar um programa de reciclagem na escola, fazer um jardim no pátio ou visitar abrigos de animais abandonados. O mesmo tema pode servir de base para atividade de produção textual: os alunos criam uma fábula com animais, utilizando o recurso à personificação, sobre um dos problemas ambientais tratados na discussão.
A bruxa Alina tem um grande problema: já espatifou algumas vassouras voadoras contra as árvores toda vez que tentou pousar. Porém a solução que ela encontra para esse impasse não leva em conta os demais habitantes da Montanha Menor, lugar onde vive. Alina quer construir uma pista de pouso bem espaçosa, mas para isso precisa derrubar todas as árvores que atrapalham seu caminho.
A montanha se desespera, porque sabe que a floresta é fundamental para o equilíbrio da natureza: sem as árvores, também não há rios, flores, frutos ou animais. Desde os tempos mais remotos, o homem busca nas florestas tudo o que precisa: caça, frutos, raízes, combustível para o fogo e matéria-prima para as suas construções.
Em A bruxa da montanha, a questão ecológica é relatada na reação dos habitantes da montanha. As árvores ficam arrasadas quando tomam conhecimento dos planos de Alina. Elas sempre moraram na Montanha Menor, amam aquela terra desde que nasceram, fazem parte dali. O mesmo acontece com os animais: um corvo que estava de passagem pela floresta até os aconselha a procurar outro lugar para morar, mas eles não querem abandonar seu hábitat. Por desconhecer o que é um ecossistema e estar somente preocupada consigo, Alina não mede as  conseqüências dos seus atos e, para satisfazer seus próprios interesses, coloca em risco o bemestar de todo mundo. Mais ou menos como muitas empresas fazem com o meio ambiente, despejando poluentes sem tratamento no ar e nos rios, abatendo árvores descontroladamente para comercialização, construindo em regiões de proteção ambiental... Em nome do lucro, causam danos à natureza, agravando o aquecimento global, sem se importarem com os danos e com as próximas gerações.
Ao contrário de Alina, na narrativa os animais sabem muito bem quais são os riscos que a floresta está correndo. Para mostrar a sabedoria da natureza, Gloria Cecilia Díaz lança mão de um recurso estilístico chamado “prosopopéia” ou “personificação”, a atribuição de características humanas a animais ou seres inanimados.
Ao longo do texto, o vento geme, as árvores sussurram e choram, os esquilos sofrem de insônia, a montanha fica sem ar... Os animais se reúnem em assembléia e passam a noite discutindo o que fazer para impedir Alina de derrubar todas as árvores da floresta. Dessa forma, A bruxa da montanha se aproxima de uma das mais antigas e tradicionais formas literárias: a fábula, pequena narrativa em que os animais adquirem características humanas e que possui o objetivo de passar uma lição moral, mostrando qual a maneira correta de agir em determinadas situações.
As ilustrações de Emilio Urberuaga reforçam esse tom de fábula proposto pela autora. O corvo carrega uma trouxa, um dos esquilos usa óculos, há um passarinho deitado na cama, lendo um livro, outros carregando malas... Como os animais não conseguem deter Alina e seus poderes mágicos, as bruxas de outras montanhas têm de intervir. Juntas, elas mostram à jovem bruxa quais serão as conseqüências dos seus atos. É graças à sua amizade que Alina pode se redimir, aprendendo a voar direito e deixando de lado seu plano de derrubar todas as árvores.
É interessante notar que a autora escolheu justamente as bruxas para representar o equilíbrio, a ponderação e a sabedoria necessários para a preservação da natureza. É como se ela quisesse fazer justiça a essa personagem, tão relacionada à maldade no imaginário e que quase foi “extinta” durante a caça às bruxas que atingiu seu apogeu na Idade Moderna.
À medida que a espécie humana (representada na história de Gloria Cecilia Díaz pela bruxa Alina) desenvolveu condições para facilitar sua vida, as florestas foram diminuindo no planeta. O homem  começou a derrubá-las para dar lugar a plantações, depois às pastagens para animais, até chegar às grandes cidades que conhecemos hoje. Nesse processo, as matas foram devastadas, mas demorou muito tempo para que o homem se desse conta dos danos causados pela derrubada indiscriminada de árvores e da destruição em geral da natureza. A flora tem importância fundamental na vida na Terra, pois os vegetais absorvem o gás carbônico da atmosfera por meio da fotossíntese e liberam o precioso oxigênio de que precisa- mos para viver. Sem a ajuda das árvores e de outras plantas, o planeta fica com menos capacidade de absorver o gás carbônico e sofre com o aquecimento global, para citar o problema mais grave, causando maior incidência de catástrofes naturais, como secas, tufões e tempestades.

 
Vassouras Voadoras
Em muitas religiões pagãs (que não têm um único deus e acabaram sendo confundidas com bruxaria quando o cristianismo passou a ser a religião dominante), a vassoura era usada como instrumento místico. Ela servia para livrar o espaço de energias negativas antes ou depois de um ritual. Muitas vezes, a própria preparação da vassoura era um rito: as feiticeiras escolhiam ervas diferentes para montá-la, de acordo com seu objetivo. Em sua maioria, essas religiões pagãs têm uma relação mágica com a natureza, e muitos dos seus cultos a celebram. A lenda das vassouras voadoras surgiu de um desses rituais: durante os festejos da colheita, as feiticeiras costumavam correr pelas plantações pulando sobre suas vassouras.  


Hábitat 

Pode ser definido como o ambiente de uma espécie ou de um indivíduo. É o local mais adequado que um ser vivo encontra para morar, o alimento de que precisa e tudo aquilo de que necessita para sobreviver. Fora desse lugar específico na natureza, uma população corre sérios riscos. Os ursos-polares, por exemplo, devido às mudanças climáticas ocorridas no Pólo Norte, têm procurado refúgio em outros locais, mas muitos acabam morrendo, porque não se adaptam.


Fábulas

Contadas desde os tempos dos assírios e babilônios, são narrativas curtas destinadas a passar um ensinamento. Na maioria das vezes, seus personagens são animais, que mostram aos homens como agir com justiça e inteligência. O grego Esopo (século VI a.C.) consolidou a fábula como gênero. No século XVII, o francês Jean de La Fontaine deu vida nova à fábula, recontou algumas histórias de Esopo e criou outras. Ele chegou a dizer que a fábula “é uma pintura em que podemos encontrar nosso próprio retrato”. Entre os exemplos mais famosos desse tipo de narrativa estão A cigarra e a formiga, A raposa e as uvas e A lebre e a tartaruga.

Um comentário:

  1. Bom dia. Minha esposa é professora em um CEU na capital paulistana e está sempre a procura de livros edificantes. Grato pela dica. Já sei o que darei de presente para os próximos dias, rs!

    Abraços!


    Sergio.

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Obrigada, pela visita. Beijos de luz violeta na alma.

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