05/09/2010

III - APOLO uma das divindades principais da mitologia greco-romana. FINAL.


Apolo em mosaico romano da Tunísia, século II d.C.




Primeiro Hino Délfico
Em Roma



Apolo era conhecido pelos romanos desde uma idade recuada, e ainda durante o reinado o Oráculo de Delfos já era consultado, mas seu culto só foi instituído em Roma no ano de 430 a.C., quando ele foi invocado para evitar uma praga, construindo-se um templo nos Campos Flamínios dedicado a Apolo Sosiano. Um segundo templo foi erguido em 350 a.C., e durante a II Guerra Púnica foram instituídos Jogos Apolíneos. Mas Apolo não conheceu grande popularidade entre os romanos senão durante o império de Augusto, que colocou a si e ao Estado sob sua proteção, homenageou-o instituindo Jogos qüinqüenais, ampliando seu templo e doando-lhe riquezas conquistadas na Batalha de Actium,[15] além de construir-lhe um novo templo no Palatino,[121] que se tornou a sede da culminação dos Jogos seculares celebrados no ano 17 para comemorar o início de uma nova era, quando o poeta Horácio celebrou Apolo e sua irmã Diana (Ártemis) acima de todos os deuses romanos.[62] Também teve templos romanos em Megalópolis, Ortígia, Figaléia, Corinto e Delos, entre outros locais. Seu culto espalhou-se pela maior parte da área de influência do Império Romano, e foi identificado com vários deuses regionais associados à cura, especialmente celtas.[122]

Na Etrúria

Vulca: O Apulu de Veii, c. 510 a,C.
Museu Nacional Etrusco, Roma.

Apolo era conhecido pelos etruscos sob os nomes de Apulu ou Aplu. Até onde se pôde descobrir, dada a ausência de testemunhos literários, teve um papel importante na religião etrusca, e seus atributos eram em tudo semelhantes aos gregos. Não são conhecidas muitas representações, mas sobrevive uma estátua de Apulu em terracota policroma em tamanho natural de qualidade superior, o chamado Apulu de Veii, criada pelo escultor Vulca para os romanos em torno de 510 a.C. Encontrada em 1916, foi de grande importância para a reavaliação da arte etrusca no século XX. Plínio, o Velho, a descreveu como a mais bela estátua de seu tempo, e que era mais estimada do que ouro.[123][124][125]

Epítetos e títulos de culto

Apolo, como outras deidades, tinha diversos títulos, que lhe eram aplicados para refletir a diversidade de seus papéis, obrigações e aspectos. Aqui segue uma lista parcial, que exclui epítetos toponímicos.

* Epítetos gregos

Aguieus, protetor da entrada das casas;[103]Loxias, oblíquo, pelos oráculos ambíguos; Helios, o sol;[126] Egletes, radiante, Febo, brilhante;[127] Lício, luminoso; matador de lobos, ou Lykegenes, nascido de uma loba ou nascido na Lícia; Acestor, Acésio, Alexikakos, Apotropeu, Iatromantis, Epicuro, Paian, todos ligados à sua capacidade de prover a saúde e afastar o mal; Mântico, profeta; Arcagetes, diretor da fundação, por ser fundador das muralhas de Megara;[128] Esminteu, caçador de ratos;[129] Nomios, andarilho;[130] Delfínio, do útero, que associa Apolo com Delfos;[17]Pítio, por ter morto a Pìton; Genétor, gerador, produtor de frutos. Era associado ao atributo de regente da Idade Dourada.[131] Parnópio, salta-montes; Aphetoros, deus do arco; Argurotoxos, do arco de prata; Hekaergos ou Hekebolos, que atira longe, referindo às suas flechas; Ninfagetes, chefe das ninfas; Klarios, doador de terras, por sua supervisão sobre as cidades e colônias; Musagetes, chefe das musas.[132]

* Epítetos romanos

Medicus, médico;[3]Febo, brilhante; Averruncus, aquele que afasta o mal; Culicarius, o que afasta os mosquitos; Articenens, o que leva o arco; Coelispex, o que observa o céu;[133] Lesquenório, porque presidia as assembléias poéticas e musicais e as reuniões das musas.[134]

* Epítetos celtas

Atepomarus, grande ginete, ou dono de um grande cavalo; Belenus, belo ou brilhante; Grannus, Vindonius, brilhante; Borvo, quente, borbulhante, patrono das fontes termais; Maponos, grande mancebo, filho divino; Morigastus, marítimo;[3]Oenghus, mancebo; Mac ind Óg, jovem filho, e na literatura arturiana ele sobreviveu chamado de Mabon, Mabuz e Mabonagrain.[135]
[editar] A revitalização do culto de Apolo


Ritual neopagão de Apolo, 2007, Grécia.

Além da importante presença simbólica de Apolo no mundo de hoje, já abordada na seção sobre seu mito, deve ser mencionada a recente ressurgência do seu culto efetivo através da proliferação de credos neopagãos na cultura Nova Era. Já existe uma série de ritos estabelecidos para este novo culto de Apolo, e Vasilios Makrides nota que setores conservadores da Igreja Ortodoxa grega estão atualmente a denunciar um suposto projeto "oficial" de paganização da Grécia, tornado evidente para eles através da renovação do ensino da mitologia e da introdução de literatura neopagã nas escolas, da atribuição de nomes de deidades pagãs para ruas e parques públicos, da ereção de estátuas de Apolo e outros deuses na Academia de Atenas, da emissão de selos como efígies de deuses, da organização de festivais revivalistas em Delfos e da criação ali de um centro cultural internacional para a promoção do espírito délfico de cooperação internacional, apenas para citar algumas das medidas adotadas de fato pelas instâncias governamentais gregas. Diversos pregadores ortodoxos têm protestado também contra a introdução de elementos pagãos nas Olimpíadas recentes, e já houve enfrentamentos violentos entre ambas as facções, que tiveram de ser administrados pelo poder público, o que parece provar que o Neopaganismo já se torna, na Grécia contemporânea, uma força social de significativa influência.[6][136] Tais cultos neopagãos fazem em linhas gerais uma crítica ao monoteísmo cristão-judaico e propõem uma ressacralização do mundo natural e uma reintegração do homem a ele de uma forma espontânea, desvestida de um dogmatismo religioso que julgam limitador da plena expressão da natureza humana como ela é e da percepção do divino em todo o mundo manifesto.[137] Para Alain de Benoit o Paganismo moderno prima pela tolerância e respeito pelas diferenças, e antes do que constituir um passadismo romântico ou uma utopia - apesar de muitas de suas manifestações atuais serem, para ele, ingênuas, quando não patéticas - se baseia numa concepção não-linear da história, numa escolha deliberada por uma vida mais autêntica, integrada e harmoniosa, num desejo de corrigir a oposição dualista entre homem e Deus que contamina o monoteísmo, trazendo o divino para o mundo do cotidiano, e aponta para a efetiva eternidade dos mitos e da vida que eles animam.[138]

Representações
As estátuas e pinturas de Apolo o mostram um homem jovem, no auge de sua força e beleza. Muitas vezes está nu, ou veste um manto. Pode trazer uma coroa de louros na cabeça, o arco e flechas, uma cítara ou lira nas mãos. Às vezes a serpente Píton também é representada, ou algum outro de seus animais simbólicos, como o grifo e o corvo. Nas pinturas e mosaicos pode ter uma coroa de raios de luz ou uma auréola. Suas primeiras representações conhecidas datam do século VIII-VII a.C., onde ele aparece esquematicamente, sob a forma de um pilar cônico de pedra, sob o epíteto de Apolo Aguieus, o protetor dos caminhos, ou na forma de uma herma, uma coluna provida de cabeça, mãos e pés, somente. Em Esparta foi encontrada uma imagem única, desaparecida em tempos modernos, um relevo que o representava com quatro braços e quatro orelhas, segurando em cada mão um manto, um ramo de oliveira, um arco e uma patena. Também são conhecidos relatos literários de estátuas primitivas em madeira e estatuetas em bronze.[139]

Apolo do Mestre de Olímpia, c. 470-457
a.C. Museu Arqueológico de Olímpia.

Lançamento da missão Apollo 11, 16 de Julho de 1969.

Representações mais acabadas aparecem em meados do século VI a.C., entre elas uma estátua criada por Dipoenus e Scyllis, seguindo a tipologia abstratizante do kouros do período arcaico, e nesta época ele já estava firmemente associado com os ideais de beleza, juventude, força e virtude sintetizados no conceito da kalokagathia. De fato é possível que a simbologia apolínea tenha desempenhado um papel determinante na cristalização de toda a tipologia do kouros, e exercido assim uma influência central para toda a evolução subsequente da representação masculina na escultura grega. Apenas do sítio arqueológico do santuário de Apolo Ptoos na Beócia foram encontrados cerca de 120 kouroi.[140] O Apolo arcaico mais célebre foi uma estátua em mármore produzida por Kanacos para o templo de Dídima perto de Mileto, em torno do fim do século VI a.C. Na invasão persa foi capturada e levada para Ecbátana, sendo devolvida depois. Diversas moedas mostram essa estátua, e possivelmente foi reproduzida em bronze em tamanho menor. O conhecido Apolo de Piombino pode tratar-se de uma dessas cópias.[141]

Do período severo, em sequência, sobrevivem algumas obras muito significativas, o Apolo Alexikakos, o que afasta o mal, de autoria de Kálamis, o Apolo de Mântua, atribuído a Hegias, e o Apolo do Mestre de Olímpia, instalado no frontão do templo de Zeus em Olímpia, já mostrando um trabalho de observação da anatomia humana muito mais detalhado. Algumas peças deste período também introduzem variações na figura, cobrindo-o de mantos que escondem sua nudez. Poucas evidências restam do período do alto classicismo, sabe-se que Fídias produziu vários Apolos, mas não chegaram a nossos dias, salvo o Apolo de Kassel e o Apolo do Tibre, cuja atribuição não é totalmente garantida, mas dos períodos clássico tardio, helenista e romano os museus guardam diversas peças, entre elas o célebre Apolo Belvedere, de Leocarés, talvez a mais afamada de todas as estátuas de Apolo, o Apolo sauróctono e o Apolo lício, de Praxíteles, e várias versões do Apolo citaredo, das quais são importantes as dos Museus Capitolinos, do Museu Britânico, da Gliptoteca Ny Carlsberg, do Museu Pergamon e do Museu Nacional Romano. Também são notáveis as representações pictóricas do deus, encontradas em grande número de vasos de todos os períodos, ilustrando vários episódios de seu mito.[142] Sua figura, através da expansão helenística para o oriente, foi uma influência na cristalização da iconografia do Buda desenvolvida pela escola Gandhara, na Índia.[143]

Depois de um eclipse ao longo da Idade Média, no Renascimento voltou a ser representado com frequência, em todos os ramos da arte, e continua a sê-lo nos dias de hoje. Entre os pintores célebres que deixaram obras sobre ele se contam Andrea Mantegna, Lucas Cranach, Piero Pollaiuolo, Dosso Dossi, Palma il Giovane, Rafael Sanzio, Giovanni Battista Tiepolo, Pompeo Batoni, Claude Lorrain, Diego Velázquez e José de Ribera.[1] Entre os escultores, Baccio Bandinelli, Adriaen de Vries, Gian Lorenzo Bernini, Nicolas Coustou e Jean-Antoine Houdon.[2] Cite-se também alguns exemplos literários - além dos poetas clássicos mencionados antes: Friedrich Schiller,[144] Jonathan Swift,[145] e Camões[146] escreveram poemas para ele; foi citado várias vezes em obras de Dante Alighieri, Lope de Vega, Shakespeare, Cervantes, Chesterton, Alexander Pope, John Milton, Coleridge, Charles Dickens, Victor Hugo, Nathaniel Hawthorne e Oscar Wilde, entre muitos outros.[147] Na música apareceu nas óperas L'Orfeo de Claudio Monteverdi, La descente d'Orphée aux enfers de Marc-Antoine Charpentier, Apollo e Dafne de Haendel e Apollo et Hyacinthus de Mozart, e no bailado Apollon Musagète de Igor Stravinsky, entre outras peças. O deus é invocado ainda hoje quando os médicos fazem o Juramento de Hipócrates, e seu nome é usado atualmente para identificar uma infinidade de empresas, casas de espetáculo, instituições e produtos comerciais em todo o mundo. É nome de pessoas e famílias, de um grupo de asteroides,[148] de cidades - Apolo (Bolívia), Apollo (Pensilvânia) -, de uma borboleta (Parnassius apollo),[149] de uma proteína humana[150] e de uma variedade de aspargo,[151] e o conhecido programa espacial norteamericano Apollo foi denominado à lembrança do deus grego.[152]


Deixa, Apolo, o correr tão apressado,
Não sigas essa Ninfa tão ufano,
Não te leva o Amor, leva-te o engano
Com sombras de algum bem a mal dobrado.

E quando seja Amor será forçado,
E se forçado for, será teu dano:
Um parecer não queiras mais que humano,
Em um Silvestre adorno ver tornado.

Não percas por um vão contentamento
A vista que te faz viver contente:
Modera em teu favor o pensamento.

Porque menos mal é tendo-a presente,
Sofrer sua crueza, e teu tormento,
Que sentir sua ausência eternamente.


Camões, Soneto XXXXIX, centúria III

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