19/09/2010

Musicoterapia

music2Musicoterapia é a utilização da música e/ou de seus elementos constituintes, ritmo, melodia e harmonia, por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, em um processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender as necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele ou ela alcance uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento. (World Federation of Music Therapy). Indicações - Os musicoterapeutas trabalham com uma gama variada de pacientes.

Entre estes estão incluídas pessoas com dificuldades motoras, autistas, pacientes com deficiência mental, paralisia cerebral, dificuldades emocionais, pacientes psiquiátricos, gestantes e idosos. O trabalho musicoterápico pode ser desenvolvido dentro de equipas de saúde multidisciplinares, em conjunto com médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e educadores.Também pode ser um processo autônomo realizado em consultório.


O uso da música como método terapêutico vem desde o início da história humana. Alguns dos primeiros registros a esse respeito podem ser encontrados na obra de filósofos gregos pré-socráticos.
A sistematização dos métodos utilizados só começou, no entanto, após a Segunda Guerra Mundial, com pesquisas realizadas nos Estados Unidos. O primeiro curso universitário de musicoterapia foi criado em 1944 na Michigan State University.


Processo


O processo da musicoterapia pode se desenvolver de acordo com vários métodos. Alguns são receptivos, quando o musicoterapeuta toca música para o paciente. Este tipo de sessão normalmente se limita a pacientes com grandes dificuldades motoras ou em apenas uma parte do tratamento, com objetivos específicos. Na maior parte dos casos a musicoterapia é ativa, ou seja, o próprio paciente toca os instrumentos musicais, canta, dança ou realiza outras atividades junto com o terapeuta. A forma como o musicoterapeuta interage com os pacientes depende dos objetivos do trabalho e dos métodos que ele utiliza. Em alguns casos as sessões são gravadas e o terapeuta realiza improvisações ou composições sobre os temas apresentados pelo paciente. Alguns musicoterapeutas procuram interpretar musicalmente a música produzida durante a sessão. Outros preferem métodos que utilizem apenas a improvisação sem a necessidade de interpretação. Os objetivos da produção durante uma sessão de musicoterapia são não-musicais, por isso não é necessário que o paciente possua nenhum treinamento musical para que possa participar deste tratamento.


O musicoterapeuta, por outro lado, devido às habilidades necessárias à condução do processo terapêutico, precisa ter proficiência em diversos instrumentos musicais. Os mais usados são o violão, o piano (ou outros instrumentos com teclado) e instrumentos de percussão.


Musicoterapeuta


O profissional responsável por conduzir o processo musicoterápico é chamado musicoterapeuta. A formação desse profissional é feita em cursos de graduação em musicoterapia ou como especialização para profissionais da área de saúde (medicina ou psicologia). Em alguns países a musicoterapia também pode ser parte de uma formação em arteterapia, que envolve, além da música, técnicas de artes plásticas e dança.


A formação do musicoterapeuta inclui teoria musical, canto, prática em ao menos um instrumento harmônico (piano ou violão), instrumentos melódicos (principalmente flauta) e percussão.


Também faz parte da formação do musicoterapeuta o conhecimento da anatomia e fisiologia humana, psicologia, filosofia e noções de expressão artística, expressão corporal, dança, técnicas grupais e métodos de educação musical como o Método Orff ou o Método Kodály.


O dia do musicoterapeuta é comemorado no Brasil em 15 de setembro


A musicoterapia é uma forma de tratamento que utiliza a música para ajudar no tratamento de problemas, tanto de ordem física quanto de ordem emocional ou mental.


A musicoterapia como disciplina teve início no século 20, após as duas guerras mundiais, quando músicos amadores e profissionais passaram a tocar nos hospitais de vários paises da Europa e Estados Unidos, para os soldados veteranos. Logo os médicos e enfermeiros puderam notar melhoras no bem-estar dos pacientes.


De lá para cá, a música vem sendo cada vez mais incorporada às práticas alternativas e terapêuticas. Em 1972, foi criado o primeiro curso de graduação no Conservatório Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro. Hoje, no mundo, existem mais de 127 cursos, que vão da graduação ao doutorado.


Como atua o musicoterapeuta?


O musicoterapeuta pode utilizar apenas um som, recorrer a apenas um ritmo, escolher uma música conhecida e até mesmo fazer com que o paciente a crie sua própria música. Tudo depende da disponibilidade e da vontade do paciente e dos objetivos do musicoterapeuta. A música ajuda porque é um elemento com que todo mundo tem contato. Através dos tempos, cada um de nós já teve, e ainda tem, a música em sua vida.


A música trabalha os hemisférios cerebrais, promovendo o equilíbrio entre o pensar e o sentir, resgatando a "afinação" do indivíduo, de maneira coerente com seu diapasão interno. A melodia trabalha o emocional, a harmonia, o racional e a inteligência. A força organizadora do ritmo provoca respostas motoras, que, através da pulsação dá suporte para a improvisação de movimentos, para a expressão corporal.


O profissional é preparado para atuar na área terapêutica, tendo a música como matéria-prima de seu trabalho. São oferecidos ao aluno conhecimentos musicais específicos, voltados para a aplicação terapêutica, e conhecimentos de áreas da saúde e das ciências humanas. São oferecidas também vivências na área de sensibilização, em relação aos efeitos do som e da música no próprio corpo.


Indicações da musicoterapia


musica87Sendo inerente ao ser humano, a música é capaz de estimular e despertar emoções, reações, sensações e sentimentos.Qualquer pessoa é susceptível de ser tratada com musicoterapia. Ela tanto pode ajudar crianças com deficiência mental, quanto pacientes com problemas motores, aqueles que tenham tido derrame, os portadores de doenças mentais, como o psicótico, ou ainda pessoas com depressão, estressadas ou tensas. Tem servido também para cuidar de aidéticos e indivíduos com câncer. Não há restrição de idade: desde bebês com menos de um ano até pessoas bem idosas, todos podem ser beneficiados. Particularmente são indicados no autismo e na esquizofrenia, onde a musicoterapia pode ser a primeira técnica de aproximação. A musicoterapia é aplicável ainda em outras situações clínicas, pois atua fundamentalmente como técnica psicológica, ou seja, reside na modificação dos problemas emocionais, atitudes, energia dinâmica psíquica, que será o esforço para modificar qualquer patologia física ou psíquica. Pode ser também coadjuvante de outras técnicas terapêuticas, abrindo canais de comunicação para que estas possam atuar eficazmente.


Que música é a mais indicada?


Músicas com ritmo muito marcante, não servem para o relaxamento, como por exemplo, o rock. O ritmo do rock é constante, ao passo que no relaxamento, a tendência é diminuir o pulso e o ritmo da respiração.


Cada ritmo musical produz um trabalho e um resultado diferente no corpo. Assim há músicas que provocam nostalgia, outras alegria, outras, tristeza, outras melancolia, etc.


Alguns tipos de música podem servir de guia para as necessidades de cada pessoa. Bach, por exemplo, pode ajudar muito no aprendizado e na memória, Rossini, com Guilherme Tell e Wagner, com as Walkirias, ajudam especialmente no tratamento de pacientes com depressão. As valsas de Strauss podem contribuir e muito, para os momentos em que se necessita um maior relaxamento, estando bem indicadas para salas de parto. As marchas são um tipo de música que transmite energia, tão importante e escassa em áreas hospitalares de pacientes em convalescença.


Um bom exemplo disso tem sido o uso da musicoterapia, no auxílio do tratamento da doença de Alzheimer. Doença de caráter progressivo e degenerativo tem, entre seus primeiros sinais, o esquecimento, a dificuldade de estabelecer diálogos, as mudanças de atitude e a diminuição da concentração e da atenção. A musicoterapia ajuda a estimular a memória, a atenção e a concentração, o contato com a realidade e o esforço da identidade. Trabalha-se ainda a estimulação sensorial, a auto-estima e a expressão dos sentimentos e emoções.


A melhor ajuda que o tratamento dos pacientes, utilizando a música, pode proporcionar, é que ela, como terapia, torna os obstáculos da doença mais amenos e mais fáceis de serem ultrapassados.


PRINCIPAIS OBJETIVOS A SEREM ATINGIDOS NO ATENDIMENTO MUSICOTERAPÊUTICO

Livre expressão sonora: vocal, corporal e instrumental;
¯ Melhora na comunicação;
¯ Integração grupal;
¯ Estabelecimento de limites;
¯ Percepção do outro e de si mesmo;
¯ Socialização;
¯ Percepção sensorial;
¯ Coordenação rítmica e motora;
¯ Orientação espaço-temporal;
¯ Memória, atenção, concentração;
¯ Percepção sonora, corporal e ambiental;
¯ Sensibilização;
¯ Criatividade e improvisação;
¯ Respiração e relaxamento;
¯ Diminuição do estresse.


A APLICAÇÃO CLÍNICA DA MUSICOTERAPIA PODE SER EM DIVERSAS ÁREAS COMO:
¯ ProfilaxiaSadGestantes; Crianças; Adolescentes e Terceira idade);
¯ Distúrbios de Conduta na infância e adolescência;
¯ Estresse;
¯ Recursos Humanos: empresas;
¯ Área social;
¯ Idosos: geriatria e gerontologia;
¯ Área da saúde mentalSad..Autismo; Psicoses; Esquizofrenia;..Neuroses;.. .....Fobias;.Síndrome do pânico; Depressão, etc);
¯ Deficiências Mentais; Físicas; Sensoriais e Múltiplas;
¯ Dependência química;
¯ Distúrbios Neurológicos;
¯ Pacientes em coma;
¯ Pesquisas Científicas;
¯ Retardo Neuropsicomotor;
¯ Síndromes com comprometimento do desenvolvimento;
¯ Área institucional e Educacional;
¯ Adultos “normais” que buscam um auto conhecimento, auto controle, .....entre outros.

A musicoterapia pode reduzir os sintomas da depressão, segundo revisão sistemática publicada pela Biblioteca Cochrane, organização mundial dedicada ao estudo da eficácia de intervenções terapêuticas. Os pesquisadores analisaram cinco estudos que avaliaram o uso da música no tratamento de pessoas deprimidas, dos quais quatro mostraram que o método foi mais eficaz que outras técnicas psicoterápicas que não usam recursos musicais.

“Embora a evidência tenha origem em estudos de pequeno porte, ela sugere que essa é uma área que merece mais investigação”, diz a arteterapeuta britânica Anna Maratos, coordenadora da pesquisa. O interesse pela música como recurso terapêutico não é novo, mas tem crescido nos últimos anos devido a inúmeras experiências que mostram a influência benéfica da combinação de ritmos, melodias e harmonias em uma série de transtornos psíquicos. Alguns bons exemplos estão no livro mais recente do neurologista britânico Oliver Sacks, Alucinações musicais, publicado no Brasil pela Companhia das Letras.

Diferenças na resposta aos medicamento

O efeito das drogas antidepressivas costuma variar de pessoa para pessoa. De fato, em alguns pacientes, elas podem não surtir efeito algum. Incompreendida por muitos anos, a razão dessa variabilidade começa agora a ser decifrada pela genética.

Estudo publicado pela revista Neuron demonstrou que 11 variantes do gene que codifica uma proteína transportadora no cérebro são responsáveis pela menor eficácia de medicamentos como o citalopram (vendido no Brasil como Celexa, Cipramil e Cipran, entre outros) e venlafaxina (Alenthus, Efexor, Venlaxin etc.). Segundo os autores, os resultados ressaltam a necessidade da prescrição personalizada de drogas para depressão de acordo com o perfil genético do paciente. “Assim evitaríamos que um paciente tome um remédio que certamente não fará efeito, o que, além de frustrante, é um desperdício”, afirma Manfred Uhr, coordenador do estudo.


musicoterapia é considerada uma ciência paramédica que estuda a relação do homem com o som/música. "A influência fisiológica e psicológica do som no cérebro traz inúmeros benefícios à pessoa".

A musicoterapia, através da pesquisa sobre a vida e o ambiente ao qual está inserido o paciente, busca identificar e equilibrar seu ritmo interno, para possibilitar uma melhora", explica. "Um bom exemplo é o que ocorre com crianças hiperativas, em geral com um ritmo interno bastante acelerado. Primeiramente, elas são tratadas com músicas em seu próprio ritmo, para depois, lentamente, ir buscando equilibrar esse som", explica Maristela. "Assim como em qualquer outro método terapêutico, não há prazo determinado para o tratamento, que vai depender da resposta do paciente", ressalta.

Gama de aplicações

Entre as inúmeras aplicações da musicoterapia, destaca-se o trabalho com pacientes portadores de deficiências físicas, como paralisia e distrofia muscular progressiva. As deficiências sensoriais (visual e auditiva) e as síndromes genéticas (Down, Turner e Rett) também contam com essa opção como tratamento complementar. Distúrbios neurológicos (lesões cerebrais, dislexias, disfonias, entre outros) e doenças mentais, como esquizofrenia, autismo infantil, depressões e distúrbio obsessivo compulsivo também podem se beneficiar com essa terapêutica. "A musicoterapia pode ser aplicada desde a vida intra-uterina, pois pesquisas provaram que o feto reage ao som e, por ser estimulado desde cedo, nasce com maior capacidade de desenvolver seu potencial", afirma Maristela.

As principais pesquisas sobre musicoterapia têm sido feitas em países como Estados Unidos, França, Alemanha, Noruega, Inglaterra, Itália e Argentina, onde o uso terapêutico da música é amplamente difundido. No Brasil, nos últimos dois anos, os benefícios dessa terapia têm sido mais amplamente aceitos por fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos.

Sua aplicação tem ocorrido principalmente em entidades que trabalham com crianças portadoras de deficiência mental, como a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Barueri. "Esse trabalho começou a ser
realizado por uma de nossas fisioterapeutas com crianças portadoras de deficiência mental, visual e auditiva.

"A música relaxa e tranqüiliza as crianças. Vamos usar os recursos da musicoterapia para trabalhar os processos de linguagem. A percepção corporal através da dança também fará parte do processo terapêutico. Com isso, a criança passa a ter contato consigo mesma e com o outro, é uma forma de integrá-la ao meio", acrescenta a fonoaudióloga Adriana F. de Souza Aquino, uma das responsáveis pela elaboração do projeto.

Na educação, a musicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento psicopedagógico e em dinâmica de grupo em sala de aula. É o que vem ocorrendo com os alunos da Escola Municipal de Educação Especial de Barueri, voltada para a alfabetização de crianças e adolescentes com deficiência mental leve e moderada. Desde o início deste ano, a disciplina Educação Musical passou a contar com recursos de musicoterapia. "Procuro sociabilizar o grupo através da música. A resposta das crianças é uma coisa incrível. Dentro de suas capacidades, elas cantam e dançam", explica Fernanda Rodrigues dos Santos, formada em Educação Artística, com habilitação em música, e pós-graduada em Musicoterapia.


Em busca da cura

Além da utilização da música como processo terapêutico, há correntes de estudiosos no assunto que voltam seus interesses para a ação curativa de determinado som. No livro O Poder Terapêutico da Música, do norte-americano Randall McClellan, o autor trata os efeitos da música sobre o indivíduo como um todo. Segundo ele, "toda música pode alterar de algum modo nosso estado de consciência. O que não foi ainda determinado é que tipo de música afeta nossa consciência e de que modo e, particularmente, que tipo de música é mais útil para provocar os estados mais desejáveis para fins de cura". As indagações de McClellan, doutor em Filosofia em Composições Musicais pela Eastman School of Music e também graduado no Cincinnati College Conservatory of Music, têm sido temas de inúmeras pesquisas realizadas principalmente nos Estados Unidos.


No Brasil, o interesse pelo assunto não é menor. Segundo levantamento realizado pela Apemesp, o país conta com cerca de 1500 profissionais com formação em musicoterapia.


A música como recurso terapêutico


Ana Elizabeth Diniz

Quem canta seus males espanta. A música, o som, o ritmo, a melodia e a harmonia são recursos terapêuticos muito antigos. As referências a essa prática podem ser encontradas nas citações de Pitágoras que investigou a física do som e prescreveu intervalos musicais e modos específicos para promover saúde, a força de pensamento e emoção, na descrição de Platão da música como medicina da alma, na defesa de Aristóteles sobre a música como catarse emocional e na alerta de Caelius Aurelianus contra o uso indiscriminado da música contra a loucura.

A musicoterapia como disciplina teve início no século 20 após a primeira e Segunda Guerra Mundial. Músicos amadores e profissionais passaram a tocar nos hospitais em vários paises da Europa e Estados Unidos para milhares de soldados veteranos. Logo os médicos e enfermeiros puderam notar melhoras no bem-estar dos pacientes.

De lá para cá, a música vem sendo cada vez mais incorporada às práticas alternativas e terapêuticas. Em 1972, foi criado o primeiro curso de graduação no Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro. Hoje, no mundo, existem mais de 127 cursos que vão da graduação ao doutorado.

Os musicoterapeutas acreditam que a técnica pode ajudar no equilíbrio e na saúde física, mental, emocional, energética e espiritual. E que os profissionais da área de saúde podem usar com sucesso a musicoterapia como uma ferramenta complementar de trabalho. Esse é, por exemplo, o caso do oncologista norte-americano Mitchell Gaynor que usa o "dahl tibetano", que ele chama de "tigela cantante" para tratar os pacientes com câncer.

"A música é uma linguagem específica, porém, universal, presente em todos os tempos. É uma forma genuína de expressão dos sentimentos e emoções e se traduz através dos mais diversas manifestações, evidenciando a essência do ser humano e de sua cultura. Atua nos conteúdos inconscientes, trazendo à tona memórias e experiências vivenciadas pelo indivíduo ou pelo coletivo, pois acessa áreas do psiquismo não autorizadas pelo consciente", atesta Marília Schembri, musicoterapeuta e eleita a primeira presidente da Associação de Musicoterapeutas do Estado de Minas Gerais.

Segundo Marília, cada ser humano é único e tem uma experiência física, emocional, mental e cognitiva próprias, individuais. A sua interação com o universo sonoro que o envolve, interna e externamente, amplia as possibilidades de se expressar, promovendo um estado de maior equilíbrio consigo mesmo e, conseqüentemente, com o outro. A música e seus elementos constitutivos são altamente expressivos e carregados de significados individuais e coletivos. Sendo inerente ao ser humano, a linguagem rítmico-sonoro-musical é capaz de estimular e despertar emoções, reações, sensações e sentimentos.
Um encontro com os sentimentos mais genuínos

"A musicoterapia atravessa espaços. Leva o paciente ao contato consigo mesmo e possibilita a expressão da emoção mais genuína. A medida em que se trabalha sonoramente com o indivíduo, ele expressa conteúdos internos, simbólicos e dificuldades. O seu potencial é aflorado e daí pode acontecer a cura. Isso porque um potencial reprimido, recalcado, pode gerar patologias", comenta a musicoterapeuta e pianista Sônia Carvalho.


O papel do musicoterapeuta é dar um caminho tranqüilo para que o paciente elabore suas limitações e descubra, dentro de si, o ser sensível e traumático. "A música possibilita encontros com memórias passadas, situações significativas vivenciadas e que, muitas vezes se encontram bloqueadas por experiências traumáticas ou inibidoras. Utilizada dentro de um contexto terapêutico, de forma consciente e apropriada, facilita a expressão dos conteúdos simbólicos individuais, promovendo o resgate genuíno do seu ser", ensina a pianista.


A música ajuda na expansão de percepções, proporcionando o contato com áreas do psiquismo praticamente esquecidas pela negação do si mesmo. Atua desbloqueando e facilitando a emersão de conteúdos psíquicos profundos, propiciando a expressão e a comunicação dos próprios desejos e necessidades", esclarece Sônia.

Fluxo vital

Terapeuticamente, a música faz com que o indivíduo expresse suas ansiedades, tensões, desejos, alegrias. Entra em contato direto com as emoções e sentimentos internalizados que, muitas vezes, estão bloqueados pela inibição, pelo estresse, pela falta de estímulo. A música, segundo Sônia, possibilita o despertar e o desenvolvimento do potencial criativo do indivíduo, impulsionando transformações que levam à modificação de padrões cristalizados, resgatando o fluxo vital e a saúde.


A utilização da música a partir de uma compreensão musicoterápica tem também um trabalho preventivo pois visa o "esvaziamento" e canalização das energias de tensão e ansiedade, impedindo que estas se acumulem e tenham como conseqüência, bloqueios psicossomáticos que geram o estresse e a depressão.

Técnica ajuda a equilibrar os ritmos interno e externo

Como atua o musicoterapeuta? Ele avalia o bem-estar emocional, a saúde física, o comportamento social, as habilidades comunicativas e funções cognitivas através de respostas musicais, planeja os atendimentos individuais ou em grupo, baseado nas necessidades do paciente e utiliza a improvisação, audição musical receptiva, composição de canções, análise lírica, música e imagens.


"A música trabalha os hemisférios cerebrais, promovendo o equilíbrio entre o pensar e o sentir, resgatando a "afinação" do indivíduo, de maneira coerente com seu diapasão interno. A melodia trabalha o emocional, a harmonia, o racional, a inteligência. A força organizadora do ritmo provoca respostas motoras, que, através da pulsação dá suporte para a improvisação de movimentos, para a expressão corporal. Tornamo-nos verdadeiros quando aprendemos a "escutar" a nossa música interna", explica Marília Schembri.


Para ela, o crescente número de patologias psicossomáticas é conseqüência da grande distância rítmica existente entre o tempo interno do ser humano, suas necessidades biológicas e psicológicas e sua relação com o tempo externo e a prontidão da tecnologia. " O homem acaba se perdendo ao se espelhar no ritmo desenfreado, modificando sua percepção temporo-espacial, comprometendo sua construção como indivíduo. A música, sendo uma linguagem articulada no tempo, facilita, então, a expressão temporal do ser, de suas buscas e anseios, assim como de seus desequilíbrios e frustrações" .

A musicoterapia é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde e só pode ser exercida por profissionais graduados nos cursos superiores oferecidos em alguns Estados do Brasil. Marília Schembri explica que a técnica vem sendo usada na prevenção, no tratamento e reabilitação de indivíduos. "Ela tem excelentes resultados em deficiências físicas, paralisias, distrofia muscular progressiva, amputações, deficiências visual, auditiva, mentais, síndromes genéticas (Down, Turner, Rett), anóxia perinatal, lesões cerebrais, esquizofrenia, autismo infantil, depressões e distúrbio obsessivo compulsivo".

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